O preço da carne bovina no atacado subiu na 2ª semana de agosto com menor oferta de animais. Confira as cotações completas e dados de exportação.
Para Quem Tem Pressa
O preço da carne bovina no atacado registrou alta expressiva na segunda semana de agosto, impulsionado pela oferta restrita de animais para abate e pela firmeza nas cotações do boi gordo. O movimento de valorização atingiu todas as carcaças e os 22 cortes sem osso monitorados no mercado distribuidor. Na ponta final, as compras no varejo perderam ritmo após o impulso das vendas do Dia dos Pais e da injetada de liquidez via salários no dia 7 de agosto. Conforme entramos na segunda quinzena, a tendência indica acomodação da demanda interna por conta da retração do poder aquisitivo da população, que tende a migrar para alternativas mais em conta. No comércio exterior, contudo, o setor comemora registros históricos nas vendas de bovinos vivos e avanços nas exportações para a Europa e EUA.
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Preço da carne bovina no atacado sobe com oferta menor
O mercado pecuário brasileiro registrou movimentações relevantes durante a segunda semana de agosto. A menor disponibilidade de animais prontos para o abate nas fazendas sustentou as cotações na ponta atacadista. Ao mesmo tempo, o consumo doméstico demonstrou picos momentâneos de aquecimento seguidos por desaceleração do ritmo de compras no varejo.
Mercado de carcaças e cortes no atacado
A sustentação das cotações do boi gordo no campo refletiu-se diretamente nas distribuidoras. Com estoques enxutos e abates limitados, o preço da carne bovina no atacado subiu para todas as categorias de carcaça comercializadas:
- Carcaça casada de boi capão: alta de 1,3%, negociada a R$ 24,00/kg.
- Carcaça de boi inteiro: valorização de 1,1%, apregoada em R$ 23,45/kg.
- Carcaça casada de vaca: avanço de 1,3%, cotada em R$ 22,95/kg.
- Carcaça de novilha: subiu 2,0%, sendo comercializada por R$ 23,15/kg.
Quando analisado o segmento de carne sem osso, a média geral registrou uma alta expressiva de 3,7%, com avanço generalizado nos 22 cortes acompanhados pela amostragem do setor.
Os cortes do traseiro apresentaram elevação média de 3,6%. O principal destaque dessa categoria foi a alcatra com maminha, cuja cotação saltou 5,8%. Por sua vez, a média dos cortes do dianteiro valorizou 3,9%, com a maior oscilação observada no lombinho, que registrou uma expressiva disparada de 9,5%.
Mesmo com a diminuição progressiva dos pedidos de reposição ao longo da semana por parte das redes varejistas, o preço da carne bovina no atacado permaneceu firme devido ao estrangulamento da oferta na base produtora.
Tabela 1: Preços médios dos cortes sem osso no atacado de São Paulo (R$/kg)
Abaixo, os valores praticados no atacado paulista e suas variações percentuais em 7 dias, 30 dias e no acumulado de um ano:
