A atual estrutura do porto chileno, em Arica, não suportaria a demanda da agricultura sul-mato-grossense. Via Pacífico, o porto escoa cerca de três milhões de toneladas por ano, enquanto que a produção anual de grãos em MS se aproxima dos 14 milhões de toneladas. “Seriam necessários três anos de adaptações para encaminhar os grãos brasileiros até a Ásia”, informou o vice-presidente do Terminal Portuário de Arica, Sebastian Montero, nesta terça-feira, durante reunião com os executivos brasileiros que viajam de Campo Grande a Iquique (Chile), em busca de novas rotas de exportações.
De acordo com Montero foram investidos nos últimos oito anos cerca de US$ 90 milhões na ampliação e em tecnologia para o porto de Arica, porém, toda a modernização foi capaz de atender apenas pequenas produções, e hoje o porto dedica 78% de suas movimentações internacionais ao comércio boliviano, 6% ao Peru e os demais são do próprio Chile. “Em oito anos aumentamos nossa capacidade de movimentação de carga em 125% e esperamos continuar neste ritmo para estarmos brevemente aptos para atender a demanda brasileira”, destacou o vice-presidente do porto.
Para o diretor secretário da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Sistema Famasul), Ruy Fachini, os primeiros passos para que o Estado passe a exportar pelo Pacífico já foram dados. “Estamos conhecendo detalhes das estradas, avaliando suas qualidades e necessidades. Mas para chegarmos entregamos nossas commodities em portos chilenos, além da infraestrutura será necessário alinhamento político, principalmente com a Bolívia, que apresenta algumas dificuldades de estrutura para atender os caminhoneiros”, afirma Fachini, referindo-se ao déficit de postos de combustíveis e acostamento nas estradas bolivianas.
Junto com os 90 executivos que saíram de Campo Grande na última sexta-feira (27), em busca da viabilidade da rota bioceânica, Fachini visitará nesta quarta-feira (2) o porto de Iquique e participará de reunião com autoridades chilenas e empresários.
Organizada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Mato Grosso do Sul (Setlog-MS), a expedição Rota da Integração Latino-Americana está em reta final. Após a visita ao porto de Iquique, os empresários cogitam a possibilidade de reunião em Asunción, no Paraguai, para reunião com o presidente do país, em busca de novas possibilidades de escoamento.
Além da Famasul e da Associação dos Produtores de Soja de MS (Aprosoja/MS), outras 17 empresas participam na Rota da Integração Latino-Americana.
Sobre o Sistema – O Sistema Famasul é uma das 27 entidades sindicais que integram a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Como representante do homem do campo, põe seu corpo técnico a serviço da competitividade da agropecuária, da segurança jurídica e da valorização do homem do campo. O produtor rural sustenta a cadeia do agronegócio, respondendo diretamente por 17% do PIB sul-mato-grossense.
Fonte: Assessoria de Comunicação do Sistema Famasul.
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