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Safrinha alavanca soja paraguaia

Conforme as colheitadeiras avançam sobre as últimas lavouras de verão, os produtores paraguaios confirmam um feito que eleva a importância do país no mercado internacional da soja: a marca das 8 milhões de toneladas, rompida pela primeira vez no ano passado, já foi superada e a meta de ultrapassar as 9 milhões de toneladas está cada vez mais perto de ser alcançada.

 

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Com mais de meio milhão de hectares de lavouras de “safrinha” ainda verdes, o Paraguai compensa o estrago causado pela seca e pelo calor da virada do ano e ganha espaço como quarto maior exportador.

 

Numa aposta de risco que até pouco tempo atrás era restrita a áreas de produção de semente, a soja safrinha ganha espaço inédito como opção de cultivo comercial no país vizinho. Se no verão o Paraguai cultiva apenas um décimo da área brasileira, no inverno já é líder absoluto.

 

Dos 3 milhões de hectares que foram cobertos pela oleaginosa na primeira safra, 550 mil hectares voltaram a receber sementes de soja na segunda safra – quase o dobro do registrado no ano passado e cinco vezes mais que a área de duas safras atrás, apurou a Expedição Safra Gazeta do Povo. Os produtores brasileiros, que chegaram a cogitar destinar mais de 1 milhão de hectares para a soja safrinha, acabaram cobrindo com a oleaginosa apenas perto de 1% dos quase 30 milhões de hectares cultivados no verão.

 

O Paraguai amplia sua produção intensificando o uso da terra. Numa mesma área, o país vizinho cultiva não duas, mas até três lavouras por ano. Depois de duas safras de soja, os paraguaios ainda encontram janela para semear o trigo, num calendário intensivo de produção que exige altos investimentos em tecnologia e desafia a sustentabilidade do sistema. Não recomendado pelos técnicos, por criar uma espécie de ponte verde para a propagação de pragas e doenças, o cultivo de soja acontece em toda a zona agrícola do Leste do país.

 

“Antes, a terra ficava descoberta por vários meses durante a entressafra. Há cinco anos, só uns 10% dos nossos cooperados faziam safrinha. Hoje, pelo menos metade deles cultiva uma segunda safra”, compara Celso Mattei, diretor-tesoureiro da cooperativa Unión Curupayty, Santa Rosa del Monday, no departamento (estado) de Alto Paraná.

 

Desestimulado pelos preços do milho, Nelmo Wagner resolveu destinar perto de um terço dos 850 hectares que cultiva na região à soja safrinha. A opção é considerada lucrativa mesmo com produtividade 50% menor.

 

Com dois terços da área de verão cobertos novamente por lavouras de soja, Darci Giacomino espera conseguir, na segunda safra, ao menos 2 mil quilos por hectare. Na primeira safra, chegou a 4,3 mil quilos por hectare.

 

Fonte: Jornal de Londrina.

Equipe Agron

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