| Atacado – Cortes | R$/kg | Var. 7 dias | Var. 30 dias | Var. 12 meses |
| Acém | R$ 28,61 | +3,8% | +7,4% | +18,6% |
| Alcatra (miolo) | R$ 38,36 | +1,8% | +6,5% | +17,7% |
| Alcatra com maminha | R$ 37,94 | +5,8% | +11,0% | +18,8% |
| Alcatra completa | R$ 43,15 | +2,8% | +5,6% | +8,6% |
| Capa de filé | R$ 29,16 | +4,7% | +5,9% | +16,8% |
| Contrafilé | R$ 42,28 | +3,6% | +9,4% | +18,7% |
| Coxão duro | R$ 32,23 | +2,1% | +4,1% | +12,3% |
| Coxão mole | R$ 34,58 | +2,7% | +7,6% | +14,0% |
| Cupim | R$ 36,51 | +1,0% | +5,4% | +11,1% |
| Filé mignon s/ cordão | R$ 67,16 | +3,9% | +9,1% | +26,2% |
| Filé mignon c/ cordão | R$ 76,13 | +4,0% | +11,7% | +29,8% |
| Fraldinha | R$ 35,63 | +3,7% | +9,8% | +21,7% |
| Lagarto | R$ 32,01 | +3,2% | +5,8% | +15,8% |
| Lombinho | R$ 28,95 | +9,5% | +16,9% | +33,2% |
| Maminha | R$ 38,70 | +0,7% | +7,0% | +21,5% |
| Músculo | R$ 28,21 | +3,6% | +5,6% | +12,0% |
| Paleta c/ músculo | R$ 28,61 | +4,3% | +7,2% | +18,6% |
| Paleta s/ músculo | R$ 29,45 | +4,2% | +7,4% | +19,2% |
| Patinho | R$ 35,44 | +5,4% | +8,1% | +17,0% |
| Peito | R$ 28,13 | +2,0% | +6,7% | +16,1% |
| Picanha A | R$ 67,79 | +3,4% | +5,9% | +22,1% |
| Picanha B | R$ 53,94 | +5,3% | +8,6% | +28,7% |
Comportamento das vendas no varejo regional
Após a primeira semana de agosto impulsionada pelo pagamento de salários na sexta-feira (07/08) e pela forte demanda para o Dia dos Pais — com foco evidente em cortes nobres de primeira e itens para churrasco —, o consumo na ponta final reduziu a marcha. Afinal, até mesmo os churrasqueiros mais entusiasmados precisam dar uma trégua ao bolso no meio do mês.
As oscilações do mercado varejista variaram conforme a região do país:
- São Paulo: Média com leve alta de 0,5% (9 cortes subiram, 6 caíram e 5 ficaram estáveis). Destaque para o miolo de alcatra, com alta de 3,3%.
- Minas Gerais: Ajuste positivo de 0,3% (8 cortes em alta, 8 estáveis e 4 em queda). O cupim teve a maior alta (+4,2%).
- Mato Grosso: Subida de 0,8% na média (9 em alta, 10 estáveis e 1 em queda). Destaque para o músculo (+4,3%).
- Mato Grosso do Sul: Elevação de 0,2% (8 em alta, 8 em queda e 4 estáveis). A fraldinha subiu 5,1%, enquanto o lagarto recuou 5,3%.
- Paraná: Queda média de 0,8% (13 cortes caíram, 4 subiram e 3 seguiram estáveis). O lagarto recuou 4,0%.
- Rio de Janeiro: Recuo de 0,5% na média (9 cortes caíram, 7 subiram e 4 ficaram inalterados). O contrafilé liderou as quedas (-4,4%).
- Goiás: Média recuou 0,2% (9 subiram, 5 caíram e 6 ficaram estáveis). O coxão mole teve a maior queda (-5,3%).
- Rio Grande do Sul: Queda de 0,7% (8 em queda, 6 em alta e 6 estáveis). A alcatra completa teve a maior retração (-4,2%).
A perspectiva de curto prazo sugere desaceleração progressiva nas açougues e supermercados. À medida que o poder de compra da população diminui com a chegada da segunda quinzena, a tendência do consumidor é buscar proteínas alternativas de menor custo.
