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Preço dos Fertilizantes: Queda da ureia alivia custos antes da safra

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O preço dos fertilizantes registra recuo expressivo puxado pela ureia no Porto de Paranaguá. Entenda os fatores logísticos, cambiais e a estratégia dos produtores.

Para Quem Tem Pressa

A queda no preço dos fertilizantes ganhou força na segunda semana de junho, impulsionada por uma estratégia clara do produtor brasileiro: o modo de espera. A recusa em fechar grandes volumes travou as indústrias e forçou desvalorizações expressivas nos nitrogenados, com destaque para a ureia, que desabou R$ 357,00 por tonelada em apenas sete dias. Em contrapartida, o avanço do câmbio para R$ 5,16 segurou as cotações de fosfatados e do potássio em moeda nacional, gerando um cenário de extrema volatilidade e queda de braço entre cooperativas e fornecedores de insumos.

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Queda Puxada por Estratégia de Compras e Cenário Internacional

O encerramento do primeiro semestre expôs uma realidade incômoda para os fornecedores de insumos agrícolas: a ausência crônica de uma carteira de pedidos robusta. Como as relações de troca ainda se encontram em níveis desfavoráveis ou historicamente elevados para o produtor rural, as cotações continuam frias. O cliente final percebeu com rapidez que a pressão exercida ao postergar as aquisições funciona como um mecanismo eficiente para empurrar o preço dos fertilizantes ainda mais para baixo.

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A tática de adiar o posicionamento obrigou as empresas importadoras e distribuidoras a buscar liquidez, acelerando as liquidações nos portos. No cenário global, a retração na demanda internacional somou-se a um fator decisivo: o retorno da China às exportações globais de nitrogenados. Diante de mais produto disponível no mercado internacional e compradores domésticos recuados, o mercado operou em compasso de espera, revertendo as pressões altistas do início do ano.

As retrações nas tabelas de preços de importação só não alcançaram patamares mais profundos devido a gargalos geopolíticos que se estendem há semanas. O principal entrave reside na insegurança de navegação observada no Estreito de Ormuz. Analistas apontam que o fluxo de embarcações e o tráfego comercial pela região podem caminhar para uma normalização caso a postura geopolítica da presidência dos Estados Unidos mude, o que removeria o último suporte técnico de sustentação de preços para os fretes e prêmios internacionais.


Comportamento dos Nitrogenados no Porto de Paranaguá

No segmento de nitrogenados, os dados levantados entre os dias 5 e 12 de junho revelaram cortes significativos nas cotações praticadas no Porto de Paranaguá, tanto em moeda nacional quanto nas transações parametrizadas em dólares norte-americanos (CFR).

A maior movimentação partiu da Ureia 46%. No intervalo de uma semana, o produto registrou desvalorização nominal de R$ 357,00 por tonelada no mercado físico interno, saindo de R$ 3.112,00 para R$ 2.755,00 — um tombo expressivo de 11,5%. Quando analisado sob a ótica do dólar, o recuo foi de US$ 80,00 por tonelada (queda de 14,8%), fechando a rodada cotado a US$ 459,00.

O Sulfato de Amônio acompanhou a tendência declinante, apresentando um recuo de 3,6% em Reais, o equivalente a uma redução de R$ 55,00 por tonelada, encerrando cotado a R$ 1.471,00. Em dólares, a retração foi de 8,1% (menos US$ 20,00 por tonelada), fixando-se em US$ 228,00. O Nitrato de Amônio destoou levemente devido a ajustes internos de frete e custos operacionais, registrando estabilidade com viés de alta de 0,3% em Reais (+R$ 9,00/ton), cotado a R$ 2.745,00. Contudo, em termos de moeda estrangeira, o produto também recuou, caindo 2,7% ou US$ 13,00 por tonelada, negociado a US$ 461,00.


Tabela 1: Comportamento dos Nitrogenados em Reais (base Porto de Paranaguá)

Produtos12/jun05/junVar. R$Var. %
Sulfato de AmônioR$ 1.471,0R$ 1.526,0-R$ 55,0-3,6%
Nitrato de AmônioR$ 2.745,0R$ 2.736,0R$ 9,00,3%
Ureia 46%R$ 2.755,0R$ 3.112,0-R$ 357,0-11,5%

Tabela 2: Comportamento dos Nitrogenados em Dólares (base Porto de Paranaguá)

Produtos12/jun05/junVar. US$Var. %
Sulfato de Amônio$228,0$248,0-$20,0-8,1%
Nitrato de Amônio$461,0$474,0-$13,0-2,7%
Ureia 46%$459,0$539,0-$80,0-14,8%

Câmbio Inflaciona Fosfatados e Sustenta Cloreto de Potássio

Ao contrário do colapso visto nos nitrogenados, os produtos fosfatados mostraram comportamento divergente, influenciados diretamente pelas variações macroeconômicas. Houve um avanço nítido nas tabelas em Reais, mas o movimento foi impulsionado essencialmente pela desvalorização do Real frente ao dólar, visto que a taxa de câmbio saltou de R$ 5,02 para R$ 5,16 no período de análise.

