Número de plantas de biogás vem em crescimento

Número de plantas de biogás saltou de 126 em 2015 para 593 este ano.

Aproveitamento de resíduos, especialmente do setor sucroenergético, para geração de energia limpa proporciona descarbonização, com redução de custos e criação de empregos.

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O VII Fórum do Biogás, realizado nesta quinta-feira (05), reuniu especialistas que apontaram um cenário promissor para o biogás, com crescimento de 40% ao ano, e marcos importantes em 2020. O presidente da ABiogás, Alessandro Gardemann, abriu os trabalhos, destacando que, com mais de 700 inscritos, o Fórum tem como missão mostrar o diferencial brasileiro no contexto global do biogás.

“O Brasil tem um potencial que não existe em outros países. Temos que pensar em como acelerar a entrada do biogás, reconhecendo as externalidades e incrementando tecnologias para o melhor aproveitamento desta fonte”, afirmou. “O biogás é uma solução ambiental tanto para o saneamento urbano, quanto para o saneamento rural. O aproveitamento de resíduos proporciona a descarbonização com redução de custos e geração de empregos. O biogás é ESG (Environmental, Social and Governance) na veia”, completou.

A Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), que promove o fórum, lançou dois novos produtos visando ampliar o conhecimento sobre o energético: o Mapa do Biogás, com dados do Brasil e do mundo, e o Guia do Produtor, um roteiro para novos empreendedores. Os materiais já estão disponíveis no site: https://abiogas.org.br/

Para falar sobre políticas públicas, o secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), José Mauro Ferreira Coelho, mostrou a evolução do biogás nos últimos anos, com destaque para o aproveitamento de fontes do setor sucroenergético.

Segundo os dados do MME, o Brasil passou de 126 plantas em 2015, para 593, este ano. Para José Mauro, o biogás constitui peça-chave na expansão do mercado de gás. “A universalização do gás passa muito pela questão dos gasodutos, entretanto, quando olhamos para o Brasil e o potencial do biogás, eu acredito muito que poderemos ter vários pontos de oferta de biogás que levarão à expansão da malha, o que vai contribuir para universalização do gás que tanto se fala no país”, afirmou.

A diretora de Estudos do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Heloísa Borges, apresentou sua visão de futuro para o biogás, destacando a posição do Brasil na plataforma Biofuturo. “Cada país vai contribuir do seu modo, e nós temos uma fortaleza muito grande na bioenergia. Temos que pensar na integração de políticas para potencializar resultados. O novo mercado de gás vai aumentar a competitividade para diminuir o preço final ao consumidor, e o biogás está inserido no marco regulatório por ser equivalente ao gás natural”, afirmou.

Para a diretora de Biomassa e Renováveis da Raízen, Raphaella Gomes, o movimento ESG começa como um pleito da sociedade, gerando uma onda sem volta. “O primeiro passo foi dado com os países se comprometendo com a descarbonização. O segundo foram as empresas também assumindo metas de redução de carbono. E a última onda são as instituições financeiras se recusando a financiar empreendimentos que não estejam alinhados às metas de redução de emissões”, comentou.

Recentemente, a Raízen inaugurou a maior usina de biogás a partir de derivados da cana-de-açúcar do mundo, no município de Guariba, em São Paulo. Para Rafaela, o empreendimento chamou a atenção para o potencial do Brasil, reconhecendo o protagonismo na agenda do gás natural renovável, pensando até em exportação por meio do gás liquefeito. “É o pré-sal caipira, energia que vem do interior, próxima a grandes centros de consumos, despachável, e com uma série de oportunidades. A nossa visão é de que a usina se transforme em uma biorrefinaria integrada, passando pelo mesmo processo do petróleo, em que iremos aproveitar todos os resíduos”, contou.

Fechando o primeiro painel, o diretor superintendente da Gás Verde, Wagner Nunes Martins, falou sobre o empreendimento da Gás Verde, maior planta de purificação de biogás do Brasil. “Nosso principal produto é o biometano, que atende a clientes industriais e veiculares. Esta fonte reduz tanto os gases do aquecimento global, quanto contribui para diminuir a poluição nas cidades. Todos nós precisamos ter esta visão, se não criarmos uma economia verde, o desenvolvimento urbano vai esbarrar em sérios problemas ambientais”, concluiu.

