Categories: Animais e Pecuária

Como criar carpa-húngara

Desde o 2016, esta seção tem publicado em algumas edições as vantagens da criação comercial de carpas de origem chinesa. Muito conhecidas pelo uso ornamental em pequenos lagos e espelhos d’água, devido à beleza de suas cores, também são destinadas para o consumo, tornando-se ótimas fontes de renda especialmente para pequenos e médios piscicultores

Após a carpa-prateada (maio),  a cabeçuda (setembro) e a capim (dezembro), chegou a vez da húngara, que é uma variedade melhorada da carpa comum (Cyprinus carpio) desenvolvida desde a década de 1960 na Hungria, como o próprio nome indica. Técnicas de melhoria já produziram dezenas de variedades, mas as mais conhecidas aqui são a húngara e a espelho. Donas de um dorso mais alto, para maior rendimento de carcaça, diferem entre si nas escamas, que na espelho são falhadas e na húngara são grandes, uniformes e de coloração olivácea.

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Como seus pares, a carpa-húngara é pertencente à família Cyprinidae, rústica e tolerante a variações de temperatura, facilitando seu manejo. Reúne as principais características de uma criação com potencial rentável para o produtor. Tem crescimento rápido, com capacidade de alcançar de 800 gramas a até 1 quilo no primeiro ano de vida. O peso final do adulto pode atingir mais de 8 quilos.
 

“Água limpa é importante para assegurar a saúde da criação e ainda contriu para reduzir o característico ‘gosto de barro’ da carpa criada em viveiro natural ou escavado”

O hábito alimentar da carpa-húngara possibilita economia ao seu cultivo, pois a espécie gosta de comer zooplâncton e organismos bentônicos, como pequenos moluscos, larvas de inseto, minhocas e detritos. Por outro lado, a preferência do peixe pode restringir seu manejo a tanques-redes, já que em lagos e açudes a húngara tem mania de fuçar as paredes e o fundo.

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  • Ração corresponde a cerca de 70% dos custos da produção de peixes

Ao mesmo tempo, a carpa-húngara aceita bem comida artificial, ampliando as opções do cardápio. Além disso, rações industrializadas são necessárias para acelerar o desenvolvimento do peixe que vive em cativeiro. As refeições devem ocorrer várias vezes ao dia, porém, fornecidas em poucas quantidades, para evitar o excesso de matéria orgânica, o que possibilita a ocorrência de doenças.

A qualidade da água é outro fator importante para assegurar a saúde da criação. No caso de aproveitamentro de um lago ou açude existente na propriedade, a drenagem total da área alagada antes de iniciar a atividade é indicada, para se livrar de predadores naturais e entulhos.

Água limpa ainda contribui para reduzir o característico “gosto de barro” da carpa-húngara criada em viveiro natural ou escavado na terra. Outra dica para suavizar o sabor da carne do peixe é deixá-lo, por um período de três a sete dias, em depuração em tanques de alvenaria com água corrente.

Mãos à obra

>>> INÍCIO Se for necessário construir viveiros escavados, o projeto precisa ser aprovado pelo órgão ambiental. Para começar a atividade, avalie a demanda no mercado local. Adquira alevinos com, pelo menos, 6 centímetros de comprimento.

>>> AMBIENTE Aquático adequado favorece o crescimento rápido e saudável da carpa-húngara. Com frequência, faça manutenção e limpe os equipamentos utilizados na criação, mas sem usar produtos químicos. Embora a carpa tolere níveis baixos de teor de oxigênio dissolvido, é aconselhável ter bombas ou quedas d’água para não faltar o gás na água.

>>> SISTEMAS Os mais adotados são o extensivo, que permite realizar o policultivo com outras carpas, e o semi-intensivo, no qual a produtividade é melhor. O semi-intensivo, no entanto, exige investimento maior, já que necessita de capital de giro alto e uso de ração. A densidade pode variar de um peixe para cada 20 a 50 metros quadrados, no sistema extensivo, a até dois exemplares por metro quadrado, no semi-intensivo.

>>> VIVEIROS Escavados, com profundidade de 1 a 2 metros, devem possuir sistema de esgotamento da água com controle do fluxo, por meio de monge ou cachimbo fixado no fundo. Para o abastecimento, instale canaletas em posição que encha por gravidade, com renovação diária de 10% da capacidade de volume da água. No caso de reprodução natural, é necessário construir viveiros com, no mínimo, 300 metros quadrados. No sistema semi-intensivo, a engorda pode ser em tanques a partir de 200 metros quadrados.

>>> ÁGUA Pode ser de riachos ou nascentes próximos do local do manejo. Contudo, para executar a interceptação e o deslocamento do curso d’água, é preciso atender a exigências e ter autorização de órgãos ambientais. Faça avaliações periódicas da cor e transparência, além do oxigênio dissolvido, amônia total e amônia não ionizada. A temperatura ideal é na faixa de 24 ºC a 28 ºC e o pH próximo da neutralidade (7).

>>> ALIMENTAÇÃO Combinada entre pequenos insetos, invertebrados, plantas e ração comercial balanceada com 24% a 28% de proteína bruta, atende às necessidades nutricionais da criação em sistema semi-intensivo. A ração peletizada ou extrusada deve ser fornecida o ano inteiro, aumentando o volume na primavera e no outono.

>>> REPRODUÇÃO Natural nos viveiros, ocorre na primavera e os ovos são postos em plantas aquáticas. Após a eclosão, as larvas são levadas para os tanques de larvicultura. A reprodução também pode ser artificial, por meio da indução dos reprodutores com hormônios contidos na hipófise de peixes. O procedimento deve ser feito por profissionais com prática e em laboratórios especializados. As carpas-húngaras produzem de 100 mil a 200 mil óvulos para cada quilo da fêmea.

Raio X

Criação mínima: um milheiro

Custo: R$ 120 é o preço médio do milheiro de peixes com 6 centímetros

Retorno: a carpa-húngara pode atingir peso comercial no primeiro ano de vida

Reprodução: pode desovar naturalmente em lagos com ambiente apropriado ou pelo método de indução hormonal, realizado por profissional capacitado.
Fonte:RevistaGloboRural

gustavo henrique leite mota piesanti

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