Preço do milho em MS se mantém estável na faixa de R$ 53–54/saca, com demanda de usinas de etanol dando sustentação, enquanto indicador Cepea recua a R$ 68,53. Confira cotações.
Para quem tem pressa
- O preço médio do milho em MS fechou em **R$ 54,17/saca** em 02/10/2026, praticamente estável ante os R$ 53,92 de 01/10 e R$ 54,25 de 30/09
- Chapadão do Sul registrou o maior valor: **R$ 58,00/saca**; Dourados e Campo Grande operam a R$ 53,00 e R$ 53,00, respectivamente
- O indicador nacional do milho (Cepea/Esalq) recuou para R$ 68,53/saca em 02/10, queda de ~1,6% na semana
- Três usinas de etanol de milho operam em MS (Dourados, Sidrolândia e Maracaju), com uma quarta em implantação em Nova Alvorada do Sul
- MS responde por 20,9% da produção nacional de etanol de milho, com projeção de 2,128 bilhões de litros na safra 2025/26
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Preço do milho em Mato Grosso do Sul se mantém estável apesar de recuo nacional; demanda por etanol dá sustentação
Enquanto o mercado nacional registra recuo nas cotações do milho, pressionado por oferta abundante e menor liquidez de compradores, as praças de Mato Grosso do Sul mostram relativa firmeza. Dados do Sistema Famasul referentes a 02 de outubro de 2026 mostram o preço médio estadual em R$ 54,17 por saca, praticamente sem variação em relação aos dias anteriores. A expansão do parque industrial de etanol de milho no estado é apontada como um dos principais fatores de sustentação local, criando demanda permanente e reduzindo a dependência do grão em relação ao mercado externo e às exportações.
Cotações do milho nas principais praças de MS
A tabela abaixo reúne os valores à vista disponibilizados pelo Sistema Famasul, referentes a 02/10/2026:
| Praça | Preço por saca (R$) | Variação ante dia anterior (cálculo do Agron) |
|---|---|---|
| Chapadão do Sul | 58,00 | +3,50 (+6,42%) |
| Dourados | 54,00 | = (estável) |
| Maracaju | 54,00 | = (estável) |
| Campo Grande | 53,00 | -1,00 (-1,85%) |
| São Gabriel do Oeste | 53,00 | = (estável) |
| Sidrolândia | 53,00 | -1,00 (-1,85%) |
| Mato Grosso do Sul (média) | 54,17 | +0,25 (+0,46%) |
Fonte: Sistema Famasul / Granos Corretora — dados de 02/10/2026. Variações calculadas pelo Agron com base em valores de 01/10/2026.
Chapadão do Sul se destaca como a praça mais valorizada do estado, atingindo R$ 58,00/saca — R$ 4,00 acima da média estadual. A região concentra produção expressiva e proximidade a indústrias consumidoras. Já Campo Grande e Dourados operam na base de R$ 53,00/saca. Ponta Porã e Sonora não registraram cotação no período.
Demanda industrial por etanol dá suporte ao preço local
A diferença de comportamento entre o mercado mato-grossense-do-sul e o indicador nacional reflete, em parte, a presença de compradores industriais permanentes. Atualmente, três usinas de etanol de milho estão em operação no estado: em Dourados, Sidrolândia e Maracaju. Uma quarta unidade está em implantação em Nova Alvorada do Sul, com capacidade de processar 642 mil toneladas de milho por ano e produzir 273 mil metros cúbicos de etanol.
Com isso, Mato Grosso do Sul ocupa a segunda posição no ranking nacional de produção de etanol de milho, respondendo por 20,9% do total brasileiro. A projeção para a safra 2025/26 é de 2,128 bilhões de litros, crescimento de 33,9% em relação ao ciclo anterior.
A ampliação da capacidade de processamento significa que volume crescente da produção de milho é absorvido internamente, reduzindo a pressão de oferta sobre o mercado físico e dando firmeza aos preços. Conforme dados da Aprosoja/MS, na safra 2024/25 o estado produziu 13,9 milhões de toneladas de milho; desse total, cerca de 2 milhões de toneladas seguiram para exportação, enquanto a parcela restante foi absorvida por rações, indústria e mercado interno.
Cenário nacional vs. mercado local
No plano nacional, o Indicador Cepea/Esalq fechou em R$ 68,53/saca em 02/10, recuo de aproximadamente 1,6% na semana. A pressão vem de múltiplas frentes:
- Estoque elevado junto a compradores, reduzindo demanda imediata;
- Projeção de safra recorde nacional de 144 milhões de toneladas (Conab);
- Cotações internacionais enfraquecidas;
- Dólar mais valorizado, que desestimula exportações.
Na B3, o contrato futuro de milho com vencimento em novembro de 2026 foi cotado a aproximadamente R$ 71,67/saca em 02/10, recuo de 3,7% em relação ao fechamento de 28 de setembro. Mesmo assim, permanece acima do preço médio físico de MS, sinalizando expectativa de recuperação de preços nos próximos meses.
A diferença entre o preço médio de MS (R$ 54,17) e o indicador Cepea (R$ 68,53) reflete custos logísticos, prêmio de praça e também a sustentação dada pela demanda industrial local — um diferencial que tende a se fortalecer à medida que novas unidades entrem em operação.
Fatores de atenção
- Frete rodoviário: os preços de praça já incorporam o custo de transporte; variações no valor do frete podem alterar a atratividade de compra para regiões distantes.
- Volume estocado: o comportamento dos preços depende da velocidade de comercialização por parte dos produtores e da renovação de estoques nos armazéns.
- Mercado internacional: recuperação dos preços em Chicago ou maior ritmo de exportação pode reduzir a pressão baixista no mercado físico.
Fechamento
A sustentação dada pelo parque de etanol de milho em Mato Grosso do Sul tem se mostrado um amortecedor real diante da volatilidade do mercado nacional. A entrada em operação de novas unidades deve ampliar ainda mais essa base de demanda, conferindo maior previsibilidade de comercialização ao produtor. Ainda assim, a firmeza dos preços locais dependerá do ritmo de retirada de estoques e da evolução das cotações nos mercados de referência.
Fontes
- Sistema Famasul / Granos Corretora — cotações de milho em MS (29/09 a 02/10/2026)
- Cepea/Esalq — Indicador do milho, 02/10/2026
- Aprosoja/MS — Expansão de usinas de etanol de milho em MS
- Conab / BioSul — Produção de etanol de milho na safra 2025/26
- B3 / Farmnews — Contrato futuro de milho NOV/26
- Imagem principal: Depositphotos
