Para Quem Tem Pressa
- Meta-análise global compilou 8.933 eventos de predação de cães e gatos sobre a fauna silvestre a partir de 53 estudos científicos.
- Os padrões de impacto são divergentes: gatos caçam um leque mais amplo de famílias animais e sofrem influência de clima e densidade urbana, enquanto o impacto de cães mantém padrão constante.
- A África registrou o maior volume de ataques por cães (1.698), e a Europa concentrou o pico de registros por felinos (2.900).
- Espécies criticamente em perigo na Austrália e nas ilhas de Okinawa, no Japão, figuram entre as mais pressionadas por esses animais domésticos em vida livre.
O avanço de populações de cães (Canis familiaris) e gatos (Felis catus) sem restrição de circulação ou abandonados representa uma das pressões mais diretas sobre a biodiversidade terrestre no planeta. Uma meta-análise publicada em 10 de setembro de 2026 na revista científica internacional Conservation Biology avaliou detalhadamente como ocorrem esses ataques em escala global, revelando comportamentos ecológicos e padrões geográficos bastante distintos entre as duas espécies domésticas.
Conduzido por pesquisadores que analisaram dados de 53 publicações revisadas por pares, o trabalho reuniu 8.933 eventos documentados de predação sobre mamíferos, aves, répteis e anfíbios selvagens. A conclusão aponta que estratégias de conservação não podem tratar cães e gatos de forma homogênea, já que os mecanismos de forrageamento e as respostas ambientais de cada um operam de maneiras opostas.
Gatos têm espectro de presas mais amplo e sofrem influência do ambiente
A análise demonstrou que os gatos domésticos soltos atacam uma variedade taxonômica consideravelmente maior de presas quando comparados aos cães. A pressão predatória dos felinos incidiu com intensidade desigual sobre famílias específicas da fauna:
- Leporidae (coelhos e lebres): responderam por 28,49% dos registros de predação felina avaliados.
- Procellariidae (aves marinhas como pardelas e petréis): representaram 14,79% das ocorrências documentadas.
- Muridae (roedores): somaram 10,05% dos ataques analisados.
Além de selecionar presas de modo mais concentrado em determinados grupos, a taxa de predação dos gatos variou conforme as condições geográficas e climáticas. Os registros de ataques felinos caíram significativamente à medida que aumentaram a densidade populacional humana, a latitude e a longitude, mostrando sensibilidade direta a diferentes tipos de clima.
Padrão constante dos cães e pontos críticos pelo mundo
Em contraste com os felinos, o impacto predatório dos cães em vida livre variou muito pouco entre os níveis taxonômicos das presas. A pesquisa também constatou que os ataques de cães não apresentaram correlação estatisticamente significativa com variáveis como densidade de habitantes humanos, coordenadas geográficas ou tipos climáticos, mantendo um comportamento predatório mais uniforme no ambiente.
Em termos de distribuição regional, os dados evidenciaram forte heterogeneidade:
- África: liderou em volume de ataques documentados cometidos por cães, somando 1.698 eventos.
- Europa: registrou a maior concentração de predações causadas por gatos, com 2.900 eventos.
- Austrália e Ilhas Okinawa (Japão): foram destacadas pela pesquisa como áreas de vulnerabilidade extrema, onde populações de espécies classificadas como criticamente em perigo (CR) sofrem pressão predatória desproporcional.
Diante das diferenças de adaptação e hábitos de caça entre os dois animais, os autores do estudo ressaltam a necessidade urgente de planos de manejo direcionados. Em vez de medidas genéricas, a preservação da biodiversidade requer intervenções focadas em hotspots críticos — como ilhas, zonas de aglomeração canina e habitats de animais sob risco iminente de extinção —, considerando as características comportamentais próprias de cada espécie.
fonte/crédito: Imagem destacada ilustrativa gerada por IA.