Tabela 2: Preços médios dos cortes no mercado varejista (R$/kg)
Acompanhe os preços praticados nas diferentes praças estaduais monitoradas:
| Corte (R$/kg) | SP | PR | MG | RJ | MT | GO | MS | RS |
| Acém | 45,69 | 40,84 | 44,73 | 42,32 | 42,35 | 38,14 | 37,47 | 46,89 |
| Alcatra (miolo) | 63,93 | 62,56 | 71,97 | 62,12 | 54,66 | 70,68 | 77,49 | 77,67 |
| Alcatra c/ maminha | 55,77 | 51,50 | 61,76 | 55,06 | 57,24 | 53,94 | 57,90 | 58,40 |
| Contrafilé | 61,84 | 63,27 | 64,80 | 57,87 | 63,87 | 60,40 | 59,47 | 75,70 |
| Costela | 33,41 | 35,06 | 36,50 | 33,33 | 30,15 | 30,83 | 25,28 | 38,26 |
| Coxão duro | 53,29 | 50,11 | 53,57 | 53,77 | 50,18 | 49,32 | 45,17 | 49,22 |
| Coxão mole | 55,66 | 53,89 | 57,71 | 53,96 | 54,23 | 51,58 | 51,68 | 56,51 |
| Cupim | 47,68 | 43,62 | 55,01 | 48,61 | 52,81 | 58,58 | 51,22 | 44,45 |
| Filé mignon s/ cordão | 103,26 | 94,96 | 109,98 | 101,84 | 98,84 | 104,25 | 102,62 | 109,84 |
| Fraldinha | 51,57 | 58,54 | 58,33 | 50,42 | 55,56 | 52,67 | 56,44 | 56,69 |
| Lagarto | 51,49 | 46,02 | 52,52 | 50,98 | 48,57 | 48,89 | 48,09 | 53,99 |
| Lombinho | 47,90 | 35,17 | 50,28 | 46,78 | 46,24 | 45,55 | 45,70 | 59,90 |
| Maminha | 58,83 | 60,16 | 60,86 | 59,89 | 60,05 | 68,30 | 66,45 | 65,62 |
| Músculo | 41,37 | 40,62 | 46,38 | 46,02 | 40,25 | 36,87 | 37,93 | 40,23 |
| Paleta | 49,54 | 44,01 | 46,14 | 43,79 | 38,83 | 38,44 | 39,96 | 44,51 |
| Patinho | 57,62 | 51,27 | 58,60 | 54,35 | 53,29 | 50,60 | 49,93 | 57,95 |
| Peito | 47,78 | 37,08 | 47,70 | 43,33 | 42,25 | 44,02 | 45,45 | 44,49 |
| Picanha B | 76,39 | 84,09 | 79,12 | 84,09 | 84,35 | 83,29 | 89,46 | 85,99 |
Mercado externo: Exportação de vivos e embarques em agosto de 2026
Enquanto o cenário doméstico lida com a volatilidade habitual de consumo, a pecuária brasileira registra marcas históricas no comércio exterior. Em julho de 2026, a exportação de bovinos vivos rendeu US$ 102,55 milhões ao país. Trata-se do maior patamar da história para este período do ano, superando a marca de US$ 100,0 milhões em vendas em um único mês de julho.
O grande motor desse desempenho foi o preço médio do animal vivo exportado, negociado a US$ 3,27 por kg — valor substancialmente superior ao praticado em anos anteriores (em julho de 2025, a cotação média registrava US$ 2,17 por kg).
Já nos embarques de carne bovina in natura, os dados parciais da primeira semana de agosto de 2026 (cinco primeiros dias úteis) apontaram uma média diária de 10,49 mil toneladas métricas. O ritmo supera o resultado do mês anterior (julho de 2026 teve média de 9,91 mil toneladas/dia), embora continue abaixo do ritmo excepcional registrado em agosto de 2025 (12,79 mil toneladas/dia).
Além da participação atuante dos Estados Unidos, o bloco da União Europeia intensificou consideravelmente o volume de compras. Os embarques destinados aos países europeus em julho de 2026 atingiram a maior marca registrada para esse mês nos últimos 20 anos.
Mesmo com a oscilação natural do poder de compra interno, o cenário de oferta enxuta associado às exportações aquecidas mantém o preço da carne bovina no atacado em patamar elevado.
Disclaimer
Este artigo é de caráter informativo e opinativo, com dados e cotações referentes ao dia 17/08/2026. As informações podem conter imprecisões, sendo sua utilização de responsabilidade exclusiva do leitor. O conteúdo não constitui recomendação de investimento, orientação financeira, consultoria jurídica ou aconselhamento comercial. Decisões devem considerar as particularidades de cada operação, os regulamentos aplicáveis e, quando necessário, o apoio de profissionais habilitados. Os autores e o site não se responsabilizam por decisões tomadas com base neste material.
Fonte: Scot Consultoria e diversos sites especializados, além de informações levantadas diretamente com fazendas, veterinários e zootecnistas atuantes no mercado pecuário.
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