Preço dos grãos em Chicago: 3 fatores que derrubaram a bolsa

O preço dos grãos em Chicago recuou após sinais de cessar-fogo no Oriente Médio e clima perfeito nos EUA. Veja o impacto para a soja, milho e trigo.

Para Quem Tem Pressa

O preço dos grãos em Chicago registrou quedas firmes nesta quinta-feira (21/5). O principal motor dessa retração foi o anúncio de um acordo preliminar de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, mediado pelo Paquistão, acalmando o mercado de commodities. Para ajudar os ursos (vendedores) da bolsa, o clima nos EUA está jogando a favor da safra 2026/27, acelerando o plantio. A soja para julho fechou em baixa de 0,46% (US$ 11,9425/bushel), o milho caiu 0,75% e o trigo despencou quase 2%.


Facebook Portal Agron, nosso canal do Whatsapp Portal Agron, o Grupo do Whatsapp Portal Agron, e Telegram Portal Agron mantém você atualizado com as melhores matérias sobre o agronegócio brasileiro.

Publicidade

Acompanhe aqui todas as nossas cotações


Acordo histórico faz preço dos grãos em Chicago recuar

O mercado de commodities agrícolas acordou esperando a calmaria de uma quinta-feira normal, mas terminou o dia digerindo uma reviravolta geopolítica. O preço dos grãos em Chicago, que operava em estabilidade no início da tarde, tomou um rumo de queda acentuada. O motivo? Os rumores — agora transformados em indicações sólidas — de um acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã.

A negociação, que teria contado com a diplomacia do Paquistão, visa colocar um ponto final no conflito iniciado em fevereiro deste ano. Como o mercado financeiro detesta imprevisibilidade (mas adora reagir primeiro e perguntar depois), os ativos de risco que haviam surfado na alta do petróleo começaram a murchar. E, claro, o setor agropecuário sentiu o baque.


O tombo da soja: Geopolítica e concorrência brasileira

Para os contratos de soja com entrega em julho, o dia foi de perdas. A oleaginosa fechou em baixa de 0,46%, cotada a US$ 11,9425 por bushel.

Segundo Roberto Carlos Rafael, sócio da Germinar Agronegócios, o recuo do preço dos grãos em Chicago reflete diretamente essa debandada dos investidores dos fundos de alta volatilidade. No entanto, culpar apenas a paz no Oriente Médio seria ignorar o vizinho de baixo. O Brasil continua registrando um ritmo forte de exportações, jogando uma pressão de oferta considerável nos contratos futuros.

Para completar o cenário pessimista para os preços (e excelente para a produtividade), a safra americana 2026/27 está avançando sem nenhum grande obstáculo. De acordo com analistas, o plantio nos EUA está em ritmo acelerado e o clima atual é classificado como “excepcional”. Sem problemas climáticos à vista, o prêmio de risco desaparece.


Milho e Trigo acompanham a retração na CBOT

O milho também não escapou do otimismo pacífico global. Os contratos para julho do cereal fecharam o dia em queda de 0,75%, terminando negociados a US$ 4,6225 por bushel.

O alívio nas tensões internacionais foi o empurrão inicial, mas as condições agrícolas em solo americano pavimentaram o caminho de descida. O preço dos grãos em Chicago para o milho só não sofreu um tombo maior porque o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgou um dado robusto de vendas líquidas: 2,12 milhões de toneladas na semana encerrada em 14 de maio — um salto gigantesco frente às 684,8 mil toneladas da semana anterior.

Enquanto isso, no mercado de trigo, a queda foi ainda mais dolorosa para os produtores. Os contratos de julho despencaram 1,97%, fixados em US$ 6,4750 por bushel. O fator decisivo aqui foi uma melhora pontual nas lavouras de inverno dos EUA. O mapa da seca da safra americana mostrou que as áreas afetadas caíram de 71% para 70%. Uma mudança tímida, é verdade, mas associada à previsão de chuvas para os próximos dias, foi o suficiente para derreter as cotações.


O impacto no mercado de commodities agrícolas

O que o produtor brasileiro precisa monitorar agora é a acomodação dessas poeiras. Historicamente, quando o preço dos grãos em Chicago sofre reveses causados por fatores macroeconômicos e geopolíticos, o mercado físico interno tende a travar momentaneamente à espera de uma definição cambial.

A ironia do mercado de commodities é clássica: a perspectiva de paz mundial e o clima perfeito na América do Norte fazem os gráficos de rentabilidade do agricultor sangrarem na tela do computador.

Especialistas alertam que, com a janela de plantio americana correndo sem sustos, o foco do produtor nacional deve se voltar para a gestão de custos e o momento estratégico de comercialização interna, aproveitando os repiques do dólar. O viés para o preço dos grãos em Chicago, pelo menos no curto prazo, parece ter encontrado um teto bem definido.

Imagem principal: Meramente ilustrativa gerada por IA.

Douglas Carreson

Recent Posts

Super El Niño: Prejuízo bilionário ameaça o agro brasileiro

O fantasma do Super El Niño ameaça o Brasil em 2026. Entenda o alerta do…

1 hora ago

Mercado de carne suína bate recordes, mas esconde um grave problema

O mercado de carne suína cresce em consumo e exportações no Brasil, mas a queda…

2 horas ago

Café brasileiro: 3 motivos que fazem os EUA implorarem por ele

A ausência do café brasileiro pode inviabilizar o consumo da bebida nos EUA. Entenda o…

2 horas ago

Fibras de basalto: China usa tecnologia lunar contra desertificação

Tecnologia com fibras de basalto usada em missão lunar agora ajuda a China a combater…

14 horas ago

NAKAR Serenata: O Nelore que virou destaque nacional

NAKAR Serenata ganha destaque no Nelore nacional pela genética funcional, fertilidade e forte capacidade de…

14 horas ago

O segredo científico que protege a pesca no Pantanal

Como a ciência molda as políticas de pesca no Pantanal? Descubra o papel da Embrapa…

14 horas ago

This website uses cookies.