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Produção de pulses carece de cultivares e defensivos

Exemplos são leguminosas secas, entre as quais, feijão, ervilha, lentilha e grão-de-bico.

Para especialistas, a produção de pulses no Brasil enfrenta, como principais desafios, a falta de pesquisa em novas cultivares, o registro de novos defensivos e a abertura do mercado internacional. Exemplos de pulses são leguminosas secas, entre as quais, o feijão, ervilha, lentilha e o grão-de-bico.

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O assunto foi tema do 2º painel do seminário virtual “Oportunidades internacionais e desafios domésticos para o aumento da produção de pulses no Brasil”, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em comemoração ao Dia Mundial dos Pulses, nesta quarta-feira (10).

“Os pulses são culturas que contribuem como alternativa na safrinha para diversificação das culturas e trazem ganhos imensuráveis aos produtores, que vão da qualidade nutricional aos benefícios ao solo, sendo uma alternativa viável a rotações de culturas”, afirmou o coordenador de Produção Agrícola da CNA, Maciel Silva, que conduziu o debate.

Marcos da Rosa, vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) e produtor de gergelim em Canarana (MT), falou sobre a organização regional para o registro de novas cultivares e a importância do acesso a mercados.

“Os pulses podem trazer renda para o produtor, atrair novos empregos e tecnologias para a propriedade e favorecer o desenvolvimento da região. Porém, precisamos vencer esses gargalos”, afirmou.

Sobre o registro de defensivos para os pulses, a assessora técnica da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e coordenadora técnica do Comitê Minor Crops Brasil, Elisangeles Souza, explicou as estratégias para ampliação do suporte fitossanitário dos pulses.

Elisangeles afirmou que o comitê integra os setores para alinhar os interesses em busca de soluções, por meio de ações como alteração de atos normativos e processos de priorização de registro, ampliando o interesse das empresas na solicitação da extensão de uso de agroquímicos para as Culturas com Suporte Fitossanitário Insuficiente (CSFI), que incluem as pulses.

“Em relação à alteração de atos normativos, a proposta é que tenha um ato de alteração para que governo e iniciativa privada façam o aporte de estudos para embasar a inclusão de uma cultura em produtos já registrados, quando a indústria já verificou que não consegue implementar um estudo e solicitar a extensão de uso de um determinado ingrediente ativo”, disse.

Para novos registros, Elisangeles afirmou que o comitê, por meio da Embrapa e Ministério da Agricultura, está trabalhando uma metodologia para agilizar a implementação desses registros ao ampliar o interesse da empresa para incluir uma Cultura com Suporte Fitossanitário Insuficiente (CSFI) nos processos de registro.

Ainda sobre o suporte fitossanitário e o registro de cultivares para pulses, o diretor do Departamento de Sanidade Vegetal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, destacou que o registro de produtos biológicos e químicos para essas culturas teve um aumento, mas ainda está longe do necessário.

De acordo com dados do Ministério, em 2021, há 26 produtos formulados registrados para grão de bico e 19 para lentilha, dois importantes pulses produzidos no País.

Segundo Goulart, crescimento significativo desde a publicação da Instrução Normativa Conjunta nº 1/2014 do Mapa, Anvisa e Ibama que estabeleceu diretrizes para o registro de defensivos e limite máximo de resíduos permitidos para as culturas com suporte fitossanitário insuficiente.

“O Brasil é referência mundial na capacidade de registrar esses produtos. Temos trabalhado internamente para dar maior suporte fitossanitário sem deixar de verificar o que a legislação exige. Estamos ofertando produtos seguros e precisamos trabalhar o uso correto deles para que o produtor possa ter mais eficiência na produção”.

O diretor ressaltou que é necessário um trabalho conjunto entre as entidades públicas e privadas para viabilizar recursos voltados ao melhoramento genético desses cultivares, com intuito de atender a oferta e a demanda por pulses nos mercados interno e externo.

Em relação à estruturação das cadeias dos pulses, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) oferece formação profissional e assistência técnica e gerencial aos produtores rurais.

De acordo com Gabriel Zanuto Sakita, assessor técnico do Senar, a entidade disponibiliza conteúdo sobre pulses no portal https://cnabrasil.org.br/cna-pulses/?1 e está desenvolvendo material didático (coleção de cartilhas) sobre cada uma das culturas e cursos a distância sobre produção e comercialização de pulses.

FONTE: DATAGRO.

Cristina Crispa

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