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Preço da carne bovina: A distorção que encarece o prato em SP

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O preço da carne bovina registrou alta no varejo de SP e PR, desafiando a queda no atacado. Entenda as variações de cortes e o recorde no abate de fêmeas.

Para Quem Tem Pressa

O preço da carne bovina subiu no varejo de São Paulo (+0,4%) e do Paraná (+0,2%), na contramão do recuo generalizado no setor atacadista. Enquanto as carcaças com osso caíram até 5,2% e os cortes desossados recuaram 0,9% no atacado, o consumidor paulistano e paranaense sentiu o bolso pesar. Paralelamente, o mercado futuro do boi gordo renovou as máximas históricas para outubro de 2026, atingindo R$ 360,00 por arroba, impulsionado por um abate recorde de fêmeas no primeiro trimestre, acendendo um alerta para a oferta futura de proteína no Brasil.

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Preço da carne bovina sobe no varejo paulistano e contraria queda generalizada no atacado

A primeira metade do mês foi concluída trazendo um paradoxo para o bolso do consumidor do Sul e Sudeste. O preço da carne bovina registrou valorização no varejo de praças selecionadas como São Paulo e Paraná, contrariando o movimento de baixa observado no mercado atacadista e nas demais regiões monitoradas. Enquanto o atacado opera com extrema cautela nas compras para evitar sobras incômodas em estoque, o varejo demonstra um equilíbrio regionalizado, dividindo-se milimetricamente entre praças em alta e em baixa.

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O paradoxo dos frigoríficos: Atacado de carne com osso em declínio

No mercado atacadista de carne com osso, a realidade foi de retração generalizada nos preços das carcaças casadas. Aparentemente, os distribuidores não estão encontrando facilidade para repassar custos.

A cotação da carcaça casada do boi capão registrou recuo de 3,5%, sendo comercializada a R$ 22,20/kg. Já a carcaça do boi inteiro apresentou uma desvalorização de 4,3%, apregoada em R$ 21,30/kg. O recuo foi ainda mais severo no segmento de fêmeas: a carcaça casada da vaca caiu 5,1% (cotada a R$ 20,50/kg), enquanto a da novilha recuou 5,2%, fechando o período negociada a R$ 20,85/kg.


Cortes desossados: Queda massiva pressiona as médias

Para quem compra carne desossada no atacado, o cenário seguiu a mesma toada de baixa. A média geral dos preços recuou 0,9%, uma queda fortemente pressionada pelo desempenho negativo de 19 dos 22 cortes monitorados pelo setor.

  • Cortes do Traseiro: Registratam queda média de 0,8%. Dos itens avaliados, 13 cortes fecharam em baixa, dois mantiveram-se estáveis e apenas um conseguiu registrar alta. O principal destaque de desvalorização foi a fraldinha, que recuou 2,3% no período.
  • Cortes do Dianteiro: A retração foi ainda mais acentuada, com uma queda média de 1,6%. Todos os seis cortes do dianteiro cotados registraram desvalorização, com destaque para a paleta sem músculo, cuja queda foi de 2,9%.

Abaixo, os dados detalhados apontam as cotações médias e variações no mercado atacadista paulistano:

Tabela 1. Preços médios dos cortes sem osso no mercado atacadista de São Paulo, em R$/kg

Atacado – CortesPreço (R$/kg)Variação 7 dias (R$)Variação 30 dias (R$)Variação Ano (R$)
Acém26,06-2,1%-4,9%6,2%
Alcatra (miolo)35,68-1,0%-4,1%8,6%
Alcatra c/ maminha34,02-0,5%-4,0%5,4%
Alcatra completa40,37-1,2%-3,2%0,5%
Capa de filé27,18-1,2%-4,6%9,9%
Contrafilé38,44-0,6%-4,9%6,5%
Coxão duro30,56-1,3%-4,4%4,5%
Coxão mole31,99-0,4%-3,8%3,8%
Cupim34,51-0,4%-3,1%2,3%
Filé mignon s/ cordão61,580,0%-2,7%13,8%
Filé mignon c/ cordão68,740,8%-3,1%16,0%
Fraldinha31,69-2,3%-4,7%5,5%
Lagarto30,01-0,8%-2,8%6,8%
Lombinho24,69-0,3%-2,9%10,8%
Maminha35,82-1,0%-4,3%10,1%
Músculo26,14-2,1%-4,4%3,4%
Paleta c/ músculo26,08-2,2%-6,5%5,6%
Paleta s/ músculo26,63-2,9%-7,4%5,9%
Patinho32,780,0%-3,8%5,6%
Peito25,88-1,8%-5,6%3,7%
Picanha A63,58-0,7%-0,5%9,6%
Picanha B48,74-1,9%-3,2%13,7%

A gangorra do varejo: São Paulo e Paraná encarecem a refeição

No varejo, o cenário foi marcado por uma divisão exata: metade das praças avaliadas registrou valorização nos preços, enquanto a outra metade apresentou alívio para os consumidores. Infelizmente para os paulistas e paranaenses, suas praças ficaram do lado mais caro da tabela.

