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Preço do milho: O raio-X das cotações que você precisa ver

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O preço do milho apresenta forte disparidade entre as regiões brasileiras. Veja as cotações completas da saca de 60 kg e entenda os fatores do mercado.

Para Quem Tem Pressa:

O mercado físico brasileiro reflete uma forte disparidade regional no preço do milho por saca de 60 kg. Enquanto os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul lideram as cotações com valores que alcançam até R$ 67,00, os produtores do Mato Grosso enfrentam uma realidade severa de baixos retornos, com a saca negociada a partir de R$ 38,00. Essa fragmentação realça os gargalos logísticos crônicos e o impacto direto do custo de frete na rentabilidade do produtor rural brasileiro.

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Preço do milho: O abismo invisível entre o Sul e Mato Grosso

O mercado brasileiro de grãos vivencia um cenário de extrema fragmentação regional, evidenciado de forma explícita nas planilhas de comercialização do país. O preço do milho para a saca de 60 kg expõe uma disparidade tão acentuada que, para os desavisados, os números poderiam pertencer a países diferentes. No entanto, trata-se do mesmo Brasil, onde a distância geográfica e o peso implacável do frete rodoviário ditam quem lucra alto e quem mal consegue cobrir os custos operacionais da lavoura.

Enquanto as granjas e indústrias de proteína animal do Sul do país disputam cada lote disponível a preços elevados, o Centro-Oeste — o coração produtivo do país — sofre com o excesso de oferta local e a escassez de infraestrutura de escoamento. Esse desequilíbrio estrutural gera dinâmicas de negociação completamente distintas a depender da latitude do comprador.

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O Topo da Tabela: A Pressão de Demanda no Extremo Sul

Na ponta compradora mais agressiva, os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul registram o maior preço do milho no território nacional. Em Porto Alegre (RS), a saca atinge a marca impressionante de R$ 67,00, seguida de perto por praças catarinenses tradicionais como Concórdia e Campos Novos, cotadas a R$ 66,00. A explicação para esse fenômeno não é nenhum mistério de economia avançada: o Sul abriga o maior polo agroindustrial de suínos e aves do Brasil e consome muito mais grão do que é capaz de colher.

Para abastecer essas estruturas, as indústrias precisam importar o cereal de outras regiões, absorvendo as tarifas logísticas. Como o milho não voa — e as ferrovias continuam sendo promessas distantes para boa parte do fluxo interno —, o frete rodoviário acaba sendo embutido na cotação final, elevando o custo da ração e espremendo as margens da atividade pecuária local.


O Cenário no Sudeste e no Paraná

Abaixo do extremo sul, estados como Paraná e São Paulo mantêm um patamar intermediário de sustentação. O porto de Paranaguá (PR) opera como uma importante referência de exportação, sustentando o preço do milho em R$ 65,00, servindo de termômetro para o escoamento marítimo. Já no interior paranaense, as praças de Campo Mourão e Cascavel mostram um recuo saudável para a faixa de R$ 57,50 a R$ 58,00, refletindo uma oferta regional um pouco mais equilibrada.

Em São Paulo, a capital e a região de Campinas operam alinhadas em R$ 63,51. O mercado paulista se beneficia da proximidade com grandes centros consumidores, mas também sente a pressão do custo de transporte que vem do Centro-Oeste, o que impede uma queda mais expressiva nas cotações de balcão.


A Depressão de Preços no Coração do Mato Grosso

Se por um lado o Sul chora os preços altos, no norte de Mato Grosso o produtor vive um drama inverso. Em Sorriso e Lucas do Rio Verde, o preço do milho despenca para o patamar crítico de R$ 38,00 por saca. É uma diferença de quase R$ 30,00 por saca em relação ao mercado gaúcho. Ironicamente, a região que mais domina a tecnologia de cultivo e que registra recordes de produtividade por hectare é a que menos retém valor pelo seu produto.

Essa desvalorização local ocorre porque o volume produzido supera brutalmente a capacidade de consumo interno do estado. Sem indústrias locais suficientes para processar todo esse volume em ração ou etanol de milho, o excedente precisa obrigatoriamente viajar milhares de quilômetros para encontrar um destino útil. No fim das contas, o preço do milho mato-grossense acaba sendo penalizado pelo custo logístico: o comprador desconta o valor do frete rodoviário diretamente da margem de lucro de quem plantou.


Perspectivas para o Produtor Rural

Diante desse cenário desafiador, a recomendação dos analistas de mercado para o médio produtor é focar em estratégias avançadas de comercialização, como contratos futuros e operações de barter, para garantir o custeio da próxima safra. Para quem atua no Centro-Oeste, investir em estruturas próprias de armazenagem estática continua sendo o melhor caminho para evitar as vendas forçadas nos momentos de colheita, quando o preço do milho atinge suas mínimas sazonais.

Enquanto o Brasil não resolver de forma definitiva seus gargalos de infraestrutura multimodal, a tendência é que o preço do milho continue operando em realidades paralelas, desafiando a gestão financeira das propriedades rurais de norte a sul.


A Tabela Completa de Cotações nas Principais Praças

Para ilustrar a fundo essa divisão mercadológica, compilamos os dados oficiais das principais praças brasileiras de comercialização para a saca de 60 kg:

UFCidade / Praça de ComercializaçãoPreço de Compra (R$ / 60 kg)
RSPorto Alegre67,00
SCConcórdia / Campos Novos66,00
PRParanaguá65,00
SCChapecó / Canoinhas65,00
RSErechim / Passo Fundo64,00
SPSão Paulo / Campinas63,51
PRGuarapuava60,00
SPSorocaba59,96
PRPonta Grossa59,50
PRCampo Mourão / Maringá58,00
PRCascavel57,50
BALuís Eduardo Magalhães57,00
SPMogiana55,93
MGUberaba / Uberlândia / Unaí / Patos de Minas54,00
GOItumbiara / Rio Verde52,00
MSChapadão do Sul / Costa Rica51,00
MSCampo Grande / Dourados49,00
MTRondonópolis44,00
MTCampo Verde43,00
MTTangará da Serra / Sapezal42,00
MTSorriso / Lucas do Rio Verde38,00

Disclaimer

Este artigo é de caráter informativo e opinativo, com dados e cotações referentes ao dia 19/06/2026. As informações podem conter imprecisões, sendo sua utilização de responsabilidade exclusiva do leitor. O conteúdo não constitui recomendação de investimento, orientação financeira, consultoria jurídica ou aconselhamento comercial. Decisões devem considerar as particularidades de cada operação, os regulamentos aplicáveis e, quando necessário, o apoio de profissionais habilitados. Os autores e o site não se responsabilizam por decisões tomadas com base neste material.

Fonte: Scot Consultoria, diversos sites especializados, além de informações levantadas diretamente com fazendas, veterinários e zootecnistas atuantes no mercado pecuário.

Imagem principal: Depositphotos.


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