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Produção de tabaco já caiu 12% no Rio Grande do Sul

Aumento das restrições ao consumo reduz demanda e derruba preços.

O cultivo de tabaco já foi uma das atividades econômicas mais importantes do sul do Brasil. Cerca de 153 mil famílias de pequenos agricultores dependem da renda do cultivo para o próprio sustento. Mas a demanda externa e doméstica continua a cair. A solução proposta pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) é que os produtores reduzam a área plantada para que exista um equilíbrio entre oferta e demanda.

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Mauro Flores, presidente da Comissão de Fumo da entidade, boa parte dos fumicultores conseguiram atender a recomendação. A área plantada nos três estados do Sul do país reduziu de 326 mil hectares para 290 mil hectares – uma queda de 12%.

A principal queixa dos agricultores é de que as áreas já são muito pequenas para que façam a redução do cultivo de tabaco e substituam com outra cultura rentável. Para Flores, no entanto, o ideal é que a diminuição não seja muito significativa por propriedade e que a substituição seja por alimentos para consumo próprio.

“Há muitas coisas que se pode plantar, como batata-doce ou aipim. Por exemplo, se todos os produtores de três hectares reduzirem 12%, baixam para 2,9 hectares. Não é muita coisa. O que devemos evitar é o excesso de oferta, que provoca rigor na classificação e preços mais baixo,” explica Flores.

A falta de opções de cultivos rentáveis é o lamento do agricultor Paulo Renato Xavier, de Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, o principal município produtor de fumo do país. Ele possui quatro hectares de produção da variedade Virgína de tabaco, cria suínos e no verão planta milho para silagem. Chegou a perder R$ 30 mil na safra passada e teme classificação baixa na temporada atual com o excesso de chuvas registrado na região em junho deste ano.

“Não temos como diminuir a área. A (minha) terra é muito pequena e não temos como saber se os outros produtores reduzirão também,” conta o agricultor de 48 anos, que repete a mesma área todos os anos.

Outra preocupação de Xavier é o crescimento exponencial de custos. Segundo o produtor, a contratação de peões na colheita ficou inviável porque o custo da diária chegou a três dígitos e há mais fiscalização do Ministério do Trabalho, que multa os agricultores que fazem contratação informal de trabalhadores. Além disso, revela que os custos com insumos como fertilizantes e lenha dispararam. De acordo com dados da Farsul, a inflação de fertilizantes para tabaco está entre 22% a 30%.

Concorrência africana

Na avaliação do presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco, Iro Schünke, a demanda pelo tabaco brasileiro continuará existindo, “mas precisamos ajustar a produção ao mercado, com um custo com o qual seja possível manter o produto brasileiro competitivo no mercado internacional”.

Schünke observa que, no cenário mundial, a disputa é acirrada, por conta da concorrência com os países africanos, que têm um custo de produção menor. Segundo ele, questões burocráticas e logísticas, bem como os crescentes custos com mão de obra, energia e insumos, contribuem para reduzir a competitividade do produto brasileiro.

Ele destaca que o tabaco continurá sendo parte importante da balança comercial brasileira e gaúcha, assim como na geração de renda e empregos para centenas de municípios.

Fonte: Globo Rural. Por: Luis Henrique Vieira.

Equipe Agron

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