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Tecnologia verde controla praga nas flores

POR CARLA ARANHA

ácaro-rajado é um dos maiores inimigos das flores e outras espécies de plantas, como o morangopêssegofeijão algodão. Para limitar os danos causados pela praga, os produtores muitas vezes precisam utilizar largamente vários tipos de acacaridas. “A aplicação constante do produto tem tornado as pragas mais resistentes. Alguns produtores de flores, por exemplo, têm obtido níveis de controle abaixo de 20%”, diz o Mário Eide Sato, pesquisador do Instituto Biológico, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

O Instituto Biológico realizou uma série de estudos junto a produtores de flores em Holambra Arujá para avaliar a resistência dos ácaros que mais comumente atacam as flores. A partir dessas análises, realizadas em laboratório, foi desenvolvida uma tecnologia para combater o ácaro que prejudica as plantas. Foram selecionados ácaros-predadores, como o Neoseiulus califormicus, e o Phytoseiulus macropolis, que atacam apenas o ácaro-rajado. Essas espécies se alimentam de ovos de outros ácaros, além de ácaros jovens.

Com a técnica, já foi possível diminuir em 70% a aplicação de acaricidas em gérberas e crisântemos, em produtores do Estado de São Paulo. No caso de rosas orquídeas, os resultados foram ainda mais promissores: a necessidade de utilização de produtos químicos para combater ácaros praticamente zerou, segundo o Instituto Biológico.

Mas não basta somente realizar a liberação dos ácaros-predadores em campo. É preciso fazer o momento correto para efetuar a operação. “Orientamos os produtores a liberar os predadores quando a infestação da praga está baixa, o que aumenta eficácia do controle biológico”, explica Sato.

As principais vantagens do método, segundo o Instituto Biológico, são o baixo impacto ambiental, a menor necessidade de aplicar produtos químicos e uma redução das horas de trabalho necessárias para o controle de pragas. Em geral, os trabalhadores rurais precisam passar por um treinamento para utilizar os acaricidas e, conforme o nível de infestação, pode ser necessário fazer três aplicações por dia em campo. “O controle biológico dos ácaros também propicia flores mais bonitas, que provocam mais impacto ao chegar ao mercado”, diz Sato.

Hoje, o Brasil possui cerca de 8 000 produtores de flores, que cultivam 3 000 variedades em aproxidamente 15 000 hectares totais de área. O setor gera 215 000 empregos. Em 2014, esse mercado movimentou cerca de R$ 5,7 bilhões.

gustavo henrique leite mota piesanti

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