Os fundamentos de oferta para os fosfatados de alta concentração permanecem severamente restritos em escala global. A China continua retendo suas licenças de exportação para priorizar o abastecimento de seu mercado interno, o que limita a concorrência e o volume de navios direcionados ao Ocidente. Paralelamente, as matérias-primas essenciais, como o Enxofre e o Ácido Fosfórico, registraram valorizações agressivas no mercado internacional, operando com estoques extremamente curtos.

Em função disso, analistas descartam reduções consistentes no preço dos fertilizantes fosfatados expressos em dólares para a atual safra; qualquer alívio ao agricultor brasileiro dependerá exclusivamente de uma eventual retração da moeda norte-americana.

Nas transações em Paranaguá, o Map 11-52 subiu R$ 140,00 por tonelada (+2,8%), atingindo R$ 5.150,00. O Super Simples 18% avançou R$ 32,00 por tonelada (+1,7%), fixando-se em R$ 1.894,00, enquanto o Super Triplo 46% subiu R$ 125,00 por tonelada (+3,0%), negociado a R$ 4.236,00.

No caso do Cloreto de Potássio (KCl 60%), o mercado demonstra ampla estabilidade de fundamentos. O preço registrou variação positiva pontual de R$ 56,00 por tonelada (+2,4%), motivada estritamente pelo ajuste cambial, fechando a R$ 2.430,00. O mercado de potássio no Brasil avança de forma gradativa, consolidando-se como o nutriente com o maior percentual de intenção de compra já fixado para o próximo ciclo agrícola.


Tabela 3: Comportamento dos Fosfatados em Reais (base Porto de Paranaguá)

Produtos12/jun05/junVar. R$Var. %
Map 11-52R$ 5.150,0R$ 5.010,0R$ 140,02,8%
Super Simples 18%R$ 1.894,0R$ 1.862,0R$ 32,01,7%
Super Triplo 46%R$ 4.236,0R$ 4.111,0R$ 125,03,0%

Tabela 4: Comportamento do Cloreto de Potássio em Reais (base Porto de Paranaguá)

Produtos12/jun05/junVar. R$Var. %
Cloreto de PotássioR$ 2.430,0R$ 2.374,0R$ 56,02,4%

Especulação, Crédito Travado e o Risco de Destruição de Demanda

O ritmo de comercialização para a próxima safra varia de forma acentuada entre as principais regiões produtoras do país, alimentando uma série de especulações no setor de logística e distribuição. Embora alguns estados demonstrem um cronograma de compras ligeiramente mais adiantado, a postura majoritária é de cautela extrema. Tornou-se evidente que o produtor rural que não se posicionou até o momento pretende esticar a corda e adiar a decisão de compra ao limite regulamentar das janelas de plantio.

Esse comportamento estratégico, contudo, carrega riscos operacionais claros. Ao concentrar as aquisições às vésperas da semeadura, o setor agrícola assume o risco de não encontrar formulações específicas ou marcas de preferência no mercado interno, além de se expor inevitavelmente a estrangulamentos logísticos nos fretes rodoviários e na movimentação interna dos portos.

Outro ponto crítico que trava a fluidez do mercado reside nos departamentos de análise de crédito das grandes companhias de insumos e misturadoras. Há um volume expressivo de propostas e pacotes de troca parados nas mesas de análise cadastral, aguardando garantias adicionais ou renegociações de dívidas passadas dos produtores.

Esse travamento conjunto — de um lado a postura defensiva do produtor em relação ao preço dos fertilizantes e, do outro, o rigor das instituições financeiras e indústrias — pode culminar em um fenômeno técnico conhecido como “destruição de demanda”. Nesse cenário, o agricultor, incapaz de coordenar prazos de entrega, crédito e margens financeiras satisfatórias, opta de forma deliberada por reduzir a dosagem tecnológica recomendada no campo, aplicando volumes de NPK inferiores aos necessários para a manutenção do teto produtivo das lavouras.

Imagem principal: Depositphotos.


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