Sonhar com viagens aos exterior voltou a ser possível
O brasileiro voltou a sonhar com as férias no exterior. A queda de quase 20% do dólar em relação ao real fez com que os destinos nacionais voltassem a custar mais caro que os internacionais. Por volta das 10 horas, a moeda caía 0,34%, cotada a 3,28 reais.
A publicitária Camila Silveira, de 34 anos, por exemplo, planejava passar o Natal com o marido e a filha em Gramado, no Rio Grande do Sul, para assistir aos shows temáticos que ocorrem no fim do ano.
Mas, na hora de fechar a compra, ela descobriu que gastaria cerca de 1,4 mil reais a menos pelo pacote para os três, que inclui passagem aérea, estadia e aluguel de carro – e pelo mesmo número de dias – se fosse para Orlando, nos Estados Unidos. A única mudança no plano é que o embarque está previsto para janeiro de 2017.
“O que mais pegou foi o preço”, disse a publicitária. Ela não contava com uma queda tão acentuada do dólar. Na época em que estava grávida da filha, deixou de fazer o enxoval da bebê em Orlando por que o dólar passava de 4 reais. Agora, gastará menos com o pacote e pretende comprar na cidade americana roupas e acessórios para a menina, que terá um ano e sete meses.
Camila não está sozinha nessa mudança de planos. Segundo Fábio Mader, diretor de Produtos Internacionais da CVC, a maior operadora de turismo do país, a participação de pacotes internacionais nos negócios da companhia voltou a representar, no mês passado, 40% do faturamento da empresa, depois de ter ficado um longo período na faixa de 30%. “A queda do dólar acabou mexendo com o humor do cliente”, observou ela.
Descontos – Essa também é a percepção de Gustavo Mariotto, gerente de marketing da Viajanet, agência online de vendas de passagens. No segundo trimestre, as vendas de passagens internacionais cresceram 20% em relação ao primeiro trimestre, num ritmo muito superior aos destinos nacionais, que avançaram 6%. Ele lembrou que, quando o dólar estava beirando 4 reais, muitas companhias aéreas davam bons descontos na tarifa. Mas o consumidor não se animava em viajar para o exterior pois o câmbio elevado aumentava outros custos, como a estadia e despesas com alimentação. Agora, esses custos recuaram.
A cotação do dólar, que fechou ontem a 3,29 reais, funciona como um estímulo para viagens ao exterior. Tanto é que a CVC suspendeu a oferta de dólar reduzido e está apostando em outras promoções.
Diponivél em: http://veja.abril.com.br/economia/viagem-ao-exterior-fica-mais-barata-com-desvalorizacao-do-dolar/

