PR: Má qualidade do trigo preocupa mercado

Estiagem, geada, pragas e doenças comprometem a produção no Norte e Oeste do Paraná As notícias não são nada animadoras para os produtores que começaram a colheita do trigo no Paraná, já em andamento nas regiões Norte e Oeste do Estado. Com 3% da área colhida, o que corresponde a 40 mil toneladas, o cereal apresenta baixa qualidade.

 

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A análise é do engenheiro agrônomo Hugo Godinho, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Segundo o especialista, o excesso de chuva no plantio e a geada que afetou as lavouras na época de florescimento foram os dois fatores principais que motivaram esse resultado negativo.

 

Mesmo com essa prévia ruim, Godinho tem esperança de que a qualidade do trigo seja melhor nas regiões localizadas mais ao Sul do Estado. Contudo, a colheita segue firme no Norte e Oeste paranaense, motivada pela falta de chuva. Se chover com mais intensidade, como estima a meteorologia para esta semana, Godinho destaca que a qualidade pode ser comprometida ainda mais.

 

“A situação só está favorável para quem já colheu um material de boa qualidade”, comenta o agrônomo. Ele completa que as chuvas que afetaram as principais regiões produtoras durante a safra também propiciaram a entrada de patógenos, como a Brusone e a Giberela. Além de afetar a qualidade, as intempéries e os patógenos também prejudicaram a produtividade das lavouras paranaenses. Nas áreas já colhidas, o Deral contabilizou uma produtividade de 1,5 mil quilos por hectare (kg/ha).

 

O ideal, segundo avalia o agrônomo, seria de 2,5 mil kg/ha. Em produção, o Deral estima para esta safra uma perda de 33% com o clima. Ainda segundo informações da entidade, o Paraná deverá colher no atual ciclo 1,9 milhão de toneladas, 1 milhão a menos do que se esperava na estimativa inicial. No ano passado, o Estado chegou a colher 2,1 milhões de toneladas em uma área de 800 mil hectares. Para o ciclo 2012/13 o Paraná destinou uma área superior a 976 mil hectares.

 

Mesmo com o crescimento em área, a produção será menor neste ano. Wilson Wendz, produtor na região de Cambé (Norte), perdeu 100% da produção de trigo em decorrência da geada. Para o ciclo atual, ele destinou 28,8 hectares para o cultivo do cereal. “É a primeira vez que perco tudo em uma geada”, lamenta o produtor.

 

Wendz conta que o prejuízo neste inverno só não foi maior porque destinou 127,2 hectares para a produção de milho. Preços Um alento para os triticultores é o valor da saca, que nos últimos 12 meses chegou a subir 49%. De acordo com o especialista do Deral, a saca já chegou a ser comercializada a R$ 46 este ano. Com valores mais altos, motivados principalmente pela baixa oferta, os prejuízos para quem conseguir colher um trigo de melhor qualidade poderá ser menor.

 

Fonte: Folha de Londrina Ricardo Maia.

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