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Bradesco aponta risco para exportações de carnes

Vários fatores favorecem o Brasil, mas esbarram na queda da demanda internacional.

O benefício do câmbio mais depreciado sobre as exportações brasileiras de carnes será limitado pela queda da demanda de mercados relevantes. O comentário está na edição de maio do boletim Agronegócio em Análise, elaborado pelo Departamento de Pesquisa e Estudos Econômicos do Bradesco, no qual a analista Regina Helena Couto Silva faz projeções sobre o mercado de carnes.

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Segundo a analista, a tendência seria de aumento das exportações brasileiras, levando em conta uma combinação positiva de fatores, como dólar valorizado, oferta mais restrita por parte de produtores relevantes como Estados Unidos e Austrália, além do embargo russo aos produtos europeus, norte-americanos e australianos, após as sanções econômicas contra o país em razão do envolvimento russo no conflito com a Ucrânia.

No entanto, diz ela, as exportações brasileiras de carnes estão caindo, afetadas pela redução da demanda especialmente dos países produtores de petróleo, cujos preços atingiram baixos patamares o que, combinado ao dólar valorizado, encareceu as importações de carnes. No primeiro trimestre do ano, os volumes embarcados de carne bovina caíram 24% ante o mesmo período do ano passado, com recuos acentuados para o Irã (-65%), a Rússia (-45%) e a Venezuela (-50%).

A analista observa que o complexo carnes brasileiro registrou forte expansão nos últimos anos – o consumo interno cresceu em média 3,5% ao ano e as exportações 3% – impulsionado pelo processo de inclusão social, que expandiu a demanda doméstica, e pela demanda externa em crescimento nos países emergentes (para onde são destinados 80% dos embarques, que respondem por 20% da produção doméstica).

Ela acredita que para os próximos anos o consumo interno deve continuar em expansão, “embora em menor ritmo, e o câmbio em nível mais depreciado deverão continuar beneficiando as demandas doméstica e externa por carnes”. No curto prazo, ela aponta alguns riscos que podem frustrar essas expectativas, “como a possível queda de consumo doméstico, em função do aumento do desemprego, e da retração da demanda dos principais países de destino das nossas exportações expostos à queda de receita advinda do petróleo”.

Segundo ela, a combinação da inflação ainda pressionada e do aumento da taxa de desemprego com a recente elevação dos preços de carne bovina deverá levar à acomodação do consumo, com possível migração para a carne de frango, que tem preços mais acessíveis. Ela cita as estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que preveem ampliação de 2,3% do consumo doméstico brasileiro de carne avícola e de 1,7% de carne suína, enquanto o consumo de carne bovina deverá ficar estável em relação ao nível do ano passado.

Fonte: Globo Rural.

Equipe Agron

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