Cerca convencional ou cerca elétrica

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Cerca convencional ou elétrica

A principal vantagem da cerca elétrica é o custo de implantação. A cerca elétrica custa de 60% a 70% menos que a convencional.

Por que tamanha diferença de preço?

A quantidade de arame utilizada é um dos principais fatores de redução de custo a favor cerca elétrica. A cerca convencional exige de 4 a 5 fios, enquanto a cerca elétrica utiliza a metade, entre 2 a 3 fios.

A cerca elétrica é construída com menos fios, pois funciona como uma barreira psicológica. O animal não pula a cerca, pois fica condicionado. Ele já sabe que na tentativa, o choque é certo.

O segundo fator é a quantidade de estacas utilizadas. Enquanto o espaçamento entre estacas da cerca convencional é de 4 m, na cerca elétrica pode chegar até 20 m, dependendo da topografia.

Considerando esses parâmetros, a quantidade de estacas utilizados na cerca convencional cai de 250 por km para 50 estacas por km na elétrica. Com isso, os gastos com mão-de-obra também diminuem.

As diferenças entre os custos são expressivas, porém vários fatores devem ser considerados na hora da escolha. No caso da cerca elétrica é importante ficar atento ao manejo das pastagens. Quando o manejo é inadequado, as folhas do capim entram em contato com os fios da cerca e cortam a corrente elétrica, diminuindo a intensidade do choque e gastando mais energia.

Os materiais utilizados e as instalações devem ser de boa qualidade, pois se um eletrificador é mal dimensionado, quebrará ou terá mau funcionamento. E diferente da cerca convencional que, quando um ponto quebra, o resto se mantém, na elétrica toda sua extensão fica vulnerável, pois a corrente é quebrada.

Recomendações e dicas de instalação

A cerca elétrica é recomendada para propriedades com bom pastejo (rotacionado), gado leiteiro, animais mestiços ou zebuínos com um bom manejo. Mas a melhor contenção, que mantém os animais calmos e é eficiente, é a boa oferta de pasto aliado a um manejo sem estresse aos animais.

Manual geral para a instalação de eletrificadores de cercas.

Nosso objetivo aqui é passar ao pecuarista algumas informações básicas de como montar a cerca elétrica e ligar o eletrificador de cercas.

Eletrificador: Instale o eletrificador num local totalmente seco, protegido do sol, das chuvas e de neblinas, numa altura onde os animais e as crianças não possam mexer. O eletrificador precisa estar próximo de uma tomada elétrica de 220 volts ou de uma bateria com 12 volts e de ambos se o eletrificador for do tipo combinado. Neste caso na falta de energia elétrica ele passará automaticamente a operar por bateria.

O aterramento elétrico: Crave na terra e reto para baixo, num lugar úmido, distantes 4 metros entre si e a mais de 10 metros de qualquer outro tipo de aterramento elétrico, algumas hastes cobreadas com 2,4 metros de comprimento cada uma e interligue-as com um fio sólido ( de luz ) até o terminal “TERRA” do aparelho.

Atenção: Se no terminal “TERRA” der choque, é preciso instalar mais hastes cobreadas, da mesma forma como as primeiras, pois as perdas elétricas ocorridas nos aterramentos elétricos deixarão a cerca “fraca”.

A cerca: Construa-a com um ou mais fios de arame liso e galvanizado N.º 14 ou N.º 16, distantes a mais de 2 metros de outras cercas diferentes e de 15 metros das redes elétricas, passando os arames em isoladores do tipo roldana de tamanho igual ou maior que 40 X 40 de boa qualidade, ou em isoladores apropriados para tal finalidade, fixados em estacas de madeira beneficiada, ou de mato, numa altura adequada para cercar os animais, mantendo-a isolada e livre do contato com a vegetação, roçando todas as sobras pôr baixo dela em toda a sua extensão quando necessário.

É proibido usar arame farpado na construção da cerca elétrica, pois compromete a segurança.

É obrigatório usar placas de advertência de cercas elétricas, instaladas na mesma, ou nas estacas de sustentação da mesma, em intervalos regulares, com o tamanho mínimo de 20 cm X 10 cm, na cor amarela, inscrito em ambos os lados “TOME CUIDADO, CERCA ELÉTRICA” na cor preta ou o seu SÍMBOLO correspondente, conforme é especificado nas normas técnicas internacionais, 60335-2-76 I.E.C:1997+A1:1999, páginas 65 e 69 prevenindo assim, possíveis acidentes ou fatalidades com as pessoas que circulam próximas das cercas elétricas, principalmente as que são portadoras de problemas cardíacos, as crianças e os leigos. Sob algumas condições, as cercas elétricas também podem apresentar um risco de incêndio e devem, portanto, serem instaladas de forma que não venham oferecer perigo aos seres vivos e nem ao meio ambiente.

