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Recuperação do PIB americano pode aumentar vendas

COMÉRCIO EXTERNO: Recuperação do PIB americano pode aumentar vendas

Entre 2013 e 2014, o déficit comercial nas trocas do Brasil com os Estados Unidos caiu de US$ 11,43 bilhões para US$ 8,15 bilhões

Mesmo mantendo déficit, os Estados Unidos foram o único parceiro com o qual o saldo comercial melhorou para o Brasil, levando em conta os principais destinos comerciais, por blocos ou países. Os americanos também se tornaram em 2014 o principal destino de manufaturados brasileiros e tomaram o lugar que a Argentina ocupava desde 2009. Para especialistas, os Estados Unidos são o destino mais promissor para 2015, mas com muitos desafios.

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Melhora – Para Silvio Campos Neto, economista da Tendências, os dados de 2014 já sinalizam os Estados Unidos como parceiro que pode contribuir para gerar melhora no saldo comercial do Brasil. “É um país com grande mercado para o qual há expectativa de continuidade de crescimento.” Campos Neto ressalta que o crescimento é gradativo, mas sustentado. A Tendências projeta para este ano expansão do PIB americano em 2,9%, contra os 2,3% estimados para o ano passado.

Análise semelhante– Lia Valls, professora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), tem análise semelhante. No cenário de desaceleração da demanda internacional, diz ela, a expectativa fica por conta dos Estados Unidos. Lia ressalva, porém, que trata-se de um mercado que o Brasil precisa recuperar, ampliando a pauta de exportação e enfrentando a concorrência de países asiáticos.

Manufaturados – Lia lembra que atualmente a exportação brasileira de manufaturados aos americanos está mais restrita a produtos da indústria aeronáutica e às trocas intracompanhias. O desafio, diz ela, mesmo com o real desvalorizado frente ao dólar, é conseguir competir com os produtos chineses. “Outra questão é quanto as exportações aos Estados Unidos conseguem compensar a perda com mercados que estão em desaceleração.”

Cenário – O cenário de demanda menor do comércio internacional ficou claro nos saldos da balança do Brasil com parceiros importantes. Com a China, por exemplo, o superávit comercial caiu de US$ 8,72 bilhões em 2013 para US$ 3,28 bilhões no ano passado. O desempenho do comércio com os chineses levou a uma redução do saldo positivo com o continente asiático. O superávit com esse bloco foi reduzido de US$ 4,43 bilhões para US$ 2,35 bilhões no mesmo período.

Mercado regional – O mercado regional também teve piora. O superávit das trocas com América Latina e Caribe caiu de US$ 12,77 bilhões para US$ 8,48 bilhões, na mesma comparação. E a piora do desempenho não ficou restrita ao Mercosul ou à Argentina. O superávit com os parceiros do Mercosul caiu de US$ 9,08 bilhões para US$ 6,61 bilhões. Com os argentinos o saldo positivo foi reduzido de US$ 3,15 bilhões para US$ 139 milhões. Com os demais países latinos e do Caribe, o superávit de US$ 3,69 bilhões em 2013 baixou para US$ 1,87 bilhão em 2014. Com os europeus também houve piora no saldo. O déficit de US$ 2,98 bilhões em 2013 subiu para US$ 4,65 bilhões em 2014.

Déficit – José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), não descarta um déficit – apesar de pequeno – para o lado do Brasil em 2015 na relação comercial com os argentinos. “O mesmo vale para a China. Apesar de mais improvável, houve queda muito forte do nosso saldo.” A composição da balança com os chineses justifica o pessimismo. Enquanto o Brasil segue comprando, ainda que em quantidade menor, manufaturados chineses, os preços de minério de ferro e soja desabaram ao longo de 2014. Os dois produtos representam cerca de três quartos de todas as exportações brasileiras à China. Entre dezembro do ano passado e dezembro de 2013, o preço médio do minério caiu 47,1%.

Resultados – Os resultados das balanças comerciais levando em conta blocos e países, diz, Campos Neto, mostram o grande desafio que o Brasil tem na área comercial este ano. Para ele, o cenário mostra mais do que nunca a necessidade de o Brasil se aproximar dos Estados Unidos e também de voltar a negociar acordos comerciais para fortalecer parcerias. “Essa é a prioridade na política de comércio exterior para este ano.”

Fonte: Informe OCB

Equipe Agron

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