O biogás nas ações de ESG

O Painel 2 abordou o tema central da sétima edição do Fórum: as ESGs (em português ASG –Ambiental, Social e Governança).

Vice-presidente da ABiogás, Gabriel Kropsch, iniciou o debate falando da importância dos critérios de ESG e como, atualmente, é uma questão de sobrevivência das empresas e não marketing ou estratégia para captar a percepção do consumidor. “Empresas com boas classificações de ESGs são vistas pelo mercado como resilientes, fortes, com risco menor e com poder de compra de capital mais barato. Um dos principais benefícios é o aumento das emissões evitadas. Dependendo de onde se analisar, é possível registrar redução até 600%. Além do ganho ambiental, é importante ressaltar os ganhos sociais, como o desenvolvimento de capacitação de mão de obra, geração de empregos, e, até mesmo, as melhorias de saúde, como a melhora do ar nas grandes cidades”, destacou.

Em sua participação, o coordenador de Economia Verde na Secretaria de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação do Ministério da Economia, Gustavo Fontenele, reforçou como empresas dentro dos critérios de ESG podem ser vetores de captação de investimentos para a matriz energética. “O Brasil é uma potência ambiental. Se analisarmos bem, a nossa matriz energética renovável é um grande diferencial. Apesar disso, temos o desafio do desconhecimento da prática das finanças verdes. Com todo esse potencial, precisamos desenvolver essas iniciativas para viabilizarmos ainda mais as energias renováveis brasileiras”, ressalta.

Chefe do Departamento de Bens de Capital, Mobilidade e Defesa do BNDES, Ana Cristina Costa, destacou a grande repercussão da agenda ESG e como o banco está aberto para indústrias e empresas que queiram investir no biogás, seguindo o programa Novo Mercado de Gás, coordenador pelo Ministério de Minas e Energia. “Criamos o Convite para Manifestação de Interesse das Indústrias. Desta forma, o BNDES poderá acessar informações do planejamento feito pelas empresas sobre o mercado de gás natural com objetivo de analisar e elaborar propostas que contribuam ainda mais para o desenvolvimento do setor.” Mais informações em https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/onde-atuamos/infraestrutura/cooperacao_gas

Equity Research Analyst na Santander Asset Management Luzia Hirata apresentou o “outro lado da moeda”, com a visão as instituições financeiras para o momento o biogás no ESG e como as empresas brasileiras estão perante o mercado europeu. “Os critérios de ESG são uma oportunidade para uma movimentação em busca de uma economia mais verde. Nossos investidores estão observando o interesse das empresas e nesse momento de ampliação do debate. Nossas empresas estão evoluindo, mas ainda podemos melhorar o diálogo, a estruturação de bons projetos, a transparência e o grau de informação de toda a sua rede de relacionamento para passar o panorama completo para os investidores.”

Após a participação de Luzia, Kropsch sugeriu, como forma de incentivo ao setor, a criação de um fundo de projetos de biogás e biometano com apoio da ABiogás para avaliação técnica e econômica.

Finalizando o último Painel da manhã, o diretor de assuntos governamentais da Scania, Gustavo Bonini, falou como a indústria, sempre tão criticada pela questão ambiental, pode mudar de lado, passando de parte do problema para parte da solução. Ano passado, Scania e ZEG, empresa do Grupo Capitale Energia, dedicada exclusivamente à geração de energia renovável, viabilizaram o primeiro caminhão movido a biometano em operação no Brasil. “Nós da Scania optamos por ser parte da solução ambiental, buscamos transformar nossa expertise em algo positivo e dar a nossa resposta. Atualmente, as empresas não buscam parceiros que não entendam a sustentabilidade. Os consumidores já não buscam somente o produto sustentável, mas procuram saber se a cadeia de produção também é sustentável. O biogás tem esse poder, de transformar um passivo ambiental em um ativo energético.”

FONTE: DATAGRO.

Otavio Culler

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