Para Quem Tem Pressa
O prurido perianal em cães é uma manifestação clínica caracterizada por coceira intensa na região ao redor do ânus, levando o pet a se lamber, morder ou “arrastar o bumbum” no chão. A alteração pode ser causada por verminoses, inflamação das glândulas adanais, reações alérgicas ou neoplasias. O diagnóstico veterinário precoce é indispensável para combater a causa primária, evitar infecções secundárias e fístulas e restaurar a qualidade de vida do animal.
O hábito de um cachorro raspar a região posterior no chão ou demonstrar incômodo constante na área anal é um motivo frequente de consulta em clínicas veterinárias. Conhecido tecnicamente como prurido perianal em cães, essa manifestação é um sinal clínico e não uma patologia isolada. Ela alerta que algo está provocando irritação ou dor na região anorretal do pet.
O incômodo constante gera estresse significativo e costuma evoluir para episódios de autotraumatismo, onde a lambedura ou mordedura contínua fragiliza a barreira cutânea, abrindo portas para complicações graves como infecções bacterianas e fístulas.
As 4 principais causas do prurido perianal canino
As etiologias do prurido perianal dividem-se em origens dermatológicas e não dermatológicas. O levantamento clínico preciso exige investigar quatro condições principais:
1. Parasitas intestinais (Verminoses)
Infecções por helmintos, sobretudo pelo cestódeo Dipylidium caninum, são causas recorrentes do problema. Esse parasita utiliza a pulga como hospedeiro intermediário e elimina proglotes móveis pelo ânus, causando irritação mecânica direta ao sair.
2. Inflamação da glândula adanal (Saculite)
A saculite ocorre pelo acúmulo e retenção do conteúdo secretado pelas glândulas adanais, localizadas nas laterais do ânus. Quando a secreção não é eliminada naturalmente durante a defecação, ocorre a impactação, que favorece a proliferação bacteriana. O quadro gera dor, edema e coceira e pode evoluir para abscesso. Quando ocorre ruptura do abscesso, pode haver formação de uma abertura ou trajeto de drenagem junto ao ânus.
3. Reações alérgicas
Processos de hipersensibilidade, incluindo dermatite atópica, alergia alimentar e Dermatite Alérgica à Picada de Ectoparasitas (DAPE), podem provocar inflamações localizadas na região perianal. A reação inflamatória crônica altera a microbiota da pele e rompe a barreira cutânea natural, desencadeando um ciclo contínuo de coceira e infecção secundária.
4. Neoplasias
Processos tumorais nas glândulas perianais, como os adenomas e adenocarcinomas, criam formações nodulares palpáveis. Essas massas provocam desconforto local, dor e secreções, com potencial de ulceração. A presença de feridas abertas eleva exponencialmente o risco de contaminações bacterianas secundárias.
Sinais clínicos e possíveis complicações
Além do ato característico de friccionar o traseiro contra o solo, os cães com prurido perianal apresentam eritema (vermelhidão), alopecia localizada, edema na região anal e perivulvar, crostas, exsudação e dor ao defecar.
A ausência de intervenção adequada pode ocasionar complicações sérias, tais como:
- Fístulas perianais de difícil cicatrização;
- Lesões por automutilação;
- Infecções bacterianas ou fúngicas secundárias;
- Miíases (infestação por larvas de moscas em feridas expostas);
- Quadros de dor crônica.
Como é feito o diagnóstico em consultório
A condução do caso exige um protocolo metódico por parte do médico-veterinário:
- Anamnese detalhada: Investigação de histórico de puliciose, características das fezes, frequência de banhos, episódios anteriores de saculite e uso de vermífugos.
- Exame físico e inspeção: Avaliação direta da região perianal em busca de úlceras, secreções e alterações de coloração na pele adjacente.
- Palpação e Toque Retal: A palpação externa e a palpação retal digital são essenciais para checar o volume, simetria e consistência das glândulas anais, detectando se há massas nodulares ou fístulas internas.
- Exames complementares: Realização de exame coproparasitológico de fezes para identificação de helmintos, citologia de superfície para pesquisar infecções secundárias por bactérias ou leveduras, e biópsia com histopatológico caso haja suspeita de neoplasias.
Abordagens de tratamento e prevenção
O tratamento do prurido perianal depende diretamente da causa primária diagnosticada.
Para as verminoses, administra-se o protocolo anti-helmíntico específico associado ao rigoroso controle de pulgas no animal e no ambiente. Na saculite, é realizado o esvaziamento manual das glândulas e a aplicação de medicação tópica com ação anti-inflamatória e antimicrobiana; quadros mais graves requerem analgesia e antibióticos sistêmicos.
Casos alérgicos exigem a introdução de dietas de eliminação (para alergia alimentar), controle rigoroso de ectoparasitas ou imunoterapia, acompanhados do uso temporário de medicação antipruriginosa. Nas neoplasias, o plano terapêutico envolve avaliação oncologista para indicação de ressecção cirúrgica, quimioterapia ou radioterapia.
A prevenção baseia-se na manutenção do calendário de vermifugação atualizado, no controle profilático de pulgas e carrapatos, na observação rotineira das fezes e da região anal, e na busca por atendimento veterinário aos primeiros sinais de desconforto do pet.
imagem: IA
