Categories: Animais e Pecuária

5 perguntas sobre bovinos

POR JOÃO MATHIAS

1) Ingestão de samambaia: Há tratamento, remédio, ou alguma outra orientação para curar as vacas da minha criação de gado, que estão urinando sangue e morrendo a cada fim de inverno?
Sandra Paula de Alencar, de São José dos Pinhais (PR)

O aparecimento de sangue na urina de bovinos é um sintoma que indica a incidência de hematúria enzoótica, doença causada por ingestão prolongada de samambaia. A enfermidade não tem tratamento, mas pode-se preveni-la com realização de calagem da terra na área de pastagem da propriedade. Como a samambaia se desenvolve muito bem em terras ácidas, característica comum do solo do município paranaense de São José do Pinhais, a correção da acidez elimina o ambiente propício para a proliferação da planta tóxica para bovinos. O combate químico não é recomendado, pois a samambaia volta mais tarde a crescer no mesmo local. Solicite a visita de um profissional para dar orientações sobre a execução da calagem da terra na pastagem, onde existe a planta.

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CONSULTOR: ENRICO LIPPI ORTOLANI, professor do departamento de clínica médica da Faculdade de Medicina Veterinárias e Zootecnia (FMVZ) da Universidade de São Paulo (USP), tel. (11) 3091-7672, ortolani@usp.br

2) Casco rachado: Qual remédio devo usar para vaca com casco rachado?
Sandra Ramos, por email

Para cuidar de uma fissura de casco simples, é indicado realizar inicialmente o casqueamento corretivo, respeitando a linha branca e aparando os excessos. Em seguida, desinfete a área e, para aumentar a rigidez da parede do casco, coloque-o de 10 a 15 minutos completamente emergidos em uma solução de pedilúvio a 7% (em 100 litros de água, adicione 4 quilos de sulfato de cobre ou sulfato de zinco e 3 litros de formol). Após seca-lo, aplique um produto para casco a base de breu e alcatrão. Repita o procedimento uma vez por semana até melhorar. Em casos mais complicados, que podem envolver lesão da coroa do casco seguido de um processo infeccioso, os antibióticos de eleição são a tetraciclina ou tilosina e o anti-inflamatório, o meloxicam. No entanto, as dosagens e a duração do tratamento dependem da avaliação de um médico veterinário.

3) Bezerros trigêmeos: É normal uma vaca gerar trigêmeos?
Luciana Regina Santos, de Itamogi (MG)

Apesar de não ser comum, não se trata de anomalia a ocorrência de parto de mais de um bezerro por mãe, cuja fisiologia é que determina a gravidez de gêmeos – parto gemelar. Ao ano, estima-se que as reproduções múltiplas de bovinos mantenham-se entre 0,3% e 0,9% dos nascimentos. Em geral, bezerros gêmeos apresentam características diferentes por terem sido gerados a partir da fertilização de diversos ovócitos ovulados. Quando os animais são idênticos, a origem se deu da divisão do embrião da progenitora. Normalmente, os filhotes que nascem juntos apresentam pouco peso e, por isso, demandam mais atenção do criador.

CONSULTOR: RAUL MASCARENHAS, médico veterinário da Embrapa Pecuária Sudeste, Caixa Postal 339, CEP 13560-970, São Carlos, SP, tel. (16) 3411-5663, raul.mascarenhas@embrapa.br

4) Gado lesionado: Qual tratamento é indicado para uma doença parecida com uma esponja no aparelho reprodutor de bovinos, que fica inchado e vazando um líquido?
Olivan Ferreira Trindade, de Santa Terezinha (MT)

Algumas doenças causadas por nematoides ou por outros parasitas, por exemplo, são responsáveis por lesões em várias partes do corpo dos bovinos. Entre elas, podem ocorrer ao redor dos olhos, na papada, nos ombros, na parte ventral do abdômen, no testículo e no úbere. Normalmente, as lesões apresentam diferentes aspectos. Para identificação do problema e recomendação de tratamento adequado, é necessário que um médico veterinário faça uma avaliação do animal no local para obter o diagnóstico correto. Assim, com dados suficientes, o profissional poderá prescrever o controle para a enfermidade, tanto para recuperação do animal doente quanto para prevenção de novos casos no rebanho.

CONSULTORA: VANIA OLIVEIRA, pesquisadora da Embrapa Gado de Leite, Rua Eugênio do Nascimento, 610, Dom Bosco, CEP 36038-330, Juiz de Fora, MG, tel. (32) 3311-7400.

5) Papeira em bezerro: Gostaria de saber que remédio usar para combater a papeira em bezerros.
Ailton Maia, via Facebook

O aumento de volume na região do pescoço e na barbela dos bovinos pode ter diferentes origens. Por isso, é fundamental realizar um diagnóstico preciso para que o tratamento correto seja adotado. No caso de hiperplasia da tireoide, também conhecida como hipotireoidismo, bócio ou papeira, a causa é a deficiência de iodo. Os sinais costumam ser observados em animais recém-nascidos ou jovens, filhos de vacas submetidas a dietas carentes do elemento. Em nível grave, podem ocorrer fraqueza, alterações congênitas, como cegueira ou falta de pelo, e até natimortos. Recomenda-se suplementação de sal mineral balanceado nas refeições, principalmente em criações localizadas em regiões onde o solo é pobre em iodo, ou aplicação preventiva ou curativa de produtos comerciais à base de iodo. O edema de barbela, provocado na maior parte por verminose, tristeza parasitária ou ingestão de plantas tóxicas, é outra causa. Para tratar de verminose, indica-se aplicar, em épocas de início e meio da estação seca e início da das águas, vermífugos capazes de reduzir a carga parasitária dos animais, além de adotar práticas para quebrar o ciclo reprodutivo dos parasitos, como o manejo das pastagens. O controle da tristeza parasitária bovina, amarelão, ou piroplasmose geralmente segue protocolos de tratamento nos estágios iniciais da doença, e incluem a administração de produtos comerciais com efeito babesicida, anaplasmicida ou associação de ambos. Complexos vitamínicos, antitóxicos e hidratação, servem de apoio. Timbó (Ateleia glazioviana) e cipó-preto, cipó-ruão ou cipó-vermelho (Tetrapterys spp), são algumas das plantas tóxicas e, portanto, na existência delas, devem ser retirados os animais do local de pastejo.

CONSULTORA: VANESSA FELIPE, pesquisadora da Embrapa Gado de Corte, Av. Rádio Maia, 830, Zona Rural, CEP 79106-550, Campo Grande, MS, tel. (67) 3368-2000, http://www.embrapa.br/fale-conosco

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