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Brasil exporta mais trigo, para depois ter que importar

O Brasil está vendendo mais trigo que o previsto e deve ter de importar também um volume maior que o esperado, com impacto sobre o preço do produto e a inflação dos alimentos. Os embarques do primeiro semestre somaram 1,43 milhão de toneladas, volume quase 40 vezes maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Praticamente todo o volume saiu da região Sul do país, que lidera a oferta nacional do cereal, apontam dados da Secretaria do Comércio Exterior (Secex).

O volume já supera o total exportado em todo o ano de 2014 (1,4 milhão) e de 2013 (47 mil toneladas). Até dezembro, deve passar de 2 milhões de toneladas. Com isso, podem ter de ser importadas mais de 7 milhões de toneladas para o abastecimento interno. Mesmo com suspensão da tarifa de importação, de 10%, a menor disponibilidade favorece alta no preço do cereal e de uma lista extensa de alimentos, do pão do café da manhã à pizza do jantar.

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Um dos motivos pelos quais o país exporta para depois ter que importar é a concentração do cultivo no Sul — por razões agroclimáticas — e o fato de o custo do transporte entre um porto marítimo brasileiro e outro muitas vezes superar o custo de importação. Outra razão é a combinação que os moinhos fazem de trigo nacional e estrangeiro para padronizar a farinha.

Essa necessidade de aquisição ocorre mesmo com uma perspectiva de safra maior para o cereal no Paraná, que lidera a oferta nacional do cereal. A Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento projeta um crescimento de 3% na oferta total neste inverno, para 3,96 milhões de toneladas. O aumento é lastreado por expectativa de aumento de 9% na produtividade, para 3 mil quilos por hectare. O segundo maior produtor nacional é o Rio Grande do Sul, que deve produzir 2,4 milhões de toneladas do alimento neste ciclo. A dupla detém 90% da produção brasileira do alimento, e tem peso decisivo para balizar o mercado doméstico.

Enquanto a colheita recorde não chega ao mercado o Brasil amplia as exportações negociando parte da produção do ano passado, que teve a qualidade reduzida em virtude de chuvas excessivas foram registradas no momento da colheita no Rio Grande do Sul. Por essa razão, 87% do volume de trigo exportado neste ano é gaúcho.

Quatro países do Sudeste Asiático –Tailândia, Bangladesh, Filipinas e Vietnã– concentraram 80% das aquisições dos últimos seis meses. Nenhum desses países havia adquirido qualquer volume do Brasil no primeiro semestre de 2014. Os embarques no primeiro semestre do ano passado também foram atipicamente fracos devido ao câmbio desfavorável e à ausência de incentivos do governo federal para a comercialização.

Fonte: Gazeta do Povo (AgroGP).

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