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Os últimos momentos da missão Rosetta

Agência Espacial Europeia detalhou como foi encerrada a missão de 14 anos, que terminou em setembro com um segundo pouso sobre o cometa.

Em suas horas finais, a sonda espacial Rosetta capturou muitas imagens e dados inéditos do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, informou a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) nesta quinta-feira. A missão, responsável pelo pouso histórico do robô Philae no cometa, foi encerrada em 30 setembro com uma nova aterrisagem em 67P, desta vez da sonda Rosetta. O objetivo do segundo pouso era colher novos dados que ajudem os cientistas a decifrar a composição e formação dos cometas.

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“Foram registradas várias fotografias da fossa contígua (ao lugar do pouso), com incríveis detalhes das paredes estratificadas que podem ajudar a decifrar a história geológica do cometa”, explicou a ESA, em comunicado.

A agência revelou que a última imagem foi tomada a 20 metros antes do ponto de impacto. O aparelho se desviou a 33 metros do local programado para o impacto – uma fossa na região Ma’at, situada na cabeça de 67P – e, após o pouso, coletou pó, gás e plasma. A sonda também colheu dados sobre a temperatura perto do cometa, uma massa de gelo, pedra e pó de 10 bilhões de toneladas e 25 quilômetros cúbicos de volume.

“Os diferentes rastreamentos revelaram temperaturas entre 190 e 110 graus Celsius abaixo de zero poucos centímetros abaixo da superfície. É muito provável que esta variação se deva a sombras e à topografia local quando a Rosetta sobrevoava o cometa”, afirmou a ESA.

A última medição da emissão de vapor de água do cometa foi realizada em 27 de setembro. A ESA calculou que o cometa “estava emitindo o equivalente a duas colheres de água por segundo”, embora, em seu período mais ativo, em agosto de 2015, as estimativas chegaram ao equivalente “a duas banheiras de água por segundo”.

Perto da superfície – acrescentou a ESA – também foi detectado “um aumento” de grãos de pó “muito pequenos”, “possivelmente de um milionésimo de milímetro”.

No entanto, não foram encontradas provas óbvias de pequenas acumulações de gelo perto do ponto de aterrissagem, e foi constatada a emissão de dióxido de carbono do cometa, “inclusive a maiores distâncias do que quando o cometa se aproximava do Sol”.

“Durante as últimas medições do campo magnético interplanetário e do vento solar as condições eram estáveis, com valores de fundo ‘tranquilos’, que serão importantes para a calibragem” dos dados obtidos, concluiu a ESA.

Missão Rosetta

A sonda Rosetta realizou um longo percurso pelo sistema solar, que começou em 2 de março de 2004 e cobriu 6,4 bilhões de quilômetros até chegar ao cometa, em agosto de 2014. Em novembro de 2014, o módulo Philae aterrissou sobre a superfície gelada do cometa 67P, após separar-se da sonda mãe Rosetta. Philae, no entanto, está inerte desde julho de 2015, quando suas baterias se esgotaram e não puderam ser recarregadas. Durante o pouso, o módulo quicou na superfície do cometa, fazendo com que ele ficasse em um local acidentado e impedindo que ele direcionasse seus painéis solares de modo correto. O robô ficou com pouca exposição solar e, consequentemente, sem maneiras de se carregar.

Estudar cometas é importante porque eles são “sobras” bem preservadas da formação do sistema solar, há 4,5 bilhões de anos. O módulo Philae estudou a superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, buscando a água e o material orgânico presente nesse corpo celeste que, de acordo com algumas teorias, podem ter sido responsáveis por trazer a água ou até mesmo os componentes orgânicos necessários ao surgimento da vida para a Terra.

Agora, Rosetta e Philae acompanharão o cometa 67P para sempre, pondo fim a uma aventura sem precedentes na história da conquista espacial.

Fonte: Veja Online com AFP.

Otavio Culler

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