  • São Paulo: A média geral do preço da carne bovina no varejo subiu 0,4%. O equilíbrio foi cirúrgico, com oito cortes registrando alta, oito em queda e quatro mantendo estabilidade. Ironicamente, a maior variação pontual de queda ocorreu no contrafilé, que recuou 3,4% na gôndola.
  • Paraná: Os preços subiram, em média, 0,2%. O estado registrou 10 cortes em queda, oito em alta e dois estáveis, tendo como grande vilã a costela, que disparou 4,1%.
  • Minas Gerais: Na contramão, a média mineira recuou 0,8%, computando 14 cortes em queda, cinco em alta e um estável. O destaque isolado de alta foi a alcatra com maminha, que subiu 5,2%.
  • Rio de Janeiro: Os fluminenses tiveram o maior alívio, com recuo médio de 0,9% (11 cortes em queda, sete em alta e dois estáveis). No entanto, o churrasco de costela ficou salgado, registrando alta expressiva de 6,5%.

A dinâmica semanal dos preços praticados diretamente ao consumidor final pode ser observada detalhadamente abaixo:

Tabela 2. Preços médios dos cortes no mercado varejista na semana, em R$/kg

Varejo – Cortes (R$/kg)São Paulo (SP)Paraná (PR)Minas Gerais (MG)Rio de Janeiro (RJ)
Acém47,3739,3445,8244,93
Alcatra (miolo)63,4063,6770,8163,32
Alcatra c/ maminha54,5755,6059,0956,06
Contrafilé60,1863,3364,2260,16
Costela*32,9835,2235,3134,44
Coxão duro51,3849,6457,6754,36
Coxão mole54,0853,3359,4654,56
Cupim48,2344,8751,3848,07
Filé mignon s/ cordão97,65100,12105,53104,04
Fraldinha48,5857,0058,2151,42
Lagarto50,1645,5052,5250,80
Lombinho45,6735,5450,2847,28
Maminha55,2259,5660,4860,39
Músculo40,0942,2745,8844,82
Paleta48,7743,4245,1744,39
Patinho55,5951,3656,6053,45
Peito47,8536,1347,5745,83
Picanha B76,5384,6579,4981,21

O futuro do Boi Gordo: Mercado futuro renova máximas em julho de 2026

Se no curto prazo o consumidor tenta entender por que o preço da carne bovina sobe no açougue enquanto desaba nos frigoríficos, o mercado financeiro já mira no longo prazo com forte otimismo para os produtores. No dia 16 de julho de 2026, o preço futuro do boi gordo para liquidação em outubro de 2026 subiu pelo sexto dia consecutivo, renovando a máxima histórica para o vencimento ao ser cotado a expressivos R$ 360,00 por arroba.

Os contratos futuros com vencimento em setembro e outubro de 2026 despontaram como as principais estrelas de valorização na bolsa entre os dias 9 e 16 de julho, acumulando ganhos robustos de 3,1% e 2,8%, respectivamente.


Abate histórico de fêmeas acende o sinal de alerta para a pecuária

Essa disparada nas projeções futuras possui justificativas sólidas no campo. O abate oficial de bovinos no Brasil ao longo do primeiro trimestre de 2026 voltou a quebrar recordes históricos para o período. Esse movimento foi severamente impulsionado pela liquidação maciça de matrizes, registrando um aumento expressivo no abate de vacas e novilhas.

Historicamente, nunca haviam sido enviadas tantas fêmeas para os ganchos dos frigoríficos em um primeiro trimestre como em 2026. O mais preocupante é que este recorde histórico de abate de fêmeas em um primeiro trimestre se repete consecutivamente pelo terceiro ano (2024, 2025 e 2026).

Essa eliminação continuada de matrizes reprodutoras gera um sinal de alerta severo no setor produtivo nacional, pois drena a capacidade futura de reposição de bezerros. Consequentemente, projeta-se uma forte redução na oferta estrutural de carne bovina no Brasil a médio e longo prazo — um panorama que se agrava diante de um cenário global de restrição generalizada na oferta de proteínas. No curto prazo, especificamente para a segunda quinzena deste mês, a expectativa geral aponta para uma acomodação e estabilidade nas cotações aos consumidores, operando com um leve viés de queda.

Fonte: Scot Consultoria. Imagem principal: Depositphotos.


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