praias de água doce
Alter do Chão é um dos destinos mais impressionantes da Amazônia brasileira. Localizada no oeste do Pará, a vila reúne praias de areia branca, águas cristalinas do Rio Tapajós e o fenômeno em que dois gigantes da natureza correm lado a lado sem se misturar. Eleita melhor destino turístico nacional pelo prêmio UPIS de 2021, a região oferece experiências únicas entre floresta, rios, cultura ribeirinha e gastronomia amazônica.
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No coração do oeste paraense, Alter do Chão se transformou em um dos destinos mais desejados do turismo nacional. Banhada pelas águas do Rio Tapajós, a vila combina paisagens que parecem saídas de um cartão-postal com a autenticidade da cultura amazônica.
O reconhecimento veio em grande escala quando o prêmio UPIS de 2021 elegeu a região como o melhor destino turístico nacional, superando locais famosos como Chapada Diamantina e Jalapão.
Mas o que realmente chama atenção é a capacidade de reunir praias de areia branca, rios cristalinos, floresta preservada e um dos fenômenos naturais mais impressionantes do Brasil.
Fundada em 1626 pelo explorador português Pedro Teixeira, Alter do Chão pertence ao município de Santarém e possui pouco mais de seis mil habitantes.
A fama internacional ganhou força após o jornal britânico The Guardian destacar sua praia principal como a mais bonita praia de água doce do Brasil. Desde então, turistas de todas as partes passaram a incluir a vila em seus roteiros pela Amazônia.
O acesso é relativamente simples. A partir de Santarém, basta percorrer aproximadamente 37 quilômetros pela rodovia PA-457, totalmente asfaltada, até chegar às margens do Tapajós.
O resultado é um cenário que faz muitos visitantes questionarem se ainda estão na Amazônia ou em algum destino caribenho.
Um dos maiores tesouros da região acontece próximo à orla de Santarém.
Ali, as águas esverdeadas e transparentes do Tapajós encontram as águas barrentas do Rio Amazonas. Apesar da proximidade, os dois cursos seguem paralelos por vários quilômetros.
O fenômeno ocorre devido às diferenças de temperatura, densidade e velocidade das correntes.
A separação é visível da margem, mas ganha uma dimensão ainda mais impressionante durante os passeios de barco pelo Canal do Jari. Sem necessidade de filtros ou edição de imagem, o contraste natural cria uma das paisagens mais fascinantes da Amazônia.
Quem visita Alter do Chão descobre rapidamente que o destino vai muito além de suas famosas praias fluviais.
Principal cartão-postal da vila, a Ilha do Amor surge durante a vazante do rio. O banco de areia branca forma um cenário paradisíaco com águas rasas e mornas, perfeito para passeios de canoa e banhos tranquilos.
Entre fevereiro e julho, durante a cheia, a mata de igapó fica submersa. O resultado é um passeio inesquecível de canoa entre árvores parcialmente cobertas pelas águas.
Localizada a cerca de uma hora de barco da vila, essa praia combina formações rochosas, águas cristalinas e uma atmosfera mais tranquila para quem busca contato com a natureza.
Com formato que lembra um coração, a lagoa circunda a vila e oferece um dos pôres do sol mais fotografados da região do Tapajós.
Administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a unidade de conservação possui aproximadamente 549 mil hectares e mais de 160 quilômetros de praias fluviais.
Todos os anos, em setembro, Alter do Chão recebe a tradicional Festa do Sairé.
Considerada a manifestação cultural mais antiga da Região Norte, ela mistura tradições religiosas introduzidas pelos jesuítas com elementos indígenas preservados ao longo de gerações.
O momento mais aguardado é a disputa entre o Boto Cor-de-Rosa e o Boto Tucuxi.
As apresentações unem música, dança, teatro e simbolismos das lendas amazônicas. Centenas de participantes integram cada agremiação, enquanto milhares de turistas lotam a vila durante os dias de celebração.
A culinária local é outro grande atrativo de Alter do Chão.
Os ingredientes vêm diretamente dos rios e da floresta, criando sabores autênticos e difíceis de encontrar em outras regiões do país.
Considerado o maior peixe de escamas de água doce do mundo, é servido grelhado com farinha d’água e vinagrete de jambu.
Combina um dos peixes mais apreciados da Amazônia com o tradicional caldo amarelo produzido a partir da mandioca brava.
Preparado com tucupi, goma de tapioca, camarão seco e jambu, é conhecido pela sensação característica de leve dormência na boca.
Esqueça a versão adoçada popularizada em outras regiões. Aqui, o açaí é servido puro, geralmente acompanhado de farinha de tapioca ou peixe frito.
O Rio Tapajós determina completamente a paisagem da região.
Durante a cheia, a Ilha do Amor desaparece sob as águas e os passeios pela floresta inundada se tornam protagonistas.
Na vazante, surgem extensas faixas de areia branca que transformam a região em um verdadeiro paraíso tropical.
Por isso, cada época do ano oferece experiências completamente diferentes aos visitantes.
A principal porta de entrada para Alter do Chão é o Aeroporto Maestro Wilson Fonseca, em Santarém.
O terminal recebe voos diretos de cidades como Belém, Manaus e Brasília.
A partir do aeroporto, o trajeto até a vila tem cerca de 35 quilômetros e pode ser realizado em carro, táxi, aplicativo ou van em menos de uma hora.
Outra alternativa é chegar de barco por rotas fluviais que conectam Santarém a diversos municípios da Região Norte, proporcionando uma viagem repleta de paisagens amazônicas.
Alter do Chão reúne em poucos quilômetros algumas das experiências mais extraordinárias da Amazônia brasileira. Entre praias de água doce, floresta navegável, cultura ribeirinha, gastronomia regional e o encontro de rios que seguem separados por quilômetros, o destino oferece uma combinação rara de natureza e tradição.
Ver o Tapajós e o Amazonas correndo lado a lado sem se misturar é apenas uma das muitas razões que explicam por que a vila se tornou um dos lugares mais fascinantes do país. Para quem busca uma Amazônia diferente, acessível e surpreendente, Alter do Chão é uma experiência inesquecível.
Imagem principal: YouTube.
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