O botânico suíço Klaus Ammann esteve esta semana no Brasil. Ex-membro do comitê de biossegurança da Suíça e da Federação Europeia de Biotecnologia, considera uma hipocrisia a postura do continente de resistência aos transgênicos.
Por que a Europa é resistente aos transgênicos?
Existem várias razões. A primeira é que as ONGs são bem organizadas. Eles escolheram o lema anti-organismos geneticamente modificados e pensam estar lutando por uma boa causa, mas na verdade, estão lutando contra a ciência. Há, porém, um dado interessante sobre a opinião pública. Se perguntasse a um europeu se gostaria de comer um alimento transgênico, ele diria que não. Mas à frente das prateleiras, não se importa.
Por que alguns países da Europa importam mas não plantam transgênicos?
Economicamente, a Europa precisa de soja geneticamente modificada. A maioria das pessoas não está ciente de que nós, europeus, importamos grande quantidade de soja e milho. É hipocrisia. Por que achar que transgênicos não são bons para plantar mas são para comer e alimentar o gado? A economia mudará essa atitude. A Europa logo perceberá que não pode sustentar uma agricultura altamente subsidiada.
Existe uma resposta definitiva sobre a segurança dos transgênicos quanto ao consumo?
Sim, são seguros. Existem milhares de estudos em todos os setores e eles não mostraram efeitos negativos. Nada.
E ameaças à biodiversidade?
A agricultura sempre foi inimiga da biodiversidade, transgênica ou não. Mas, como você pode ter maior produtividade e menor uso de herbicidas e pesticidas em cultivos transgênicos, há a chance de preservar mais a biodiversidade.
Fonte: Caio Cigana/ Zero Hora.

