Sucesso na integração lavoura-pecuária

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Em 1997 a pecuarista Carla de Freitas se deparou com um novo desafio: herdou a Agropecuária Bela Vista de seu pai e tinha que ser a responsável por transformar a pecuária extensiva praticada na fazenda para uma atividade mais lucrativa.

 

Tudo isso aconteceu em meio a um cenário de avanço da agricultura sobre as pastagens, fazendo com que a produção de carne bovina perdesse competitividade em um mercado de margens estreitas. O exemplo de sucesso será contado com detalhes durante a etapa de Ji-Paraná/RO do Circuito Feicorte 2013, que começa nesta quinta-feira, 3 de outubro.

 

Para ter conhecimento de gestão da propriedade, que fica em Chupinguaia, estado de Rondônia, Carla participou de diversos seminários e cursos na busca por profissionais que pudessem auxiliá-la. A partir daí, a primeira decisão foi investir em genética bovina.

 

Assessorada por um professor de zootecnia da Fazu (Faculdades Associadas de Uberaba), a nova gestora rural decidiu implementar um projeto de inseminação artificial, que já era feito em menor escala na fazenda.

 

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O rebanho evoluiu a ponto de a Agropecuária Bela Vista ter sido a primeira a realizar um abate técnico com o selo da recém-criada marca Nelore Natural, da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil, em 2001.

 

Nesta época, o cruzamento industrial também serviu como ferramenta para o melhoramento genético do rebanho da fazenda, utilizando as raças Charolês, Angus, Red Angus, entre outras. No entanto, a rentabilidade proporcionada pela atividade pecuária era limitada. A solução apareceu anos depois, em 2009.

 

Após participar de um evento sobre ferramentas de gestão de propriedade rural, a Agropecuária Bela Vista passou por nova consultoria. Determinada a dobrar o faturamento da propriedade, Carla de Freitas rendeu-se à única possibilidade apontada pelos especialistas: a integração da lavoura com a pecuária.

 

“As pastagens do Brasil estão envelhecidas e ainda tem a competição da agricultura. Não conseguimos competir com o ganho por hectare em cima da pecuária tradicional”, justifica Carla.

 

A partir de então, outra mudança ocorreu na propriedade. Além de entrar no sistema de produção o arrendamento de 600 hectares para agricultores, os investimentos em infraestrutura, que eram todos feitos a partir do caixa da própria fazenda, passaram a vir de empréstimos obtidos junto aos financiamentos agrícolas dos bancos. “Tive que mudar a gerência da fazenda e até entrar em fila de banco, o que é um sofrimento para o produtor, mas valeu a pena”, avalia a pecuarista.

 

A integração lavoura-pecuária, que começou há quatro safras com o plantio de 600 hectares arrendados, passou para uma lavoura de 1600 hectares de plantio próprio, colhendo na safra 2012/13 58 sacas de soja por hectare.

 

O novo sistema de produção beneficiou também a pecuária. Embora tenha perdido áreas de pastagem, a lotação aumentou por conta das pastagens serem adubadas, nascendo em solos férteis advindos das áreas de integração. Outra decisão estratégica foi a construção de um confinamento como ferramenta, que possibilitou livrar ainda mais as pastagens e aumentar o rebanho, consequentemente acelerando o giro da fazenda.

 

A palestra de Carla contará, além dos detalhes do caso de sucesso da Agropecuária Bela Vista, a história de seu pai e o momento da pecuária pela qual passa o estado de Rondônia, que conta hoje com o sétimo maior rebanho bovino brasileiro, com 12,2 milhões de cabeças. A apresentação será feita no dia 4 de outubro, sexta-feira, às 14h no horário local.

 

Fonte: Circuito Feicorte.


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