Atenção: Não é apenas o eletrificador de cercas quem determina a quilometragem de uma cerca elétrica e sim a qualidade de todos os elementos que a compõem e principalmente as condições climáticas e geográficas, peculiar de cada localidade. O melhor desempenho na maior parte dos casos é obtido quando a extensão da cerca não ultrapassar os 30% da capacidade máxima do eletrificador, ficando o restante como reserva para cobrir eventuais perdas elétricas ocorridas nos cercados elétricos. A cerca elétrica deverá ser construída dentro de um raio máximo de 3Km ao redor do aterramento elétrico ligado no eletrificador e ficar bem isolada do contato com a vegetação.

Prevenção contra raios e relâmpagos: Sugerimos que se faça uma “mola” de fio, com 25 espirras ou mais, com a ajuda de um cabo de vassoura e deixe-a próxima do eletrificador com o seu comprimento suficiente para a ligação até a cerca elétrica. Também é altamente recomendável a utilização de um Kit para-raios para cerca elétrica, seguindo o manual de instruções do Kit, ou então desligue totalmente o seu eletrificador, principalmente das ligações cerca e terra. A cerca não deixa de ser uma “antena” que capta as energias liberadas pela natureza e até mesmo de ser atingida pôr algum raio.

Manutenções nas cercas elétricas e nos aterramentos elétricos, só poderão ser feitas com o eletrificador totalmente desligado.

Os materiais necessários são: Algumas hastes cobreadas, com 2,4 metros de comprimento cada, para o aterramento elétrico; arame liso e galvanizado N.º 14 ou N.º 16, para a construção das cercas e dos piquetes; alguns metros de fio sólido 1,5 mm ou 2,5 mm ( de luz ), para as ligações dos terminais “TERRA” e “CERCA” (através da mola ); diversos isoladores de 40 X 40 ou maiores com estacas de madeira ou então, se preferir estacas especiais de plástico, fibra ou PVC, e conforme o modelo do seu eletrificador, a disponibilidade de uma tomada elétrica 220 Volts e/ou de uma bateria automotiva e se optar uma placa solar.

Atenção: O uso de materiais impróprios compromete a segurança e o bom funcionamento da cerca elétrica.

Cerca elétrica não está funcionando, o que pode ser?

A cerca elétrica é um sistema confiável e dizer que este sistema não funciona porque apresentou algum tipo de problema, seria o mesmo que dizer que deveríamos voltar a andar à cavalo porque tivemos que levar o carro no mecânico. Certamente houve falhas durante o processo de instalação ou de manutenção da cerca, que fez com que o sistema deixasse de produzir os resultados positivos que ele deve e é capaz de trazer.

 

Fatores que influenciam no funcionamento da cerca

Verificando a vegetação

O primeiro passo é dar uma passada no perímetro total da sua cerca, veja se não tem algum problema aparente nela, como galhos caídos, postes inclinados, e principalmente se não tem muita vegetação encostando-se ao fio da cerca roubando assim a energia, criando interrupção no circuito.

Verificando o Aparelho

Cheque se o equipamento esta emitindo pulso na voltagem. Como fazer? Desligue o equipamento da cerca e do terra (bornes vermelho e preto), coloque o voltímetro na saída dos bornes e
verifique a voltagem (lembrando que para funcionamento da cerca o mínimo deve ser 3.000 Volts).

Dica: Se você não tiver voltímetro, teste manualmente com uma chave de fenda, se emitir faísca o equipamento está funcionando.

Verificando o aterramento

O aterramento é sistema de retorno da energia para o eletrificador, ele é um dos itens mais importantes da cerca e precisa de atenção especial.

Como fazer?

Com o voltímetro digital coloque uma ponta no chão e uma ponta na haste de aterramento a leitura não deve ser superior a 300 volts.

Caso a leitura for menor que 300 volts o sistema de aterramento está em pleno funcionamento.

Se a leitura for maior que 300 volts, insira novas hastes até que chegue na leitura correta. Se o solo estiver muito seco, pode ser esta a causa do não funcionamento da cerca, neste caso, siga a dica de umedecer o local onde estão as hastes com carvão vegetal.

Verificando as emendas de fios e arames

Outro fator que impacta muito no mau funcionamento das cercas são as emendas de fios e arames mal conectadas que geram fuga de energia.

Como fazer?

Coloque o voltímetro antes e depois das emendas, no fio positivo (pulso) e cheque se está passando corrente. Faça isso em todos os pontos que tem emendas. Para arames é importante usar os conectores nas emendas.

Verificando os Isoladores

Eletrificador está 100%, as emendas estão corretas, o aterramento em funcionamento, mas a cerca continua sem funcionar. O que eu devo fazer?

Confira se não tem isoladores estourados ou com fuga de energia. O problema com isoladores é mais simples de identificar, pois ao se aproximar você ouvirá o estralar do choque escapando pelo isolador. Isso normalmente ocorre se você estiver usando o isolador roldana com prego. O ideal é não usar este produto, pois ele não foi feito para cerca rural, troque por isoladores mais resistentes e especialmente desenvolvidos para cerca elétrica como: W, Vergalhão (se for haste de ferro) e gancho curto.

O mais importante para evitar problemas é realizar a instalação do sistema de acordo com um projeto adequado e seguindo essas dicas.

Fonte: Adaptado de Comprerural, Agrocercas e Scotconsultoria


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