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Maior produção de carne pode até reduzir emissões

Modelo matemático indica que maior produção de carne pode até reduzir emissões.

Trabalho feito no Cerrado brasileiro e publicado na Escócia sugere que controle ambiental tem que ser constante para compensar efeitos da criação de gado.

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Uma pesquisa divulgada por pesquisadores do Brasil e da Escócia sugere o contrário do que vem sendo propagado há algum tempo sobre os efeitos da pecuária nas mudanças climáticas. De acordo com o estudo, não é uma produção menor, mas sim um aumento que pode inibir as emissões de gases de efeito estufa da criação de gado bovino.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas desenvolveram um modelo matemático para avaliar os impactos ambientais da variação do consumo de carne bovina na pecuária praticada no Cerrado brasileiro. O trabalho, publicado pela revista Nature Climate Change e teve a participação de pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Escola de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Faculdade Rural da Escócia e Universidade de Edimburgo, também na Escócia.

“O aumento da demanda e políticas efetivas de controle do desmatamento servem como estímulo à intensificação das áreas de pastagens. Se a intensificação se der por recuperação de pastagens degradadas, ocorre aumento significativo dos estoques de carbono no solo, o que, segundo o estudo, seria suficiente para contrabalancear o aumento das emissões dos animais”, diz um comunicado da Embrapa sobre o trabalho.

O pesquisador Luís Gustavo Barioni, um dos integrantes da equipe, explica que odesenvolvimento do modelo que mostra essa compensação considerou as emissões de gases de efeito estufa em todas as etapas da produção. Isso inclui também aspectos ligados aos insumos e o transporte. O método envolve ainda a demanda por carne bovina, as variações de produção no Cerrado brasileiro e dados sobre desmatamento.

De acordo com o divulgado pela Embrapa, com todas as variáveis ponderadas no cálculo, os resultados foram desde uma situação sem nenhum impacto até uma considerada com alto nível de efeito. No cenário mais favorável, a maior demanda associada a técnicas de recuperação de pastagens resultou em uma diminuição de emissões de gases de efeito estufa.

Ainda conforme a Embrapa, os resultados mostrados pelo modelo matemático apontam que o controle do desmatamento nas regiões de pecuária é o ponto fundamental. Se houver um aumento do desmate, acompanhando o ritmo da demanda por carne, crescerão as emissões. De outro lado, se a questão ambiental for observada, mesmo com maior exigência de produção, as emissões serão menores.

“Se a demanda por carne aumenta, mas a taxa de desmatamento é mantida constante, os produtores vão precisar intensificar, ou seja, serão incentivados a recuperar pastagens degradadas e isso faz com que se tenha mais sequestro de carbono no solo”, explica o matemático Rafael de Oliveira Silva, da Universidade de Edimburgo, de acordo com o publicado pela Embrapa.

Fonte: Globo Rural.

Romulo

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