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Produtores de carne e não de gado

Por questões culturais e históricas, o pecuarista sempre se viu como um cliente do frigorífico, oferecendo-lhe como produto final o boi. No entanto, com a evolução do mundo, do consumo e do conceito de cadeia produtiva, o pecuarista é cada vez mais parte fundamental desse processo, porém, como fornecedor da matéria-prima e como produtor de carne.

 

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“Esse é um assunto de extrema importância, pois nós, pecuaristas, somos produtores de carne e não vendedores de boi para o frigorífico. Nossa meta final é o consumidor, para quem temos que produzir carne macia e de qualidade”, afirma Arnaldo Eijsink, diretor do Grupo JD, empresa que investe em pecuária no estado de Mato Grosso e na produção de uvas de mesa na Bahia e em Pernambuco.

 

O Grupo JD é parceiro há anos da Beckhauser no desenvolvimento de equipamentos de manejo que atendam às exigências de bem-estar animal e qualidade da carne. As quatro unidades das fazendas São Marcelo, em Mato Grosso, compõem a divisão do Grupo responsável pelas atividades pecuárias no Brasil. A forma como as fazendas são geridas representa esse pecuarista que se posiciona como produtor de carne.

 

A Fazenda São Marcelo foi a primeira fazenda de pecuária do mundo a conquistar a certificação Rainforest Alliance e também a primeira fazenda do Brasil a conquistar a certificação de Bem Estar Animal (Certified Humane), concedida pela Ecocert Brasil.

 

Além de atestar que a produção ecológica e socialmente correta com menor impacto à biodiversidade e respeito às leis trabalhistas, para obter a certificação é necessário buscar evolução para o aumento de produtividade e rentabilidade da porteira para dentro, o que é medido em carnes por m², hectare ou alqueire.

 

“Isso reforça que somos produtores de carne e que é preciso focar em eficiência e produzir mais carne por m², respeitando o bem-estar dos animais e dos colaboradores, investindo em equipamentos de manejo que agilizem o trabalho, otimizem a mão de obra e minimizem as perdas por hematomas, sempre com o foco de produzir carne pensando no consumidor final”, ressalta Eijsink.

 

Segundo ele, a busca pela qualidade da carne se dá também com o uso de tecnologias, como pasto rotacionado que resulta em melhor aproveitamento do nível de proteína com o gado se alimentando de capim de ponta, reduzindo o tempo de engorda e aumentando a produção de carne por hectare. “Colocar-se no lugar do consumidor e perguntar que tipo de carne quero comer na minha mesa ajuda a corrigir vários pontos no campo que resultem em uma carne mais macia, mais nobre e sem hematomas.

 

É preciso estar com um olho no peixe e outro no gato, sempre mantendo o foco no cliente final que é o consumidor”, acredita o pecuarista. “Arnaldo tem se mostrado visionário em se tratando de administração de empresa que produz alimento. Consegue certificações que garantem um maior valor agregado à materia-prima, o que se torna um dos diferenciais no resultado financeiro das empresas que dirige”, acredita o medico veterinário Renato dos Santos, responsável pela área de Manejo Racional da Beckhauser.

 

Para reforçar a importância de realizar o trabalho com foco no consumidor e o crescente valor dado por quem consome a qualidade e origem dos alimentos, Renato cita a pesquisa “Consumo consciente como determinante da sustentabilidade empresarial. Respeitar os animais pode ser um bom negócio?”, encabeçada pelo pesquisador Celso Funcia Lemme D.Sc. em Administração pelo Instituto COPPEAD de Administração (U.F.R.J.), que envolveu os diferentes olhares dos envolvidos na cadeia produtiva da carne: produtores, consumidores, gestores, investidores. Segundo o veterinário, o item “Segurança Alimentar” aparece como primordial preocupação para o consumidor, o que transfere para o produtor a necessidade de dar esta garantia.

 

“Produzir carne sadia, com as qualidades organolépticas inerentes a ela envolve a mudança de visão por parte do pecuarista. O produtor terá que sair da criação animal para se ver como produtor de carne que proporciona VIDA com um alimento de qualidade”, afirma Renato. Para ele, o produtor deve assumir a responsabilidade de entregar para a indústria processadora uma matéria-prima que atenda às exigências de um mercado cada vez melhor informado, disposto a pagar pela qualidade e segurança desejada.

 

Fonte: Portal A Pasto.

Equipe Agron

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