Luz no fim do túnel

Compartilhar

Existe uma luz no fim do túnel. A batida expressão que representa que, após uma série de dificuldades, um problema ou situação muito grave será resolvida resume o que ficou das discussões e palestras do 2º Congresso do Setor Sucroenergético do Brasil Central, o Canacentro 2014, que foi realizado na semana passada em Campo Grande (MS). O foco principal dos debates foi a crise que aflige o setor desde 2008.

 

O evento, que reuniu palestrantes do quilate de Alexandre Mendonça de Barros (MB Agro), Plínio Nastari (Datagro), Alexandre Figliolino (Itaú BBA) e Marcos Fava Neves (USP), mostrou que o panorama atual do setor e a perspectiva a curto prazo, o que significa a safra 2014/2015, não são animadores. Entretanto, os fundamentos do segmento, principalmente se forem corrigidas algumas distorções e ingerências, principalmente por parte do Poder Público, apontam para um potencial muito grande.

 

Nastari, por exemplo, apontou que o clima seco em várias regiões produtoras vai afetar o desenvolvimento dos canaviais, prejudicando a produtividade e a produção. Ele projeta, inclusive, que nesta próxima safra o Centro-Sul pode colher um volume inferior ao do ciclo anterior. Em contrapartida, aponta que os estoques mundiais de açúcar devem ficar negativos nesta e na próxima temporada, o que deve pressionar para uma alta nas cotações e estimular um mix de produção mais açucareiro.

 

Já Figliolino destacou que, em razão da crise, 51 usinas do Centro-Sul paralisaram as atividades desde 2007 e 21 estão em recuperação judicial. Por outro lado, destacou que Goiás e Mato Grosso do Sul são os estados que registraram nos últimos anos o maior crescimento de produção de cana, de etanol e de açúcar e citou entre as vantagens competitivas dos dois a topografia e o tamanho das áreas, além da boa produtividade, parque industrial moderno e ambiente institucional favorável.

 

Por sua vez, o professor Fava Neves apontou como as energias renováveis devem continuar ganhando espaço no cenário global nos próximos anos e citou o exemplo dos Estados Unidos, em que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) estuda a redução de 40% no mandato de consumo de biocombustíveis avançados no país, de 3 bilhões de galões (11,3 bilhões de litros), em 2013, para 2,2 bilhões de galões (8,3 bilhões de litros), em 2014, um volume cinco vezes superior ao que o Brasil exportou para os norte-americanos no ano passado, 1,6 bilhão de litros.

Anuncio congado imagem

 

Outra sinalização, conforme o especialista foram os anúncios feitos pela Índia e pela Austrália, de que pretendem utilizar o etanol como aditivo da gasolina. No caso do país asiático a intenção é de misturar 5% de etanol já em 2014 enquanto que a nação da Oceania projeta chegar ao percentual de 25% da mistura até 2020.

 

O professor destacou, entretanto, que, além destes mercados que já estão abertos ou estão em processo de abertura, existem outros ainda, com grande potencial nos países, que chamou de “bombas de consumo” – são aqueles que estão em processo de desenvolvimento, possuem população crescente, estão em ritmo acelerado de urbanização e têm pouco território para expandir sua produção de alimentos e biocombustíveis. Entre eles estão a Indonésia, o Vietnã e Nigéria, que, segundo ele, vão precisar comprar comida e biocombustíveis de alguém e o Brasil tem condições de ser seu grande fornecedor.

 

Ele, contudo, alertou que para que o “cavalo arriado” dessas oportunidades que despontam para o País não seja desperdiçado é preciso que sejam superados ainda vários entraves. Fava Neves propôs uma agenda com medidas que têm de ser adotadas pelo Poder Público e pela iniciativa privada até 2030. Essa agenda é a base da “Carta”, que foi construída no final do evento, e que resume todas as discussões e aponta as demandas para que o setor supere esse momento difícil. O documento será encaminhado a todos os presidenciáveis.

 

Fonte: Cana News.


Compartilhar

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *