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2015 deverá ser difícil para frigoríficos

Altos preços do boi gordo indicam 2015 difícil para frigoríficos.

A cotação elevada para o boi gordo e a procura interna estagnada por carne bovina estão alertando analistas do agronegócio de que 2015 será um ano difícil para processadores de carne bovina do país, com a possibilidade de que alguns matadouros possam ser fechados para reduzir a capacidade. Os frigoríficos vão enfrentar um desafiante 2015 por causa das dificuldades que enfrentam na transmissão de seus maiores custos operacionais para os consumidores no mercado interno, disse o analista Gabriel Lima, do Bradesco BBI, para o jornal Valor Econômico. Os preços do boi gordo são responsáveis por 80% dos custos de produção de um processador e, no segundo semestre deste ano, estes preços subiram mais de 20% no estado de São Paulo.

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Esse aumento de preços não foi transmitido na íntegra para os consumidores este ano, e assim as margens de processadores brasileiros como a JBS SA, Marfrig e Minerva foram espremidas. De acordo com Lima, a diferença (ou spread) entre o preço da carne bovina e o do boi gordo no Brasil é a menor em três anos para os processadores nacionais. Isso estava claro para as empresas em seus relatórios financeiros do terceiro trimestre. Para a JBS Mercosul (que inclui negócios de carne bovina da empresa na América do Sul), a margem Ebitda da divisão caiu de 11,6% no terceiro trimestre de 2013 para 8,6% no mesmo período deste ano. Na mesma comparação, a margem Ebitda da Minerva caiu de 10,9% para 9,8%.

A Marfrig foi capaz de aumentar a sua margem de 9% para 10,2% ano a ano, mas deu crédito a um longo processo de redução de custos e ao fechamento de algumas plantas. O encerramento das atividades de algumas plantas poderia ser uma forma de o setor “racionalizar” a sua capacidade instalada e descarte de alguns dos ativos da expansão iniciada pelo setor em 2012, disse Leandro Bovo, operador da mesa de futuros do BESI Brasil. Com plantas menos eficientes fechadas, haverá menos processadores lutando sobre a oferta de boi gordo limitado, disse ao Valor.

Mas reduzir a capacidade não é uma decisão fácil, e o primeiro frigorífico a fazer isto provavelmente vai ajudar os seus concorrentes no curto prazo. Os grandes processadores de carne bovina brasileira terão de confiar ainda mais na crescente demanda de exportação em 2015, que analistas acreditam que continuará a aumentar com a ajuda do crescimento da demanda de países da Ásia e do Oriente Médio, enquanto a disponibilidade de gado continuar limitada nos Estados Unidos e na Austrália.

Nesse cenário, a Minerva pode ser a melhor posicionada entre os processadores do Brasil para lucrar em 2015, uma vez que tem 65% de sua receita nas exportações, disse Lygia Pimentel, consultora da Agrifatto. Quanto à JBS, considerando apenas as suas operações de carne bovina no Brasil, o mercado interno tem mais peso, que poderia colocar ainda mais pressão sobre as margens da JBS Mercosul.

Fonte: Portal Beef World.

Equipe Agron

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