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Bicudo ameaça algodoais de Mato Grosso

Um besouro de aparência inofensiva iniciou sua jornada de invasão aos algodoais do Brasil em meados da década de 1980, dizimando lavouras de algodoeiro nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste, numa época em que o Mato Grosso não sonhava ser o maior produtor de algodão do País. Agora, este inseto ameaça as lavouras de algodoeiro de Mato Grosso e de outros estados brasileiros no Cerrado. Trata-se do bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis), uma praga hoje presente em todas as regiões produtoras de algodão de Mato Grosso.

 

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A boa notícia é que existem formas de combatê-lo, mas para isso não basta um agricultor manejar bem o bicudo em sua fazenda. É preciso que todos os  produtores se engajem no combate à praga seguindo as recomendações técnicas de manejo dos pesquisadores do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt).

 

Segundo os especialistas, todas as medidas de combate são importantes, entre elas, a destruição imediata da soqueira,  de forma  mecânica ou química,  no máximo após sete dias do início da colheita. “Quando a gente fala em destruição de soqueira, não está se referindo apenas à eliminação do bicudo, mas também de lagartas-praga e de vetores de doenças”, explica o assessor técnico regional Renato Tachinardi. “Se fizermos uma destruição de soqueira eficiente, teremos menos pressão de bicudos e de outras pragas na próxima safra”, alerta.

 

Tachinardi também chama atenção para a importância de serem destruídas as plantas tigueras de algodoeiro nas áreas cultivadas ou às margens de rodovias e carreadores, provenientes do derramamento de algodão em caroço pelo transporte inadequado. Ele lembrou que esta medida tem sido realizada sistematicamente pelo IMAmt a cada safra.

 

Outro cuidado fundamental, advertem os pesquisadores, é cumprir e respeitar o vazio sanitário, período de 15 de setembro a 30 de novembro no qual não é permitido o cultivo de algodoeiro em Mato Grosso (Instrução Normativa Conjunta Seder/Indea-MT 001/2007).

 

?Em casos de alto nível de infestação, o bicudo pode inviabilizar a cotonicultura em uma determinada região, já que inúmeras aplicações (sequenciais) de inseticidas serão necessárias para manter a população elevada da praga a um nível incapaz de causar perdas econômicas à cultura, o que aumenta consideravelmente o custo de produção”, afirma o entomologista Miguel Soria.  Segundo ele, somente através das boas práticas de manejo é possível conviver com a praga, o que inclui, principalmente, ações de controle cultural, como a destruição eficiente de soqueira, respeito ao vazio sanitário e eliminação de plantas involuntárias de algodoeiro em carreadores e lavouras de soja e milho.

 

“A redução da população da praga em uma região somente será eficiente se o combate for realizado em nível regional (por todos os produtores), já que o inseto tem a possibilidade de se dispersar de lavouras onde é mal manejado, para algodoais não infestados ou com baixa infestação, e para matas e capões (refúgios da praga) ao final da safra, aumentando a população e a problemática da praga safra após safra”, alerta Soria.

 

Fonte: Associação Sul-Matogrossense dos Produtores de Algodão – Ampasul. Autor: Juliano Pinel.

Equipe Agron

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