saca de milho
O preço do milho iniciou a primeira rodada de negócios pós-feriado mostrando uma forte regionalização e disparidades acentuadas entre os estados brasileiros. Enquanto os portos e a região Sul mantêm patamares elevados — com Porto Alegre (RS) liderando a R$ 67,00 e Paranaguá (PR) sustentando R$ 66,50 —, o Centro-Oeste segue pressionado pela proximidade e evolução da safrinha. Em Mato Grosso, a saca de 60 kg chega a tocar o piso de R$ 40,00 em Lucas do Rio Verde, evidenciando o grande desafio logístico e de armazenagem que o produtor enfrenta neste momento.
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O retorno dos corretores e compradores às mesas de negociação após o feriado prolongado trouxe um cenário de extrema volatilidade e ajustes técnicos para o mercado interno de grãos. O preço do milho reflete o cabo de guerra tradicional desta época do ano: a forte demanda consumidora nas regiões criatórias de aves e suínos contra o avanço das colheitadeiras nas principais frentes agrícolas do país.
Com o câmbio oscilando e o mercado internacional na Bolsa de Chicago (CBOT) buscando direção, o mercado físico brasileiro opera em velocidades distintas. A liquidez varia consideravelmente de uma região para outra, forçando indústrias e tradings a calibrarem suas estratégias de originação.
Nas praças da região Sul, o preço do milho encontra forte suporte na demanda local para ração animal e na paridade de exportação. O estado do Rio Grande do Sul apresenta as cotações mais elevadas do país, com Porto Alegre registrando R$ 67,00 por saca, seguido de perto por Passo Fundo e Erechim a R$ 64,00.
Em Santa Catarina, o panorama não é diferente. Chapecó, Concórdia e Campos Novos sustentam R$ 66,00, operando muito próximos do valor praticado no porto de Paranaguá (PR), que fechou o dia a R$ 66,50. No interior paranaense, Campo Mourão e Maringá seguem estabilizados em R$ 60,00, demonstrando uma postura mais conservadora por parte dos produtores locais.
No estado de São Paulo, o consumo doméstico mantém as cotações firmes. Tanto a capital paulista quanto a região de Campinas operam com o preço do milho cotado a R$ 64,25, enquanto Sorocaba registra R$ 62,26. A exceção paulista fica por conta da Mogiana, onde a saca recuou para R$ 56,43 devido à maior proximidade com os fluxos de grãos vindos de Minas Gerais e do Centro-Oeste.
Se o Sul e o Sudeste respiram com preços mais altos, o Centro-Oeste sente o peso da oferta. Em Mato Grosso, o preço do milho reflete uma realidade de abundância e gargalos logísticos. A praça de Lucas do Rio Verde registra o menor valor do levantamento nacional, batendo R$ 40,00 por saca. Sorriso opera a R$ 42,00, enquanto Rondonópolis, que conta com uma logística ferroviária facilitada, consegue manter a saca em R$ 45,00.
No Mato Grosso do Sul, a estabilidade predomina em patamares intermediários. Campo Grande e Dourados mantêm o preço do milho em R$ 51,00, enquanto municípios do norte e nordeste do estado, como Chapadão do Sul e Costa Rica, exibem uma leve vantagem, negociados a R$ 53,00.
| Estado (UF) | Cidade / Praça | Preço de Compra (Saca 60 kg) |
| PR | Paranaguá | R$ 66,50 |
| PR | Campo Mourão | R$ 60,00 |
| PR | Cascavel | R$ 59,00 |
| PR | Maringá | R$ 60,00 |
| PR | Ponta Grossa | R$ 62,50 |
| PR | Guarapuava | R$ 61,00 |
| SP | São Paulo | R$ 64,25 |
| SP | Campinas | R$ 64,25 |
| SP | Sorocaba | R$ 62,26 |
| SP | Mogiana | R$ 56,43 |
| MS | Campo Grande | R$ 51,00 |
| MS | Dourados | R$ 51,00 |
| MS | Chapadão do Sul | R$ 53,00 |
| MS | Costa Rica | R$ 53,00 |
| MT | Rondonópolis | R$ 45,00 |
| MT | Campo Verde | R$ 43,00 |
| MT | Tangará da Serra | R$ 43,00 |
| MT | Sapezal | R$ 43,00 |
| MT | Sorriso | R$ 42,00 |
| MT | Lucas do Rio Verde | R$ 40,00 |
| GO | Itumbiara | R$ 54,00 |
| GO | Rio Verde | R$ 54,00 |
| MG | Uberaba | R$ 59,00 |
| MG | Uberlândia | R$ 59,00 |
| MG | Unaí | R$ 54,00 |
| MG | Patos de Minas | R$ 59,00 |
| SC | Chapecó | R$ 66,00 |
| SC | Concórdia | R$ 66,00 |
| SC | Campos Novos | R$ 66,00 |
| SC | Canoinhas | R$ 65,50 |
| RS | Erechim | R$ 64,00 |
| RS | Passo Fundo | R$ 64,00 |
| RS | Porto Alegre | R$ 67,00 |
| BA | Luis Eduardo Magalhães | R$ 55,00 |
Em Goiás, o mercado demonstra homogeneidade entre os principais polos agrícolas. Itumbiara e Rio Verde negociam a saca a R$ 54,00, um valor que permite alguma margem ao produtor, mas que reflete a forte concorrência com o grão mato-grossense.
Minas Gerais apresenta um cenário de resiliência nas principais praças do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Uberaba, Uberlândia e Patos de Minas mantêm o preço do milho em R$ 59,00. Já na região Noroeste do estado, a praça de Unaí acompanha o ritmo do mercado goiano e fecha a R$ 54,00.
Por fim, na Bahia, a praça de Luís Eduardo Magalhães, termômetro do Matopiba, sustenta a saca de 60 kg a R$ 55,00. A demanda das granjas nordestinas atua como um colchão amortecedor, evitando quedas bruscas mesmo diante da pressão de colheita nas regiões vizinhas.
Para o produtor de grãos, o momento exige planejamento cirúrgico na comercialização. Analistas sugerem que a pressão sazonal de colheita deve continuar testando os suportes de preço nas regiões produtoras do Centro-Oeste. No entanto, o apetite exportador nos portos e a necessidade das indústrias de proteína animal no Sul do país devem atuar para evitar um colapso generalizado das cotações. Acompanhar de perto o frete rodoviário e as janelas de exportação será fundamental para garantir a rentabilidade da safra.
Este artigo é de caráter informativo e opinativo, com dados e cotações referentes ao dia 05/06/2026. As informações podem conter imprecisões, sendo sua utilização de responsabilidade exclusiva do leitor. O conteúdo não constitui recomendação de investimento, orientação financeira, consultoria jurídica ou aconselhamento comercial. Decisões devem considerar as particularidades de cada operação, os regulamentos aplicáveis e, quando necessário, o apoio de profissionais habilitados. Os autores e o site não se responsabilizam por decisões tomadas com base neste material.
Fonte: Scot Consultoria, diversos sites especializados, além de informações levantadas diretamente com fazendas, veterinários e zootecnistas atuantes no mercado pecuário.
Imagem principal: Gerada por IA.
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