Depois de um ano de desempenhos favoráveis tanto no mercado doméstico quanto no externo, o horizonte é nebuloso para as empresas brasileiras de carnes, ao menos no curto prazo. No mercado doméstico, o quadro que se vislumbra é de provável retração na demanda principalmente para as carnes mais caras, uma vez que o consumidor vai enfrentar uma série de altas de custos em seu dia a dia, como os com energia e água. Custos, aliás, que também afetarão as empresas. Ao mesmo tempo, o mercado externo, até meados de 2014 a maior fonte de boas notícias para o setor, também se tornou motivo de incertezas.
A principal razão é a queda dos preços do petróleo no mercado internacional, que reduziu a capacidade de compra de países produtores da commodity. O caso mais agudo é provavelmente o da Rússia um dos maiores clientes do Brasil em carnes. Além de produtor de petróleo, o país sofre embargo da União Europeia, dos EUA e de outros países por conta da crise na Ucrânia. Como resultado dessa combinação, viu sua moeda, o rublo, cair quase 49% em relação ao dólar desde julho do ano passado, conforme oValor Data.
A derrocada da moeda russa fez a demanda do país por carnes ter forte queda no último trimestre de 2014 afetando as exportações brasileiras. E o cenário persiste, como mostram os números dos embarques em janeiro. Outros clientes do Brasil, exportadores de petróleo, como Venezuela e Angola, também reduziram as compras. De acordo com dados da Secex, no mês passado, a receita com as exportações de carne de frango do Brasil caiu 14,3%, para US$ 494,4 milhões, na comparação com janeiro de 2013.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reconheceu que a queda da cotações do petróleo “pode ter influenciado a eventual falta de crédito” de alguns países importadores. As vendas externas de carne bovina in natura também foram afetadas. Em janeiro, a receita somou US$ 326,4 milhões, recuo de 28,8% sobre o mesmo intervalo de 2013. Já as exportações brasileiras de carne suína in natura recuaram 20,28% na comparação, para US$ 64,5 milhões.
Ainda que o desempenho de mercados como a Rússia preocupe, empresas exportadoras apontam a atual valorização do dólar como favorável para o segmento, já que torna os produtos brasileiros mais competitivos. “Estamos confiantes de que o dólar ficará firme no decorrer do ano, o que é favorável para as exportações”, afirma Renato Costa, presidente da JBS Carnes, divisão de carne bovina no Brasil da JBS S.A. Em relação aos riscos que a atual volatilidade do dólar gera, ele diz que a empresa tem instrumentos de hedge para proteção da moeda.
Fonte: Jornal Valor Econômico, Agronegócio/SP.
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