Em 06/10/2026, saca do milho marca R$ 52,80 no MS. Usinas de etanol e ração absorvem volumes, mas diferencial em relação ao Cepea/SP segue em R$ 14,43.
PARA QUEM TEM PRESSA
- O preço médio do milho no MS foi de R$ 52,80/saca em 06/10/2026, contra R$ 53,67 na véspera — leve recuo, mas estabilidade nas principais praças
- Usinas de etanol e indústria de ração absorvem volumes expressivos da produção local, dando suporte aos preços
- Dourados, Campo Grande, Sidrolândia e São Gabriel do Oeste registraram R$ 53,00/saca; Maracaju, R$ 52,00
- O milho do MS opera com diferencial de aproximadamente R$ 14,43/saca abaixo do indicador Cepea/Esalq (SP), alinhado com custos de frete
- Mais de 53% da safrinha 2025/26 já foi comercializada, mas fluidez das exportações e custos logísticos seguem definindo a margem final do produtor
Facebook Portal Agron, nosso canal do Whatsapp Portal Agron, o Grupo do Whatsapp Portal Agron, e Telegram Portal Agron mantém você atualizado com as melhores matérias sobre o agronegócio brasileiro.
Acompanhe as cotações de soja, milho, boi gordo, vaca gorda, novilha gorda e boi China
Consumo de milho por usinas de etanol dá suporte aos preços em Mato Grosso do Sul
O mercado de milho em Mato Grosso do Sul encerrou a primeira semana de outubro com estabilidade de preços, mesmo diante da pressão exercida pela oferta abundante de safrinha em outras regiões do país. Em 06 de outubro de 2026, a saca de 60 kg foi cotada em média a R$ 52,80 no mercado disponível estadual, conforme levantamento do Sistema Famasul / Granos Corretora. A demanda interna, impulsionada especialmente pelas usinas de etanol de milho e pela indústria de ração, tem funcionado como principal amortecedora dos preços no estado.
Preços por praça no MS — 06/10/2026
As cotações variaram pouco entre os principais centros produtores do estado, com exceção de Maracaju:
| Praça | Preço (R$/saca 60 kg) |
|---|---|
| Mato Grosso do Sul (média) | 52,80 |
| Dourados | 53,00 |
| Campo Grande | 53,00 |
| Sidrolândia | 53,00 |
| São Gabriel do Oeste | 53,00 |
| Maracaju | 52,00 |
| Chapadão do Sul | Sem cotação disponível |
Fonte: Sistema Famasul / Granos Corretora — dados de 06/10/2026
Comparação com indicadores de mercado
A diferença entre o preço praticado no MS e as referências nacionais permaneceu expressiva nesta semana, refletindo a estrutura logística de escoamento:
| Indicador | Valor (R$/saca 60 kg) | Data | Fonte |
|---|---|---|---|
| Mato Grosso do Sul (média) | 52,80 | 06/10/2026 | Famasul/Granos Corretora |
| Cepea/Esalq (Campinas-SP) | 67,23 | 06/10/2026 | Cepea |
| B3 — Contrato Nov/26 | 69,80 | 06/10/2026 | B3 |
Cálculo do Agron: O diferencial médio do MS em relação ao Cepea/SP foi de R$ −14,43 por saca**, valor consistente com o custo de frete rodoviário interestadual para escoamento até portos ou estados consumidores. Em relação ao contrato futuro de novembro/26 na B3, o desconto chega a **R$ −17,00/saca.
Demanda local: Usinas de etanol como âncora
Mato Grosso do Sul já é o segundo maior produtor nacional de etanol de milho, com estimativa de produção de 2,128 bilhões de litros na safra 2025/26 — cerca de 20,9% do total do Brasil, segundo dados da Conab. Três unidades já operam em Dourados, Sidrolândia e Maracaju, com uma quarta em implantação em Nova Alvorada do Sul.
Esse parque industrial tem criado um canal permanente de absorção de grãos dentro do próprio estado, reduzindo a dependência do produtor sul-mato-grossense de rotas de exportação via Paranaguá e de transportes longos para outros centros consumidores.
A indústria de bioenergia segue absorvendo parte da oferta, enquanto produtores mantêm cautela na comercialização.
— Brasilagro, 05/10/2026
Comercialização e perspectivas
A comercialização da safrinha 2025/26 de milho no MS atingiu mais de 53% da produção, conforme dados do início de outubro. O ritmo está em linha com médias históricas, mas abaixo do volume registrado no mesmo período de 2025.
A pergunta que permanece no campo: o consumo das usinas será suficiente para blindar os preços frente à safrinha abundante nacional? A resposta ainda depende de duas variáveis:
- A fluidez das exportações pelo porto de Paranaguá — se o escoamento desacelerar, a pressão de oferta pode aumentar;
- O ritmo de plantio e as expectativas de preço para a safra 2026/27 — produtores têm restringido oferta na esperança de melhora de preços no primeiro trimestre de 2027.
Conclusão
O milho no MS encontra suporte estrutural na demanda crescente das usinas de etanol e da ração animal, o que tem evitado recuos mais acentuados mesmo com oferta nacional elevada. Contudo, a base fortemente negativa em relação a São Paulo e ao mercado futuro mostra que o prêmio de permanecer com o grão no estado é limitado. A margem líquida do produtor continuará sendo definida, sobretudo, pela capacidade de venda direta para compradores locais e pela gestão dos custos de frete.
Fontes
- Sistema Famasul / Granos Corretora — cotações de 01 a 06/10/2026
- Cepea/Esalq — indicador do milho de 06/10/2026
- B3 — fechamento do contrato de milho Nov/26 de 06/10/2026
- Conab / Aprosoja-MS — produção de etanol de milho em MS
- Safras & Mercado — comercialização da safrinha 2026
- Imagem principal: Depositphotos
