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Soja do PR e MS registra perdas por tempo seco

O intenso calor e chuvas em volumes aquém do ideal até o Natal deverão agravar a situação no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

A safra de soja no Paraná e em Mato Grosso do Sul, dois Estados que figuram entre os cinco maiores produtores da oleaginosa do Brasil, já registra perdas em algumas regiões que estão há vários dias sem chuvas, o que deve impactar a produção total do Brasil, de acordo com especialistas.

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Enquanto isso, as primeiras colheitas em Mato Grosso, em áreas irrigadas e plantadas precocemente, estão começando. O Estado, maior produtor brasileiro de soja, também registra falta de chuva ao sul, mas ali os problemas são menores do que em Mato Grosso do Sul e Paraná.

O intenso calor e chuvas em volumes aquém do ideal até o Natal deverão agravar a situação no Paraná e em Mato Grosso do Sul, antes de mais precipitações esperadas até o final do mês, que poderiam limitar um prejuízo maior.

“É difícil ainda saber o tamanho das perdas, está muito quente. A estiagem está tendo efeito nessas lavouras precoces (plantadas primeiro), essas lavouras estavam em enchimento de vagens e foram atingidas…”, disse o analista da AgRural Fernando Muraro, ponderando que, neste momento, é “impossível quantificar” a quebra.

O Paraná, segundo produtor nacional de soja, e Mato Grosso do Sul, o quinto, poderiam sofrer perdas de até 20 por cento, se as chuvas não voltarem em bons volumes, destacou o analista da Safras & Mercado Luiz Fernando Roque.

“Tem de estar de olho. Se não retornarem em volumes importantes, a perda pode chegar a até 20 por cento dos volumes desses Estados. Se a chuva voltar, (a perda) pode ser bem menor…”, acrescentou Roque.

Ele apontou que as chuvas no Paraná estão voltando, mas os maiores volumes estão previstos somente para a semana do Natal.

“É um fato para a gente ficar atento, isso pode mudar a cara desse panorama ótimo da safra brasileira”, destacou.

De acordo com dados meteorológicos do Agriculture Weather Dashboard, do Refinitiv Eikon, as chuvas serão praticamente diárias no Paraná e Mato Grosso do Sul até o final do ano, mas os maiores volumes só virão a partir do final desta semana.

O agrometeorologista da Rural Clima, Marco Antonio dos Santos, observou que as precipitações ocorridas nos últimos cinco dias nas principais regiões agrícolas do Brasil foram muito irregulares e de baixa intensidade.

Ele também chamou a atenção para algumas lavouras do Paraná e no Mato Grosso do Sul “que já estão há mais de 20 dias sem registros de chuvas”.

“E essa forte estiagem, associada a altíssimas temperaturas, tem ocasionado reduções significativas nos potenciais produtivos de diversas lavouras de soja”, afirmou ele, avaliando que, de forma geral, Paraná e Mato Grosso do Sul terão perdas de mais de 10 por cento em relação ao potencial.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou em boletim na semana passada, ainda sem considerar os efeitos da seca, que o Paraná poderia registrar um aumento de 2,4 por cento na produção estadual, para 19,7 milhões de toneladas, enquanto o Mato Grosso do Sul poderia ter uma colheita de pouco mais de 9 milhões de toneladas, uma queda anual de 4 por cento.

De forma conservadora, a safra brasileira 2018/19 foi estimada pela Conab em 120 milhões de toneladas, um novo recorde, mas com ligeiro crescimento de 0,7 por cento ante a temporada passada, apesar de um aumento de quase 2 por cento no plantio.

Analista do Departamento de Economia Rural (Deral), do governo do Paraná, Marcelo Garrido disse que há uma tendência de reavaliação para baixo da safra do Estado. O Deral espera divulgar esta semana novos números, que deverão apontar algumas perdas, afirmou ele.

“Já pegou alguma coisa, pelo que o pessoal tem falado de campo, acho que vai ter reflexo na safra… A situação não está muito boa na região oeste, só não sei dizer o quanto (vai ser reduzida)”, afirmou Garrido, acrescentando que houve relatos de “chuviscos” e “precipitações esparsas” nos últimos dias.

COLHEITA

Segundo Garrido, a colheita no Paraná deverá ser antecipada no Estado, pelo plantio precoce e também pela seca, que acelera o ciclo da planta. Mas ele acredita que somente em janeiro os produtores paranaenses estarão colhendo.

Já em Mato Grosso, produtores do médio-norte, próximos à BR-163, que utilizam pivô de irrigação, estão começando os trabalhos de colheita nesta semana, disse Muraro, da AgRural. Ele citou ainda trabalhos de colheita na região de Campo Novo do Parecis, a oeste do Estado.

“Colheita vai pegar fogo mesmo só na primeira semana de janeiro”, disse Muraro.

A Aprosoja-MT disse ter informação de que um produtor está colhendo em Nova Ubiratã, ao norte de Mato Grosso.

FONTE: REUTERS.

Cristina Crispa

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