Mark Zuckerberg, George Soros e Warren Buffet são bilionários, mas a forma como construíram suas fortunas difere — e muito — do convencional.
Ao contrário do que muitos pensam, alguns bilionários podem surpreender com histórias de vida, ideias e iniciativas que vão muito além de apenas dinheiro. O vice-presidente do departamento de estudos de governança do Brookings Institution e colunista do jornal norte-americano Washington Post, Darrell M. West, enumerou cinco mitos que pairam sobre os maiores bilionários do mundo.
Personalidades como Mark Zuckerberg não dependeram de Wall Street para acumular sua riqueza, por exemplo. Lideranças como Steve Jobs vieram de uma classe social mais modesta e não enriquecerem com herança. Megainvestidores como Warren Buffet também podem defender causas nem tão conservadoras. Saiba quais são os cinco mitos sobre os homens mais ricos do mundo.
Bilionários podem comprar eleições e mudar políticas públicas
Bilionários muitas vezes chamam atenção por suas enormes contribuições financeiras em campanhas políticas. Mas dinheiro nem sempre significa poder político. Magnatas que apoiam partidos conservadores não conseguiram derrotar Barack Obama nas últimas eleições, apesar de desembolsarem centenas de milhares de dólares. Da mesma forma o ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, o presidente da News Corp, Rupert Murdoch, e o criador do Facebook, Mark Zuckerberg, falharam em convencer membros do Congresso a aprovar uma ampla reforma de imigração. O texto foi escrito pelo vice-presidente do departamento de estudos de governaça do Brookings Institution e colunista do jornal norte-americano Washington Post, Darrell M. West.
A maioria dos bilionários é conservadora
Muitos bilionários são conservadores pró-mercado que querem limitar o papel do governo na economia. Contudo uma análise de West sobre dados da revista Forbes mostrou que os 492 bilionários têm interesses variados. O investidor e filantropo norte-americano, James Simons, e o presidente da DreamWorks Animation, Jeffrey Katzenberg, apoiaram a reeleição de Barack Obama e financiaram causas liberais. O megainvestidor Warren Buffett acredita que, como bilionário, poderia pagar mais impostos que sua secretária. Já um dos fundadores da The Carlyle Group, uma das maiores empresas de private equity do mundo, David Rubenstein, alertou para a necessidade de se discutir a desigualdade de renda.
A maioria dos bilionários herdou a riqueza
A Wealth-X e UBS Financial Services apontou que cerca de 65% dos bilionários fizeram suas fortunas sozinhos. Um número surpreendente, incluindo Steve Jobs (Apple) e Marc Andreessen (Opsware), vieram de classes sociais modestas. Eles começaram um negócio com poucos recursos, mas a partir de ideias inovadoras construíram empresas de sucesso e tornaram-se extremamente ricos. Bilionários norte-americanos que enriqueceram com o próprio esforço têm orgulho de suas iniciativas e trabalho duro. Eles não gostam de ser lembrados das políticas tributárias, dos investimentos em educação e das reformas de infraestrutura, ainda que tenham se beneficiado das políticas públicas.
Bilionários apenas se importam em ganhar dinheiro
Não restam dúvidas de que o dinheiro seja um importante motivador, mas muitos bilionários também possuem objetivos não materiais. O investidor George Soros, o presidente do império de casinos Las Vegas Sand Corporation, Sheldon Adelson, e o casal de filantropos Pierre e Pamela Omidyar, por exemplo, querem ajudar a superar problemas políticos nos Estados Unidos e em outros países com suas próprias ideias. Soros fundou organizações que lutam por reformas penitenciárias e liberdade de expressão.
Adelson é um defensor intenso das causas pró-Israel. Já os Omidyars apoiam o desenvolvimento de plataformas que ajudem a melhorar o conhecimento das pessoas sobre vigilância do governo. Ao contrário de antigas gerações que contribuíram para projetos filantrópicos apenas após a morte, cada vez mais bilionários estão engajados em projetos filantrópicos por meio de fundações ou organizações não governamentais. Cerca de 10% dos magnatas assinam um compromisso concordando em doar mais da metade de suas fortunas para causas beneficentes em vida ou em testamento. Eles veem isso como uma maneira retribuir as oportunidades que receberam da sociedade.
O melhor caminho para crescer é trabalhar em Wall Street
Recém-formados ingressam em Wall Street na esperança de conquistar posições lucrativas no mercado financeiro. Muitas pessoas pensam que o mercado financeiro é a melhor opção para a riqueza. No entanto uma análise de West sobre a lista de bilionários da Forbes mostrou que apenas 9% dos bilionários fazem sua fortuna em bancos ou no mercado financeiro.
Os caminhos mais comuns são companhias em geral (18%), setor imobiliário e hoteleiro (15%) e setor de varejo e bens de consumo (14%). Uma análise sobre jovens bilionários ainda apontou que 42% constroem sua fortuna por meio de empresas de tecnologia. Personalidades como Mark Zuckerberg e Sheryl Sandberg (Facebook) são capazes de transformar outros setores sociedade por meio de educação, saúde e incentivo à pesquisa acadêmica. Eles possuem uma grande influência sobre o futuro da humanidade e praticamente nenhum veio de Wall Street.
Fonte: Veja online.

