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Mais espaço para a carne brasileira

As expectativas para o setor da carne bovina em 2014 são de crescimento, especialmente com a abertura de novos mercados internacionais. Atualmente, 20% da produção brasileira são exportados para outros países e o restante é destinado ao mercado interno. Neste ano, temos a Copa do Mundo no Brasil, o que provavelmente vai gerar uma maior demanda por carne, que deverá permanecer crescente.

 

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A pergunta é: será que a oferta vai acompanhar a demanda na mesma proporção? A demanda mundial por carne bovina permanece aqueci da e o Brasil deverá estar preparado frente aos seus concorrentes para atendê-Ia. Os Estados Unidos são o maior produtor de carne bovina do mundo, mas, diante de alguns fatores negativos, vêm tendo seu rebanho reduzido.

 

Os elevados custos de produção e o clima desfavorável estão contribuindo para o recuo do re­ banho americano, podendo ocasionar uma diminuição das exportações, já que o consumo interno dos americanos por carne é elevado, mas a oferta pode não acompanhar o mesmo ritmo.

 

Esse momento desfavorável do mercado americano pode favorecer o Brasil, uma vez que o país tem condições de suprir essa demanda, tomando-se mais competitivo e abrindo mais espaço para a carne brasileira. No mercado interno, percebemos que o momento é de forte valorização da arroba, pois a restrita oferta de animais para abate tem sustentado valores mais elevados.

 

Os frigoríficos estão com escalas apertadas, em média 3 a 5 dias. A falta de animais para abate é consequência do clima: alta temperatura e tempo seco atípico desta época do ano. Esses fatores vêm prejudicando a qualidade das pastagens e a falta de chuva em algumas regiões está impedindo a recuperação das mesmas. Com as pastagens mais secas, os animais não conseguem atingir o peso ideal para abate (em torno de 16,5 arrobas).

 

Em relação ao confinamento deste ano, não podemos afirmar concretamente o volume de animais a serem confinados, pois tudo dependerá dos preços dos grãos. A seca também impacta na produção do milho, um dos principais componentes da ração. Quem plantou sua lavoura em outubro e novembro e colheu em meados de janeiro e fevereiro deve ter tido a sua produção comprometida.

 

Portanto, tudo dependerá do volume de grãos colhido: como a possível redução da oferta de grãos poderá impactar nos preços dos insumos, ou seja, como o produtor vai sentir no bolso na hora de confinar. Em 2013 foram produzidos, nos estados de GO, MT, MS, MG e SP, pouco mais de 3,1 milhões de cabeças de animais de cocho. De acordo com pesquisa realizada pela Assocon (Associação Nacional dos Confinadores), a expectativa entre os associados entrevistados é de aumentar a produção em 2014 em tomo de 25%, mas ainda é cedo para se afirmar sobre esse crescimento, já que os produtores ainda não começaram a reposição dos animais.

 

Em algumas regiões do País, culturas como soja, cana e eucalipto vêm ocupando espaço que antes eram destinados à pecuária. Mas, felizmente, o Brasil não está reduzindo a sua produção e, sim, aumentando. Portanto, para conseguir bons resultados e aumentar a produtividade, a solução é investir em tecnologias, implantando agricultura e unificando-a com a pecuária para ter maior rentabilidade.

 

É necessário aumentar a eficiência produtiva, reprodutiva e nutricional do rebanho, a fim de produzir animais mais pesados sem aumentar o tempo de confinamento. Observando o gráfico “Boi Gordo no Mundo”, no período analisado entre 20/01 e 18/02/2014, houve valorização da arroba na Austrália e nos Estados Unidos; já no Brasil e na Argentina, o preço da arroba sofreu desvalorização. Esta queda ocorreu devido ao aumento do dólar.

 

A queda da arroba no Brasil foi de 2,20% para o período analisado. No cenário internacional, o Brasil se firma como um dos principais exportadores de carne bovina. Mesmo competindo com grandes países como Estados Unidos e Índia, temos potencial de produção, que somado à tecnologia e a qualidade do produto, leva à conquista de novos mercados. De acordo com a ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), o País inicia o ano com crescimento de 11,7% no volume de carne bovina exportada.

