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Brasil e Inglaterra estreitam parceria científica

Brasil e Inglaterra estreitam parceria em prol do controle da lagarta do cartucho do milho

Cooperação entre a Embrapa e o Instituto Rothamsted inicia nova fase: serão identificados os genes do milho responsáveis pela defesa da planta com o objetivo de aumentar a sua resistência a essa praga.

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Brasília, 14 de setembro de 2015 – Identificar os genes do milho envolvidos na produção de sinais químicos (metabólitos secundários) durante o processo de defesa da planta é o principal objetivo da nova fase da pesquisa desenvolvida pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, em Brasília, em parceria com o Instituto de Pesquisa Rothamsted, do Reino Unido. A cooperação técnica entre as duas instituições já existe há mais de dez anos, sempre com foco na área de ecologia química, ciência que estuda as substâncias químicas envolvidas nas interações entre os organismos nos ecossistemas. O interesse específico está centrado na compreensão dos sinais químicos que os insetos e plantas utilizam na sua defesa, como os semioquímicos e feromônios. Esses compostos, muitos dos quais são voláteis, são transmitidos pelo vento e emitidos pelos insetos e plantas para vários fins.

            Os cientistas descobriram que a compreensão sobre a forma como os insetos e plantas utilizam esses sinais químicos para se comunicar permite que interfiram na comunicação entre eles, melhorando a defesa das plantas, monitorando e reduzindo a infestação nas lavouras agrícolas e.

            A primeira fase do projeto consistiu em prospectar variedades de milho do Banco de Germoplasma da Embrapa Milho e Sorgo, com diferentes características de suscetibilidade e resistência a lagarta do cartucho do milho (Spodoptera frugiperda), pior praga dessa cultura no Brasil. O objetivo era identificar variedades que produzissem metabólitos secundários voláteis com potencial para agirem como plantas sentinelas. Esta etapa foi conduzida pela pós-doutoranda Mirian Michereff, que selecionou três variedades. Estas variedades foram, então, submetidas aos voláteis de plantas induzidas por herbivoria e voláteis de plantas constitutivos. Deste experimento, foram selecionadas duas variedades que apresentaram a capacidade de “estado de alerta”. 

            A próxima etapa do trabalho será identificar os genes envolvidos na defesa da planta, particularmente aqueles que atuam antes da indução, na fase em que a planta está em alerta. Para isso, o bolsista de doutorado da Universidade de Brasília (UnB) na Embrapa, Pedro Schimnelpfeng, passará os próximos três meses nos laboratórios de Rothamsted Research, na cidade de Harpenden (Reino Unido).

            Paralelamente aos estudos de biologia molecular, serão iniciados em outubro os primeiros testes de campo junto com a Embrapa Milho e Sorgo. Esses testes serão conduzidos com as plantas sentinelas em três diferentes áreas da região do triângulo mineiro (Uberlândia), em Sete Lagoas e no Centro Oeste.

            “A nossa expectativa é encontrar variedades de milho com grande capacidade de produção de metabólitos secundários que estão envolvidos na defesa das plantas contra herbívoros e que possam atuar como plantas sentinelas”, explica a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Maria Carolina Blassioli Moraes. Para ser uma “boa” planta sentinela, ela deve responder (ativar sua resposta contra os herbívoros) de forma rápida e intensa. Não precisa ter necessariamente uma produtividade alta, mas deve se defender naturalmente de forma eficiente.

            A pesquisadora já esteve por quatro vezes em Rothamsted, sendo a última em 2011, quando deu continuidade às pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Semioquímicos da Embrapa.  Ela explica que o projeto vai beneficiar os pequenos produtores de milho no Brasil no monitoramento e controle de pragas, especialmente da lagarta conhecida como lagarta do cartucho.
            “O milho é um produto de extrema importância econômica para o País, com área cultivada superior a 12 milhões de hectares e essa lagarta é uma das piores pragas da cultura, capaz de causar redução na produção de grãos de até 70%”, explica.

Fernanda Diniz

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