Com a mudança de clima, produtor planeja melhor plantio

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Haverá pressão menor de chuva no Sul do Brasil, mas maior no Centro-Oeste. As variedades de sementes e período certo de plantio serão fundamentais dentro dessas condições climáticas.

A avaliação é de Marco Antonio dos Santos, consultor agrometeorologista da Somar Meteorologia: “O produtor terá de se planejar bem e colocar a cabeça para pensar”, diz ele. Isso porque haverá um retardamento na regra das chuvas. As áreas de plantio do Centro-Oeste praticamente ficarão sem chuvas em setembro e outubro. Santos diz que esses são os momentos para avaliar a capacidade de produção dos produtores.

É muito fácil atribuir a baixa produtividade ao clima, mas muitos dos problemas da redução de produção podem ser creditados a ações menos adequadas dos produtores. “É fácil produzir bem quando o clima ajuda”, diz ele. Mas, em condições como essa, é preciso planejamento e ações redobradas para evitar prejuízos. “Quando o clima é bom, os erros são mascarados”, acrescenta.

Uma chuva mais intensa em dezembro provoca uma temperatura mais baixa e excesso de umidade sobre a folha da planta. Esse é um bom ambiente para a ferrugem, uma das doenças que causam bilhões de prejuízos anualmente nas lavouras. As primeiras chuvas de setembro e de outubro não serão sinais de regularização do sistema neste ano, o que ocorrerá mais tarde.

Com o prolongamento do calendário das chuvas, o cuidado não deverá ser apenas com a soja, mas também o milho, safra que vem após a da oleaginosa. As dificuldades virão não apenas na hora da colheita da soja mas também na do plantio do milho. Isso porque há uma tendência de que as chuvas se estendam para abril e maio do próximo ano.

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Os problemas climáticos não vão afetar apenas Brasil mas também os outros produtores de grãos.

Nos Estados Unidos, se a La Niña persistir, o clima será rigoroso no inverno, retardando o plantio devido ao degelo tardio.

Argentinos e uruguaios devem sofrer os efeitos da redução das chuvas, o que sempre ocorre em anos de La Niña.

A cada nova estimativa de produção de milho de Mato Grosso que sai, os números vão apontando para quebras ainda maiores do que se previa.

Na avaliação desta semana, o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Aplicada) reduziu para 20,2 milhões de toneladas o volume a ser colhido na safra 2015/16.

Uma má notícia para as indústrias, uma vez que o volume a ser produzido neste ano já indica redução de 6 milhões de toneladas em relação aos da safra anterior. A oferta interna deverá ser ainda mais restrita, uma vez que Mato Grosso é o líder nacional em produção.

Os números mostram o quanto as condições climáticas adversas interferiram na produtividade deste ano.

Cálculos dos instituto preveem uma produção de apenas 79,4 sacas por hectare, bem abaixo das 109 da safra 2014/15.

Pelo menos 66% da safra 2015/16 já foi comercializada e 37% da área destinada ao produto foi colhida.

 

Fonte: Folha de S. Paulo


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