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Velhas e novas pragas mobilizam o setor

Da ferrugem asiática à “prima” da lagarta Helicoverpa armigera , novas doenças viram motivo de alerta no campo.

O agricultor terá que enfrentar velhas e novas adversárias das lavouras no andamento da safra 2015/16. Doenças há muito tempo conhecidas no campo, como a ferrugem asiática, voltam a se tornar ameaça preocupante nesta temporada, favorecidas pela maior umidade prometida pelo El Niño. Ao mesmo tempo, pesquisadores confirmam a presença de três novas pragas até então inéditas no país, e ainda sem mecanismos de controle. Em um quadro de custos no limite, o manejo é prioridade para definir a rentabilidade da produção.

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O cenário mobiliza a cadeia produtiva. Em atuação conjunta, quatro entidades ligadas ao setor (Adapar, Embrapa Soja, Faep e Ocepar) percorreram o Paraná promovendo um ciclo de palestras sobre o manejo da ferrugem. A preocupação principal se concentra na perda de eficiência dos fungicidas utilizados no controle da doença, detalha a pesquisadora da Embrapa Soja, Cláudia Godoy. Ela alerta que sem o uso racional dos químicos, o controle pode se tornar ineficiente em dois anos.

A especialista indica que neste ano o quadro é mais preocupante. O Consórcio Antiferrugem, que reúne entidades públicas e privadas para monitorar a doença, já detectou 17 focos do fungo Phakopsora pachyrhizi em plantas de soja guaxa, que nasceram involuntariamente no período de vazio sanitário. “O clima favorece a manifestação da doença. Na última vez em que ocorreu El Niño, na safra 2009/10, foi também o ano com mais focos detectados pelo consórcio”, pontua. A infestação está concentrada no Rio Grande do Sul, mas já existem registros pontuais no Paraná, Mato Grosso, Santa Catarina e Tocantins.

Novos vilões

Paralelamente, as entidades de pesquisa também monitoram a entrada de novas pragas. Dois insetos e uma erva daninha resistente a herbicidas foram identificados neste ano, em diferentes regiões do país. A mosca-da-haste da soja (Melanagromyza sp), vista no Rio Grande do Sul, pode gerar perdas de até 30% na produtividade da oleaginosa, repetindo estragos registrados na Austrália, Argentina e Paraguai.

Do Ceará vem a preocupação com uma parente da lagarta Helicoverpa armigera. A Helicoverpa punctigera pode reduzir a produção em até 16 sacas por hectare de soja, 54 sacas no milho e até 76 sacas no algodão.

Já em Mato Grosso a preocupação é a o Amaranthus palmeri, planta daninha presente há anos nos Estados Unidos. Estima-se que uma elevada população da invasora possa gerar que na produtividade de 91% para o milho, 79% na oleaginosa e 77% no algodão.

A identificação das novas pragas não significa que haverá dano generalizado no curto prazo, mas é preciso ficar alerta, aponta a bióloga e diretora da consultoria Agropec, Regina Sugayama. “Ainda não existe nenhum produto disponível que permita o controle”, indica. Assim, o ideal é criar estratégias que eliminem o problema definitivamente. “Essas pragas ainda estão em processo inicial de colonização. Existe um risco de dispersão, mas com a identificação precoce ainda dá tempo de se criar um programa de erradicação”, detalha.

Fonte: Gazeta do Povo (AgroGP). Autor: Igor Castanho.

Equipe Agron

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