cotação da soja
A cotação da soja em Chicago atingiu seu maior nível desde o início de 2025, superando os US$ 12,00/bushel. No entanto, o produtor brasileiro não sente esse reflexo integralmente. Enquanto o mercado externo é impulsionado pela alta do petróleo e do óleo de soja, o cenário interno sofre com a pressão da colheita (50,6% concluída), prêmios de exportação negativos e um “freio de mão” puxado pela China, que aumentou o rigor nas inspeções fitossanitárias, atrasando embarques e encarecendo o frete.
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O mercado de grãos em 2026 começou com uma dinâmica de “duas velocidades”. Se por um lado os contratos futuros da cotação da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) operam em patamares elevados, por outro, o mercado físico brasileiro tenta equilibrar o excesso de oferta com uma logística que insiste em cobrar caro.
Em 13 de março de 2026, os contratos para maio foram negociados a US$ 12,22/bushel. Parece um cenário de sonhos, certo? Quase. Para o sojicultor brasileiro, essa conta não fecha tão rápido quanto o clique de uma ordem de venda em Chicago.
Embora a cotação da soja em Chicago tenha subido 16,9% desde o início do ano, em Paranaguá o movimento foi mais tímido. A saca foi negociada a R$ 131,00, uma alta mensal de 4%, mas ainda amargando uma queda de 10,3% quando comparada ao primeiro dia útil de janeiro.
Essa diferença ocorre porque o mercado interno está “inundado” de grãos. Com mais de 50% da área colhida no Brasil, a lei da oferta e procura fala mais alto. Além disso, os prêmios de exportação — que deveriam ser o bônus do exportador — entraram em terreno negativo (-0,10 US$/bu), funcionando como um balde de água fria no entusiasmo externo.
Se você acha que a burocracia brasileira é lenta, ainda não viu o rigor das novas inspeções chinesas. A Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) apertou o cerco contra não conformidades, como presença de insetos vivos e danos por calor.
O resultado? A emissão de certificados fitossanitários ficou mais lenta que internet discada em dia de chuva. Com as tradings relatando atrasos severos, parte da soja que deveria estar cruzando o oceano acaba redirecionada para o mercado interno, pressionando ainda mais a cotação da soja local.
Não bastasse o funil chinês, o barril do petróleo Brent disparou para US$ 103,14. Para quem vive do campo, isso não é apenas uma notícia de economia internacional; é o preço do diesel subindo na bomba do caminhão e da colhedora.
A alta do petróleo sustenta a cotação da soja em Chicago (via demanda por óleo vegetal/biodiesel), mas no Brasil ela se transforma em custo logístico. O frete encarecido “morde” a margem de lucro do produtor, impedindo que a valorização externa chegue limpa ao bolso de quem planta.
| Estado | Semana até 2025 (8/mar) | 2026 (28/fev) | 2026 (7/mar) | Média 5 anos |
| Tocantins | 65,0% | 47,0% | 52,0% | 51,4% |
| Maranhão | 50,0% | 9,0% | 17,0% | 26,8% |
| Piauí | 23,0% | 7,0% | 19,0% | 13,6% |
| Bahia | 50,0% | 30,0% | 31,0% | 19,9% |
| Mato Grosso | 91,7% | 81,3% | 89,2% | 86,7% |
| Mato Grosso do Sul | 70,0% | 50,0% | 61,0% | 59,4% |
| Goiás | 71,0% | 39,0% | 57,0% | 58,0% |
| Minas Gerais | 56,0% | 22,0% | 39,0% | 39,2% |
| São Paulo | 85,0% | 9,0% | 38,0% | 35,6% |
| Paraná | 60,0% | 37,0% | 46,0% | 40,2% |
| Santa Catarina | 16,0% | 7,8% | 11,7% | 11,9% |
| Rio Grande do Sul | 5,0% | 0,0% | 0,0% | 1,0% |
| Brasil (12 estados) | 60,9% | 41,7% | 50,6% | 48,5% |
O que esperar para os próximos meses? A cotação da soja deve continuar dependente do binômio Petróleo-China. Se o petróleo continuar acima dos US$ 100, Chicago manterá o suporte. Já no Brasil, a tração nos preços depende da agilidade nos portos e da normalização dos embarques para a Ásia.
Até lá, o produtor precisa de nervos de aço e uma calculadora bem calibrada. Afinal, ver o preço subir na tela e não no armazém é o tipo de ironia que o mercado de commodities adora pregar.
Imagem principal: IA.
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