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Projeto eleva produtividade da pecuária

Quando a operação “Arco de Fogo”, da Polícia Federal, apertou o cerco contra as serrarias que desmatavam madeira ilegalmente e empregavam mão de obra em condição análoga à escravidão no Pará, um dos empresários que tiveram que mudar de ramo foi Joaquim Loureiro Pereira. Até 2008, sua atividade principal era comandar uma serraria, e a pecuária era apenas hobby. Após o cerco, restou a criação de gado. De cara, ele enfrentou três desafios: se adequar à legislação ambiental, superar a baixa produtividade da atividade e garantir que ela fosse rentável.

 

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O primeiro passo foi reservar mais de mil hectares de sua propriedade para a recuperação da mata nativa para recompor a área de Reserva Legal e as Áreas de Proteção Permanente (APP). O segundo foi aplicar técnicas de manejo para evitar que a menor oferta de pasto provocasse perda de peso no gado. Em três anos, Pereira manteve seu plantel entre 4 mil e 5 mil cabeças de gado e elevou sua produtividade em 25%, o que alavancou seus ganhos.

 

Pereira foi um de seis fazendeiros de Paragominas escolhidos para participar do projeto Pecuária Verde, iniciativa do Sindicato Rural dos Produtores da cidade, com financiamento da Dow AgroSciences e do Fundo Vale – iniciativa da mineradora, que possui participação minoritária na mina de bauxita na cidade. “Diz-se que a pecuária é o vetor do desmatamento. Como a atividade tem problema, resolveu-se focar nela com o projeto”, diz Mauro Lucio Costa, presidente do sindicato rural. Com a assessoria de professores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), o projeto-piloto conseguiu, em dois anos, elevar a lotação de 1,1 animal com peso médio de 450 quilos por hectare para 3,3 animais por hectare.

 

A melhora se deu em todos os demais resultados: na média, a produtividade passou de 7 arrobas por hectare para 20,8 arrobas por hectare, e as margens saíram dos magros 0,69 arroba por hectare para 7,1 arrobas por hectare. Além de reduzir a pressão sobre a floresta amazônica, a intensificação da pecuária tem como meta “produzir com a mesma margem que as outras atividades econômicas”, sustenta Moacyr Corsi, professor da Esalq e um dos coordenadores do projeto nas fazendas.

 

Ele considera, no entanto, que a pressão pelo avanço de área da pecuária será, em algum momento, inevitável. “Por enquanto, vamos aumentar a produção verticalmente, aumentando a produtividade, para justificar depois uma expansão horizontal”, afirma.

 

Fonte: Jornal Valor Econômico.

Equipe Agron

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