Indicador cotação boi, suínos, frango, soja e milho

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Análises CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

Textos elaborados pela Equipe Cepea

BOI/CEPEA: Com forte alta da reposição, relação de troca piora ao terminador

Os preços dos animais de reposição vêm registrando há meses firme movimento de alta e renovando de forma consecutiva os recordes reais. Entre fevereiro/20 e fevereiro/21, os avanços nos valores da reposição foram mais intensos que os observados para o boi gordo para abate, contexto que resultou em piora na relação de troca de pecuaristas terminadores. Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário é bastante desafiador a pecuaristas, tendo em vista que esses agentes também se deparam com custos de insumos para alimentação em patamares recordes. Considerando-se apenas os meses de fevereiro, a relação de troca da arroba de boi gordo no mercado paulista (Indicador CEPEA/B3) por um bezerro em Mato Grosso do Sul (Indicador ESALQ/BM&FBovespa) em fevereiro de 2021 foi a segunda pior da série do Cepea, atrás apenas da verificada em fevereiro de 2015.

SUÍNOS/CEPEA: Preços seguem em recuperação

Os valores do suíno vivo estiveram em movimento de recuperação em fevereiro em todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. Apesar de a demanda interna ter permanecido enfraquecida, frigoríficos elevaram a procura por novos lotes de animais para abate, especialmente em meados do mês. Agentes de frigoríficos e indústrias processadoras indicaram ter conseguido repassar as recentes altas dos preços do animal vivo para as carcaças e para a maioria dos cortes negociados no atacado, mas muitos já estavam receosos quanto à comercialização nas semanas seguintes. Isso porque o aumento nas cotações do animal vivo tem ocorrido de forma muito rápida, o que pode dificultar novos repasses aos valores da proteína.

FRANGO/CEPEA: Competitividade da carne de frango frente à bovina é recorde

Em fevereiro, os preços médios da carne de frango negociada no atacado da Grande São Paulo apresentaram alta sobre os de janeiro. Segundo pesquisadores do Cepea, o impulso veio do aquecimento nas demandas interna e externa. Para a carne concorrente bovina, os valores da carcaça casada também avançam durante o mês, mas de forma ainda mais intensa – neste caso, é a baixa oferta de animais para abate que influencia as altas nos valores da proteína. Diante disso, dados do Cepea mostram que a competitividade da carne avícola frente à bovina atingiu em fevereiro um novo patamar recorde.

FARELO DE SOJA/CEPEA: Baixa oferta mantém valores em patamares recordes nominais

Diante do atraso na colheita de soja no Brasil, a oferta de farelo de soja segue limitada, dificultando o abastecimento dos consumidores para o curto prazo – grande parte dos compradores sinaliza não ter estoques longos. Com isso, os preços do derivado seguem renovando os patamares recordes, em termos nominais, da série do Cepea, iniciada em janeiro de 1999. O lado bom para os compradores é que as indústrias já têm ofertado lotes de farelo de soja para entrega a partir de março, com preços inferiores aos praticados no mercado spot. Isso porque, além de a oferta da matéria-prima ser maior, diante da intensificação na colheita do grão, o contrato com vencimento em março/21, na Bolsa de Chicago (CME Group), indica queda nos valores entre janeiro e a parcial de fevereiro, pressionando, assim, a paridade de exportação do derivado no Brasil para contratos de março.

MILHO/CEPEA: Comercialização é lenta e atenções se voltam ao campo

O ritmo de negócios envolvendo milho esteve lento no mercado brasileiro em fevereiro. Produtores voltaram as atenções aos trabalhos de campo e ao desenvolvimento da safra de verão 2020/21. Diante disso, muitos vendedores se afastaram do spot – apenas alguns agentes tentaram negociar os lotes finais de 2019/20. Compradores, por sua vez, estiveram resistentes em negociar nos atuais patamares de preços. No campo, dados da Conab indicam que a produção da safra de verão 2020/21 deve somar 23,62 milhões de toneladas, 8% inferior à temporada anterior e a menor desde 1990/91. As reduções estão atreladas a irregularidades das chuvas durante o desenvolvimento das lavouras no Sul e na maior parte do Sudeste do País. Para a segunda safra, a Conab estima aumentos de 4% na área nacional, de 2,2% na produtividade e de 6,7% na produção, que somaria 80,07 milhões de toneladas. Para a terceira safra, a estimativa ainda é de 1,77 milhão de toneladas. Com isso, a produção total é estimada em 105,4 milhões de toneladas, alta de 2,9% frente ao ano anterior.


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