Categories: Ciência e Tecnologia

Ciência: Reativação do acelerador de partículas

Reativação do acelerador de partículas pode dar início a nova era da ciência.

Grande Colisor de Hádrons, religado neste domingo, pode levar a descobertas sobre a origem da matéria negra, promovendo a maior revolução na física desde Einstein.

O Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) confirmou neste domingo o sucesso da operação que religou o maior e mais poderoso acelerador de partículas do mundo. Com uma potência duas vezes superior àquela que foi utilizada para descobrir o Bóson de Higgs, em 2012, os cientistas esperam desta vez criar condições para revelar a natureza da matéria negra. A descoberta marcaria uma nova era científica, pois permitiria à física a ir além dos modelos padrões que descrevem as forças da natureza e são seguidos atualmente.

Nesta manhã, um feixe de prótons percorreu em um sentido o anel de 27 km de diâmetro do acelerador, conhecido como LHC (Large Hadron Collider ou Grande Colisor de Hádrons). Pouco menos de duas horas depois, um segundo feixe fez o mesmo circuito na direção oposta, indicou o Cern em um comunicado.

“O LHC está em grande forma”, declarou Frédérick Bordry, diretor de aceleradores e tecnologia do Cern. “Mas o passo mais importante está diante de nós, quando empregaremos energia em níveis recordes”, acrescentou.

Isso deverá ocorrer entre o fim deste ano e início do próximo. Com a energia crescente, o objetivo dos cientistas é que cada feixe de prótons consiga circular a uma energia de 6,5 TeV (teraelectronvolts), o que produzirá colisões a uma energia de 13 TeV. É uma quantidade de energia jamais vista na ciência.

Revelando a matéria escura – A expectativa é que, quando o acelerador estiver em sua potência máxima, comecem a surgir os resultados que vão lançar luz sobre a composição da matéria negra, uma substância invisível e desconhecida. De acordo com as estimativas dos cientistas, há cinco vezes mais matéria negra no Universo que matéria comum, o que forma parte das coisas que podem ser vistas. A matéria negra não absorve, emite ou reflete luz. Nunca foi detectada diretamente e ninguém jamais identificou suas características.

O objetivo do Cern é que o acelerador produza choques que reproduzam os instantes que se seguiram ao Big Bang e, com tamanha energia gerada, possibilitaria capturar essa matéria.

Isso levaria os cientistas a ir além do modelo padrão que descreve as partículas e forças da natureza e que há 50 anos forma as bases da ciência. Um novo modelo físico chamado supersimetria prevê que cada partícula tenha um correspondente misterioso – que poderia ser a fonte da matéria escura. Se isso for comprovado, marcará uma revolução científica semelhante à causada pelas teorias da relatividade de Einstein, no início do século XX. Mostrará outras regras seguidas pela natureza.

Em Genebra, no fim do ano passado, o cientista David Charlton, da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, membro da equipe responsável pelo acelerador, afirmou que as descobertas dessa segunda fase podem marcar a física de maneira profunda. “Estamos chegando a um território inexplorado. Será uma nova era para a ciência.”

Grande colisor de partículas – O acelerador custou 8 bilhões de dólares e levou mais de 20 anos para ser projetado e construído. Hoje, o túnel de 27 quilômetros situado cerca de 30 andares abaixo da cidade de Genebra e parte do território da França é considerado um exemplo de cooperação internacional.

É a máquina mais potente que existe, com ímãs condutores que funcionam por pilhas, e sua energia armazenada equivale à de um porta-aviões viajando a 43 quilômetros por hora ou à de um avião Airbus 380 voando a 700 quilômetros por hora. Para funcionar requer estar a uma temperatura de 217 graus centígrados abaixo de zero, mais baixa que a do espaço, e que foi alcançada no final do ano passado.

Antes de ser desligado, em fevereiro de 2013, ele permitiu realizar um descoberta histórica: demonstrar empiricamente o Bóson de Higgs, uma partícula subatômica prevista há quase 50 anos. Descoberto em 2012, o bóson rendeu no ano seguinte o Prêmio Nobel de Física ao britânico Peter Higgs e ao belga François Englert. Trata-se de um elemento-chave da estrutura fundamental da matéria.

Fonte: Veja.com

Carolaine

Published by
Carolaine

Recent Posts

5 habilidades impressionantes dos cães que as pessoas nunca vão conseguir competir

Muito além da obediência: algumas capacidades dos cães continuam desafiando a ciência e explicam por…

14 horas ago

5 plantas para fazer quintais pequenos parecerem muito maiores e criar uma profundidade visual surpreendente

Com as plantas certas, até poucos metros quadrados podem ganhar camadas, altura e uma sensação…

15 horas ago

9 curiosidades sobre o corpo humano que acontecem diariamente sem que a maioria das pessoas perceba o que está ocorrendo

O corpo humano realiza milhares de ajustes silenciosos por dia para manter equilíbrio, proteção, energia…

17 horas ago

O que está por trás da queda dos grãos na bolsa de Chicago?

A safra americana de grãos avança em boas condições e aumenta a pressão sobre soja,…

1 dia ago

Minifrutas ganha espaço e abre nova oportunidade para produtores

O minikiwi lidera a tendência das minifrutas no Brasil, impulsionada por lares menores, praticidade no…

1 dia ago

Safra de Trigo do RS Deve Cair 36% e Acende Alerta no Setor

A safra de trigo do RS deve cair 36,4% em 2026 devido à redução de…

1 dia ago

This website uses cookies.