Começa no Mato Grosso a colheita da safrinha de milho

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A colheita do milho segunda safra teve início, neste mês, em Mato Grosso. Cerca de 2% de uma área cultivada de 3 milhões de hectares (ha) estão colhidos. O ritmo recém-iniciado já supera o mesmo período do ano passado, quando no começo de junho menos de 1% da área havia recebido as colheitadeiras. A expectativa é de que os trabalhos sejam finalizados até a última semana de agosto.

 

Conforme dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a área de segunda safra semeada com o milho recuou menos do que o esperado e em maio, o órgão revisou as estimativas para cima. A safrinha 2014/15 teve ganho espacial de 35 mil hectares, todos localizados ao oeste e nordeste de Mato Grosso.

 

A expansão apurada se deu em virtude da continuidade de semeadura de algumas áreas fora da janela ideal de plantio, ou seja, para além de fevereiro, mês limite para o bom desenvolvimento das plantas. A aposta no cereal foi motivada pela reação das cotações bem como pela continuidade do período chuvoso. Com isso, a nova área de milho do Estado foi alterada para 3 milhões de hectares, representando uma queda de 18,8% ou 695 mil hectares em relação à safra 2012/13. Até março, o Imea projetava área plantada de 2,97 milhões/ha. “Com as novas áreas estimadas para o milho, apesar de o Estado apresentar recuo em relação à 2012/13, as regiões oeste e nordeste do Estado apresentam ganho de área em relação à temporada anterior”.

 

E foram justamente essas duas regiões que acreditaram na cultura e ampliaram a superfície – na contramão do registrado no Estado – e o clima ajudou o desenvolvimento, com chuvas atípicas para esta época. A região oeste é a mais adiantada na colheita, quase 4% da área de 392 mil/ha estão colhidos. Apenas a região nordeste não havia dado a largada.

 

Mesmo com a expansão de área registrada entre as estimativas até março e o realizado no Estado, a segunda safra não será recorde como a do ano passado. Conforme o Imea – bem como números divulgados nessa semana pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)- a expectativa de produção nesta safrinha do cereal é de 15,38 milhões de toneladas (t), representando um recuo de 31,7% ou 7,16 milhões t em relação aos 22,54 milhões produzidos na safra passada.

 

Essa pequena alteração nas projeções do cereal, também realizada pela Conab, neste mês, contribuiu para o saldo agrícola do Estado, que segue mais do que nunca como o maior produtor nacional de grãos e fibras, com 47 milhões t, 2,5% mais que o volume da última safra. O milho, que em maio foi avaliado em 15,70 milhões t pela Conab, passou a 16,41 milhões t. Mesmo assim, apresenta queda de 15,2% sobre a produção da safra passada em 19,35 milhões t.

 

VENDAS – Ainda conforme aponta o Imea, a comercialização do cereal atingiu até final de maio 25,6% da produção estimada, percentual que correspondente a 3,95 milhões t. Na comparação anual, as vendas estão cerca de 3,1 pontos percentuais (p.p.) menores, já que o montante negociado representava 28,70%, de uma safra de mais de 22 milhões t.

 

As vendas vão sendo cadenciadas pelas notícias vindas dos Estados Unidos, que está em pleno plantio e é o maior produtor mundial, e da movimentação dos preços da saca. “O preço médio praticado no Estado durante maio foi de R$ 15,07 a saca, cifras que apesar de inferiores ao do mês anterior, eleva o preço ponderado da comercialização para R$ 14,82/sc. O avanço das negociações durante maio foi de apenas 4,6 p.p. no comparativo com abril, a menor evolução mensal desta safra até então. Apesar de a diferença percentual com a comercialização do mesmo período do ano anterior ser de apenas -3,1 p.p., em valores absolutos o volume negociado até o momento é inferior em 2,5 milhões de toneladas. Desta maneira, faltando ainda quase 75% a ser vendido, os produtores mato-grossenses devem ficar atentos aos preços, que podem apresentar recuos devido à entrada da nova safra, e a queda do preço nos mercados nacionais e internacionais”.

 

SEMEADURA EUA – No relatório divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a semeadura do milho da safra 2014/15 entra em reta final, Até o dia 1º de junho em 95% da área, 5 p.p. à frente da safra anterior e com evolução semanal de 7%. Dos 35,2 milhões/ha que foram semeados até então, 80% já estão emergidos. A condição das lavouras apresenta-se, em sua maioria, de bom a excelente estado, totalizando 76% do milho nestas condições, 13 p.p. a mais do que no mesmo período do ano anterior.

 

“Diante da boa evolução da semeadura e do desenvolvimento do cereal nos Estados Unidos, o mercado tem sofrido pressões de baixa, perdendo importantes suporte em Chicago – Bolsa onde os preços são formados e que balizam todo o cereal comercializado no mundo – podendo impactar diretamente no preço em Mato Grosso. Isto pode ocorrer visto que o Estado é importante exportador, fazendo com que os preços oferecidos aos produtores sejam calculados através das cotações em Chicago”, alertam os analistas do Imea.

 

Fonte: Diário de Cuiabá.


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