Quem nunca ouviu que a cada dia torna-se mais difícil encontrar pessoas dispostas a trabalhar no meio rural? Muitos dos pecuaristas remanescentes de gerações anteriores, frequentemente, relatam o quanto era mais fácil, no passado, contratar pessoas para trabalhar em suas fazendas. Por outro lado, comumente são veiculadas notícias sobre desemprego nas cidades brasileiras.
É fato que algumas coisas têm mudado com o decorrer dos anos. Os índices de analfabetismo vêm diminuindo, as tecnologias se tornando, a cada dia, mais disponíveis às classes mais humildes, os automóveis adquiridos mais facilmente e melhores estradas “encurtam” as distâncias entre as fazendas e as cidades, além de outras tantas mudanças culturais ocorridas nos últimos tempos.
No entanto, será que somente essas diferenças explicam o grande paradoxo existente entre tantas pessoas procurando emprego ao mesmo tempo em que uma quantidade cada vez maior de produtores queixando-se da dificuldade em conseguir mão de obra qualificada para trabalhar e morar em suas propriedades?
Qual é, na verdade, a raiz do problema? São as pessoas que não querem mais trabalhar nas fazendas ou as fazendas que não estão se adaptando às demandas e anseios dessa nova geração de trabalhadores?
Aceitar que as mudanças culturais, tecnológicas e governamentais são as principais responsáveis pela dificuldade em conseguir manter as pessoas engajadas nas fazendas pode trazer uma situação de conforto temporário, eximindo os produtores da sua parcela de culpa no processo. No entanto, talvez essas não sejam as reais causas dos problemas enfrentados.
Como, então, inverter esse processo e voltar a gerar motivação nas pessoas que trabalham nas fazendas? Para o melhor entendimento dos processos de motivação, torna-se necessária a diferenciação entre motivação extrínseca e motivação intrínseca.
Não raro, se ouvem perguntas do tipo: “Tem como motivar equipes sem remunerar por desempenho?” ou “Bonificação e premiação motivam as pessoas?”. Em todos esses casos, as perguntas remetem à motivação extrínseca. Ou seja, aquela que vem de fora para dentro, que leva as pessoas a fazerem determinadas tarefas em função daquilo que receberão em troca. A moeda da troca é chamada de reforço. Os reforços podem ser positivos, como no exemplo da bonificação por desempenho, ou negativos, como acontece em uma punição ou advertência.
Por outro lado, a motivação intrínseca é aquela que vem de dentro para fora, que faz com que as pessoas façam o que devem porque querem e não porque alguém pagará a mais por isso. É o que acontece quando, por exemplo, chegamos a uma fazenda, numa sexta feira à noite, por volta de 18:00, e encontramos um vaqueiro procurando a vaca que faltou durante a contagem do dia no pasto.
Quem poderia provar que ele não tinha visto aquela vaca naquele dia? O que o levou a fazer isso? Este é, sem dúvidas, um exemplo de manifestação da motivação que vem de dentro para fora, a motivação intrínseca.
Fica evidente que indivíduos extrinsecamente motivados tenderão a escolher para si tarefas fáceis, já que este tipo de tarefa aumentará sua probabilidade de receber recompensas rápidas. Além disso, quando condicionamos as pessoas a trabalharem somente em troca de algum reforço (recompensa), observamos sua dificuldade em trazer novas ideias, ajudar o grupo e, por consequência, auxiliar na motivação e engajamento do grupo como um todo.
De acordo com Condry (1977) e Condry e Chambers (1978), “quando não existe a recompensa externa, a decisão de terminar ou fazer bem feita determinada tarefa baseia-se nas necessidades psicológicas (engajamento, motivação) das pessoas envolvidas. Por outro lado, quando as pessoas estão condicionadas a receber recompensas, o engajamento termina quando o resultado imediato é alcançado”. Dessa forma, a necessidade de recompensa aumenta gradativamente conforme cresce a complexidade e dificuldade das tarefas executadas, passando a fazer parte do compromisso.
Como motivar intrinsecamente as equipes nas fazendas?
Acredita-se que as pessoas possuem algumas necessidades a serem atendidas em busca desse tipo de motivação:
a) Necessidade de causalidade pessoal – as pessoas gostam de realizar as tarefas porque querem e não porque alguém mandou. Dessa forma, dividir com a equipe a chance de planejar suas tarefas, permitindo-lhes opinar na forma como devem ser executadas, pode ajudar a atender tal necessidade;
b) Necessidade de curiosidade – tudo aquilo que é novidade gera curiosidade. Assim, as pessoas tendem a engajar-se mais na busca de domínio de tais “novidades”. Fazendas que se preocupam em gerar novidades como participação em congressos, cursos, torneios, feiras, etc. tendem a atender melhor a necessidade de curiosidade de sua equipe;
c) Necessidade de efetividade pessoal – as pessoas gostam de terminar aquilo que começaram e esperam um retorno sobre suas atividades. Muitas vezes encontramos realidades onde as pessoas são levadas a iniciar várias tarefas dentro das fazendas sem que tenham tempo e foco para terminá-las. Assim, desmotivam-se por não terem atendido sua necessidade de efetividade pessoal.
A partir do atendimento das necessidades acima citadas, o primeiro passo já estará concreto no sentido de “preparar o solo” para plantar motivação nos colaboradores.
Fonte: Rehagro.
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