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Gasto com manutenção de avião agrícola deve subir 20%

Em um cenário econômico de incertezas, a aquisição de aviões agrícolas deve dar lugar à manutenção e esta pode ficar até 20% mais cara. Isso porque grande parte das peças dos equipamentos é importada e sofrerão o impacto negativo do dólar alto.

Em entrevista ao DCI, o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Nelson Antonio Paim, disse que, em 2014, cerca de 110 aeronaves para pulverização foram comercializadas, um incremento médio de 6% na frota que também pode travar a renovação neste ano.

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“O dólar subiu muito, houve aumento nos combustíveis, além dos financiamentos de aviões. Afeta as aeronaves importadas e a própria Embraer, líder no segmento, que vai ter gastos maiores porque muitos componentes para fabricação do avião são adquiridos na moeda norte-americana. Ou seja, Tudo indica que vai haver uma redução nas compras, tanto de modelos nacionais quanto importações”, diz.

Reparos

Neste contexto, a opção para o produtor rural é manter as aeronaves e apostar em manutenção. Vale lembrar que o País registrará mais um ano de safra recorde, o que torna a aplicação de defensivos através de pulverização essencial para o andamento das próximas temporadas. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), estimam, só para grãos, produção superior a 202 milhões de toneladas no período de 2014/ 2015. “Não houve queda na área de pulverização e acho difícil a redução nas vendas de aviões refletir no uso nas aeronaves. Haverá um incremento entre 18% e 20% no desembolso com manutenção para manter os equipamentos”, afirma.

Apostas

Em 2015, o avião Ipanema da Embraer, detentor de 60% do mercado agrícola, ganhou uma nova roupagem – a primeira desde 2005. Foram três anos para desenvolvimento de uma aeronave que gera ganhos de 20% em produtividade, em relação ao modelo anterior. No projeto total foram investidos cerca de US$ 800 mil.

“A decisão de lançar esse avião estava um pouco independente da situação do mercado, principalmente porque temos um equipamento mais produtivo. A principal melhoria veio de um crescimento de 20% na deposição das asas, acarretando uma abrangência maior de trabalho. Também colocamos air bag no cinto de segurança e uma cabine mais alta”, conta o diretor da unidade de Botucatu da Embraer (onde é fabricado o Ipanema), Alexandre Sólis.

Segundo o executivo, a aeronave está em fase de certificação junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e poderá ser comercializada em meados de setembro. Em abril foi realizado o primeiro voo e a apresentação oficial veio durante a 22ª edição da Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow). “A aceitação foi muito grande na feira, com isso acreditamos que é possível manter nossa participação neste mercado”, enfatiza Sólis sobre o cenário econômico adverso.

Executivos

Além do uso para pulverização, o agronegócio é um dos principais mercados para a aviação executiva, no caso de produtores que precisam se deslocar com facilidade entre propriedades distantes.

O diretor de vendas da Líder Aviação, Philipe Figueiredo, destaca que o setor representa 40% do volume de negócios da companhia. Sem revelar valores, ele espera que a empresa replique o desempenho obtido no ano passado. “Não que estejam investindo menos, mas há um pouco mais de parcimônia”, comenta.

Em nota, a TAM Avião Executiva informou que o agronegócio representa, aproximadamente, 25% das vendas e as perspectivas são positivas. “Isto foi visto na Agrishow, estamos com aeronaves em negociação depois da feira”, diz.

Fonte: DCI – Diário do Comércio & Indústria. Autor: Nayara Figueiredo.

Equipe Agron

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