“Os opositores aos transgênicos têm sido extremamente eficientes em divulgar desinformação”. A afirmação foi feita pelo professor Marc Van Montagu, em artigo publicado recentemente no Wall Street Journal com o título: “O Medo irracional de alimentos transgênicos”. Van Montagu recebeu esse ano o World Food Prize (o mesmo recebido pelo ex-presidente Lula em 2011), que reconhece personalidades atuantes no combate à fome no mundo.
“As culturas GM (geneticamente modificadas) não causam câncer ou outras doenças, como um estudo desacreditado afirmou recentemente. O algodão GM não é responsável por suicídios entre agricultores – um estudo de 2008, realizado por um grupo de 64 governos e ONGs (organizações não-governamentais) desmascarou esse mito completamente. E as culturas GM não prejudicam as abelhas ou borboletas”, afirmou.
O Prof. Van Montagu e seu grupo de pesquisa da Universidade de Ghent, na Bélgica, foram os primeiros a desenvolver uma tecnologia de transferência estável de genes entre vegetais. Suas descobertas abriram caminho para toda uma linhagens de plantas geneticamente modificadas com características que beneficiam a agricultura.
“As pessoas têm consumido bilhões de refeições que contém alimentos geneticamente modificados nos 17 anos desde que começaram a ser comercializados, e nenhum problema foi documentado. Cada organização científica respeitada que tem estudado culturas GM, como a Associação Médica Americana, a Academia Nacional de Ciências e a Organização Mundial de Saúde, entre outras, comprovam que os transgênicos são seguros tanto para seres humanos como para o meio ambiente”, completou o professor.
“Como cientista, nem eu nem, nem meus companheiros vencedores do World Food Prize 2013, a Dra. Mary-Dell Chilton (Syngenta) e Dr. Robert T. Fraley (Monsanto), pensamos que haveria resistência às modificações genéticas e biotecnologia. Afinal, quase tudo o que os seres humanos têm comido há milênios foi alterado geneticamente pela intervenção humana. A humanidade cria culturas e as altera geneticamente desde os primórdios da agricultura. As técnicas de hoje para modificar plantas são simplesmente novos métodos de alta precisão para fazer o mesmo”, sustenta.
Na avaliação dele, a “resistência à biotecnologia não é baseada em ciência, mas é política e ideológica”, contra as corporações e o “colonialismo ocidental”. “Qualquer pessoa que se preocupa em diminuir a fome e proteger o meio ambiente deve abandonar rapidamente o preconceito contra transgênicos”, concluiu o também presidente do Conselho Científico da FuturaGene.
Fonte: Leonardo Gottems.
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