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Custos de produção de frangos e suínos batem recorde

Os custos de produção de frangos de corte e de suínos, calculados pela Embrapa, chegaram aos maiores valores do ano no mês de julho. O ICPFrango/Embrapa foi a 177,98 pontos, um aumento de 2,32% em relação a junho. Em 2015, o índice acumula alta de 1,81%. Nos últimos 12 meses, a variação é de +10,22%. É o terceiro valor mais alto do ICPFrango desde que o índice é divulgado pela Central de Inteligência de Aves e Suínos (Cias), sendo superado apenas pelos meses de agosto e setembro de 2012, quando foram registrados 183,70 e 184,26 pontos, respectivamente.

O ICPFrango/Embrapa é referente aos custos de produção no Paraná, maior produtor de frangos do País, para o aviário tipo climatizado em pressão positiva, modelo referencial de produção. Atualmente, a Embrapa Suínos e Aves calcula os custos para três diferentes modelos de aviários: climatizado em pressão negativa, climatizado em pressão positiva e convencional.

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No Paraná, segundo dados levantados pela Embrapa Suínos e Aves em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o preço de custo para o produtor produzir um quilo de carne de frango em julho chegou a R$ 2,33 contra R$ 2,28/kg em junho. No ano, o custo médio de produção do quilo do frango é de R$ 2,28.

Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins, a alta nos custos da avicultura é reflexo da pressão exercida pela soja e o milho, principais componentes da ração. “O mercado internacional se movimenta mais rapidamente, mas acho que essa oscilação de preços das commodities não vai ser sentida pelo setor avícola, uma vez que os estoques internacionais de grãos estão confortáveis e o mercado internacional está pouco comprador”, comenta.

Martins prevê pouca oscilação no custeio da avicultura brasileira nos próximos meses. “A influência da soja e do milho deve parar por aí”, avalia o presidente do Sindiavipar, destacando que, hoje, além dos dois insumos, a genética é outro item que pesa nos custos de produção de frangos. “O dólar tem favorecido os ganhos com exportação mas o investimento em genética tende a ficar mais caro porque os preços são balizados na moeda norte-americana.”

SUINOCULTURA

O ICPSuíno/Embrapa chegou aos 180,01 pontos em julho, alta de 3,56% em relação a junho. No ano, o índice soma 3,03% de alta. Nos últimos 12 meses, a variação é de +6,91%. A última vez que o índice havia superado a barreira dos 180 pontos havia sido entre agosto e outubro de 2012, quando chegou a 183,60 pontos. O índice é obtido a partir de resultados de custos da produção de suínos em sistema tipo “ciclo completo” no estado de Santa Catarina.

No Paraná, para produzir um quilo de carne suína em julho os produtores gastaram R$ 2,88, contra R$ 2,78 em junho. No ano, o custo médio para a atividade no Estado é de R$ 2,86/kg.

Jacir José Dariva, presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), não vê o mercado atual com bons olhos. Segundo ele, o aumento do dólar impactou diretamente o setor, principalmente os valores do farelo de soja, que incrementaram entre 20% e 25% o preço da ração. “O milho seguiu a soja”, diz Dariva, que aposta em altas no custo da suinocultura até o fim do ano. “Acho que toda a cadeia de proteína animal vai deixar de ganhar.”

O presidente da APS se mostrou preocupado com o futuro da cadeia suína que, conforme ele, “terá de arcar com os prejuízos”. “Uma saída seria subir o valor de comercialização, mas acho difícil isso acontecer.”

Apesar dos bons preços para a exportação, Dariva destaca que o problema dos suinocultores é mesmo o mercado interno. Para ele, no entanto, os altos patamares de preço das carnes bovina e de aves pode favorecer o consumo de carne de porco. “Hoje o suíno surge como uma opção a mais nos supermercados. Além disso, as campanhas de incentivo ao consumo de carne suína têm impactado positivamente nas vendas nas gôndolas. Se continuar assim, o consumo vai aumentar e a tendência é o preço se estabilizar”, opina.

PRODUÇÃO

Somente no primeiro trimestre de 2015 o Brasil abateu 3.161.600 toneladas de carne de frango e 794.214 toneladas de carne suína, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 25 de junho.

Fonte: Folha Web. Autor: Mariana Guerin.

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