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Produtores apostam em agrominerais

Produtores apostam em agrominerais para fortalecer as plantas e melhorar o solo.

Com potencial para beneficiar praticamente todas as culturas, os remineralizadores têm ganhado espaço nas lavouras.

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Dependente da importação de matérias-primas para a fabricação de fertilizantes, o Brasil vem buscando alternativas para suprir a carência em seu próprio subsolo. Em 2016, o Ministério da Agricultura publicou uma instrução normativa que regulamentou o registro, a comercialização e o uso dos chamados “remineralizadores” na agricultura.

Segundo a lei, o remineralizador é um material de origem mineral que sofre redução e classificação de tamanho por processos mecânicos. Ele altera os índices de fertilidade do solo pela adição de nutrientes para as plantas, além de promover a melhoria das propriedades físicas ou da atividade biológica do solo.

Por serem triturados, são conhecidos como “pó de rocha”, ou “rocha moída”. Os produtos da rochagem foram incluídos na categoria de insumos agrícolas em dezembro de 2013, a partir de uma lei depois regulamentada pela IN de 2016.

A Verde Agritech, empresa inglesa de capital aberto, vem explorando uma mina de glauconita em São Gotardo, na região do Triângulo Mineiro. Segundo o CEO Cristiano Veloso, o mineral é rico em potássio, além de outros elementos benéficos para plantas. “Temos sondado e calculado mais ou menos 3 bilhões de toneladas de minério. São 300 milhões de toneladas de potássio, 100 mil toneladas por ano. Fizemos dezenas de pesquisas com culturas diversas como soja, milho, cana, café e braquiária. Os resultados foram espetaculares”, diz. A Verde já investiu aproximadamente R$ 180 milhões em pesquisas e seu produto já está disponível no mercado.

A falta de estudos científicos é um dos problemas para empresas e produtores interessados nos remineralizadores. O pesquisador em agrogeologia da Embrapa Cerrados Eder Martins explica que, basicamente, o Brasil tem dois tipos de glauconita. O primeiro é arenoso e conhecido como “verdete”, devido a sua coloração. O verdete mostrou-se inviável quando pesquisas revelaram baixa disponibilidade de potássio em sua composição. O outro tipo é o siltito glauconítico, como o explorado pela Verde em Minas Gerais.

Eder coordena uma rede de mapeamento digital dos solos na Embrapa. Sua linha de pesquisa identificou dez minérios com capacidade remineralizadora. Neste mês, o grupo vai lançar um mapa de zoneamento agrogeológico do Brasil. Segundo o documento, 20% da superfície do território brasileiro contém agrominerais, como são chamadas as rochas com potencial para ser utilizadas na agricultura. Outro dado interessante é que essas rochas podem beneficiar 80% da agricultura intensiva do país. Na Região Sul, o número chega a 100%.

Os agrominerais têm potencial para beneficiar praticamente todas as culturas. Ainda assim, devido à falta de estudos, esses produtos não podem ser considerados substitutos dos fertilizantes tradicionais. “Há resistência por causa do paradigma da produção de fertilizantes, que diz que só é possível fazer manejo de solo com fonte solúvel. Existe uma escola agronômica que diz que só é possível fazer manejo da fertilidade do solo com fonte solúvel. É uma questão de visão científica”, afirma Eder.

O professor Paulo Pavinato, da área de fertilidade do solo e adubação da Esalq-USP, explica que a maioria desses produtos tem uma solubilidade muito lenta. Por isso, ele acredita que não são uma alternativa muito viável para a agricultura de larga escala. “O importante para as plantas é a disponibilidade do potássio no mineral. Particularmente, acho pouco viável porque a disponibilidade é baixa. Não vejo muito futuro a não ser que eles solubilizem esse potássio, que façam um tratamento”, diz.

“O agricultor de grande escala quer alta produtividade e facilidade na aplicação. Colocar na máquina e distribuir fácil. Esses produtos vêm em pó e você tem de usar um volume muito grande. Outro ponto importantíssimo é o transporte, que encarece para longas distâncias. Normalmente, a aplicação é viável num raio de até 50 quilômetros da mina. Aí valeria a pena”, afirma o professor, lembrando que os remineralizadores são utilizados na produção ecológica, na qual são aplicados há algum tempo.

Recentemente, produtores adeptos do modelo empresarial de produção vêm buscando alternativas para os insumos químicos utilizados nas plantações. Normalmente, aqueles que utilizam pó de rocha também buscam técnicas de manejo menos agressivas como, por exemplo, o controle biológico.

Membro do Grupo Agricultura Sustentável, que visa tirar os agricultores da dependência de “pacotes prontos, muitas vezes inadequados às condições tropicais e na maioria das vezes dispendiosos”, Giberto Yuki testou há alguns anos a aplicação do pó de rocha em alguns hectares de suas lavouras de soja e milho em Cristalina e Ipameri, em Goiás. Depois do experimento, passou a aplicar o produto em 20% da área de 1.200 hectares de suas propriedades.

“O resultado foi um saco e meio a mais por hectare. Economicamente não era viável, mas na média da área tive quase quatro sacas a mais. O custo saía um pouco mais caro que o adubo convencional. No primeiro ano, eu paguei a diferença”. Hoje, o pó de rocha tornou-se comum em toda a sua produção. “Retirei o fertilizante tradicional e fiz um misto de pó de rocha com adubo fosfatado”, afirma.

FONTE: REVISTA GLOBO RURAL. POR: VINICIUS GALERA.

Cristina Crispa

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