 

Hong Kong permanece em primeiro lugar como maior importador da carne brasileira, seguido por Rússia, União Europeia, Venezuela e Irã. A expectativa é de novo recorde nas exportações para este ano e, com a possibilidade de abertura de novos mercados, corno os Estados Unidos, seria possível reforçar a qualidade do produto brasileiro, já que o mercado norte-americano é muito criterioso.

 

Apesar da pressão de senadores e produtores estadunidenses para a prorrogação por mais 60 dias do período de consulta pública, há uma expectativa de que a abertura para carne bovina in natura se dê ainda no primeiro semestre desse ano. Ainda de acordo com a ABIEC, a análise de risco feita pelo Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Vegetal (Aphis) dos EUA mostra que os brasileiros estão aptos a combater eventuais casos da doença e que estamos comprometidos com segurança alimentar e saúde pública.

 

Recebemos visitas de várias missões técnicas a fim de conhecer as cadeias de produção e avaliar a situação de risco. Estas missões são fundamentais para que fique claro que o Brasil atende às exigências técnicas sanitárias e mantém a qualidade do produto. Como pode ser observado no gráfico “Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF”, para o período analisado entre os dias 20101 e 18/02/2014, houve oscilação em todas as praças. A curta oferta de animais para abate mantém a firmeza do mercado e a valorização da arroba.

 

No estado de São Paulo, a referência está em R$ 118,50 à vista e, para compor as escalas, os frigoríficos paulistas estão buscando boiadas em outros estados, como Minas Gerais e Goiânia. Essa estratégia tem pressionado o mercado nestas regiões. No RS, o preço da arroba também segue valorizado, sustentado pela baixa oferta do produto. Analisando o gráfico “Deságio do preço do boi gordo por UF”, no período de 20101 a 18/02/2014, a média paga aos pecuaristas entre o preço à vista e a prazo (30 dias) foi de 1,36%.

 

O preço médio do bezerro foi de R$ 734,55/cab para o período de 20101 a 18/0212014, alta de 1,45% com relação ao período analisado na edição anterior. Houve desvalorização em MG, com o bezerro sendo cotado a R$ 657,73/cab. Já no PA não houve alteração e o bezerro permaneceu cotado em R$ 630,00/Cab. Nos demais estados, o bezerro valorizou, sendo cotado em R$ 834,09/cab em SP, R$ 767,27/cab em 00, R$ 821,82/cab no MS, R$ 728,64/cab no MT, R$ 801,821 cab no PR e R$ 635,00/cab no RS.

 

O boi magro reagiu e registrou aumento em sete das oito praças pesquisadas. Em SP, o boi magro passou a valer R$ 1.364,90 Icab; em MG, R$ 1.194,091 cab; em GO, R$ 1.303,64/cab; no MS o boi magro subiu para R$1.308,64/cab; no MT, R$ 1.198,64/cab; no PR, R$ 1.294,55/cab e, no RS, R$ 1.242,73. Já no PA o boi magro recuou para R$ 1. 130,00/cab.

 

Os índices médios de relação de troca entre as categorias de reposição e boi gordo ficaram em 2,37 para desmama! boi gordo. Para boi magro/boi gordo ficou em 1,37, não sofrendo alterações significativas. O Brasil ainda tem muitos gargalos, principalmente na indústria exportadora, mas, com a ajuda da tecnologia, caminha para romper esses entraves. Uma mostra disso é que já iniciou o transporte de carga com informações armazenadas por um chip instalado nos lacres dos contêineres, o que irá reduzir a burocracia e agilizar a liberação da carne bovina in na/ura.

 

Esta tecnologia foi desenvolvida em parceria com a Universidade de São Paulo e poderá reduzir em até 50 horas o tempo de liberação da carga. Apesar dos desafios, da incerteza da economia global e das barreiras comerciais, podemos dizer que o ano começa bem para o mercado brasileiro, pois temos grande potencial de produção, possuímos produto de qualidade e competitivo.

 

Mas, o produtor que deseja obter bons resultados não pode se esquecer de que é preciso focar em uma pecuária mais moderna, lucrativa e eficiente, melhorando a gestão, investindo em tecnologia, estimulando a sua equipe, deixando-a envolvida e comprometida com as mudanças. Estimular a equipe é fundamental para conseguir alcançar os objetivos.

 

Fonte: Revista AG do Criador.

Equipe Agron

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